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Correio Braziliense

Fotógrafo Luis Humberto lança livro de poesia dedicado à esposa

Aos 83 anos, ele traz para a escrita inquietações como a morte e o envelhecimento


postado em 28/08/2018 07:00 / atualizado em 28/08/2018 12:19

Em 2012, o fotógrafo Luis Humberto começou a ser assaltado por longos momentos de insônia. Para preencher as horas em que não conseguia dormir, escrevia poesia. Não era uma novidade, o fotógrafo compõe versos desde os anos 1970 e alguns até chegaram a ser publicados, mas é uma leva nova que ele apresenta em Para Márcia, coletânea que ele lança hoje, às 19h, no Carpe Diem. “Minha insônia tinha que ser produtiva”, brinca Luis Humberto. “Ia para a sala e ficava escrevendo, mas não tinha a intenção de publicar. Minhas filhas gostaram e aí ganhou corpo a ideia de fazer o livro.”
 
Luis Humberto: linguagem sintética como é a da fotografia ou da arquitetura(foto: Claudio Versiane/Divulgação)
Luis Humberto: linguagem sintética como é a da fotografia ou da arquitetura (foto: Claudio Versiane/Divulgação)
 
 
 
Boa parte dos poemas são compostos de versos curtos e bastante sintéticos. É uma característica que Luis Humberto traz da fotografia. “Eles têm a síntese da fotografia, da arquitetura. Fotografia é uma síntese e os poemas têm isso”, avisa o autor, que, antes de ser fotógrafo, foi arquiteto. O mundo contemporâneo, o amor, a saudade, a tristeza e o cotidiano serviram de matéria prima para os versos, que são dedicados à mulher, Márcia, mas não necessariamente escritos para ela.

Há questionamentos de todos os tipos entre os versos de Luis Humberto, inclusive sobre questões existenciais. Aos 83 anos, ele traz para a escrita inquietações como a morte e o envelhecimento. Sobre a velhice, se pergunta: “Por que só entendemos/A vida/Quando ficamos velhos?/Por que demoramos tanto a ficarmos velhos?”.

Quando fala da morte, reflete sobre o próprio homem, não apenas sua finitude mas sua capacidade de matar. “Nada comparável ao homem/Mata sem beleza/Por caminhos diversos/Por causas ditas nobres/Por armas”, escreve. É uma maneira de exercitar um olhar sempre crítico em relação ao ser humano. “O mundo atual é perigoso”, aponta. “Pode-se tudo, a canalhice roda com despudor, o ser humano está complicado, fala de coisas que não pratica”, repara.

Luis Humberto também é um sujeito irônico e isso aparece nos poemas. Em Pacto, ele conta: “Tentei/Um pacto com a eternidade/Parece ter sido por ela/Ignorado/Mesmo assim insisto/Não consigo travar/Os ponteiros do relógio”. Mas há também poemas de amor, muitos. Eles celebram, sobretudo, os 30 anos de união com Márcia Noronha, citada nominalmente em alguns versos.

Leitor de Manoel de Barros, Pablo Neruda, Mário Quintana e Adélia Prado, Luis Humberto sempre gostou de poesia, mas não tem um método rigoroso de trabalho. “De repente, pipoca uma coisa na minha cabeça, um mote. Quando estou com insônia, a coisa vem redondinha, mas não tenho hora para trabalhar. Sou meio anárquico” conta. Lapidar os versos também faz parte do processo. Mas isso tem que ser feito comedidamente. “Porque às vezes você pensa que melhorou e, às vezes, isso é um engano”, adverte.

Para Márcia
De Luis Humberto. 
Edição independente, 260 páginas. R$ 30
Lançamento hoje, às 19h, no Carpe Diem (SCLS 104,
 

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