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Correio Braziliense

Cena Contemporânea conquista a cada ano público novo no Distrito Federal

A descentralização é um motivo para isso acontecer


postado em 29/08/2018 07:30

Stephanie Cardozo, Yasmin de Souza e Beatriz Blackman: entrada gratuita é atração nas cidades da periferia(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Stephanie Cardozo, Yasmin de Souza e Beatriz Blackman: entrada gratuita é atração nas cidades da periferia (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)


O maior festival internacional de artes cênicas do Centro-Oeste está em sua 19a edição. O Cena Contemporânea, que começou em 21 de agosto e vai até 2 de setembro, reúne 30 espetáculos na programação, sendo sete internacionais, 14 nacionais e nove do Distrito Federal. As peças têm temáticas como democracia, igualdade de direitos, tolerância, violência, depressão,  entre outros. Além da extensa programação de espetáculos, o Cena deste ano promoveu também atividades como debates e oficinas. 

Atento aos acontecimentos do país e do mundo, o público do evento parece crescer a cada ano, ainda mais que as peças não centralizaram apenas no Plano Piloto  mas também nas regiões administrativas como Taguatinga, Recanto das Emas e Gama.

Há quatro anos acompanhando os espetáculos do Cena, o estudante de teatro César Fernandes afirma que o evento está cada vez mais com espetáculos de bom nível. “Eu tenho sentido que o Cena conquistou um espaço com essa nova filosofia de descentralizar os locais e interagir com outras plateias. O pessoal também anda muito mais ativo em relação às oficinas e isso dá muito mais movimentação, além de abrir espaço para as pessoas virem ao teatro, e, como eu acompanho há algum tempo, é legal ver esse projeto crescendo”, disse César.

E este público crescente também costuma vir de todos os segmentos, afirma Fernandes. Para ele, anos atrás, as pessoas que acompanhavam o Cena Contemporânea eram “mais entendidos de artes cênicas”, moradores do Plano Piloto, tinham uma condição social maior. “Eu sinto que antes vinha só quem consumia arte, e agora começou a ir para outros lugares expandiu as perspectivas, e eu acho isso muito legal”, conclui César.

Mas ainda assim, muito do público que comparece ao Cena já tem o costume de ir ao teatro. É o caso da professora de literatura da Universidade de Brasília (UnB) Glória Magalhães. “Eu já venho muito ao teatro, pelo menos uma vez no mês. Mas quando tem o Cena, eu arrumo a minha programação para ir aos espetáculos de que eu gosto mais, até porque tem muitos espetáculos internacionais que não tem sempre aqui em Brasília”, afirma.

E para quem procurava o que fazer no fim de semana, o Cena foi a melhor pedida, ainda mais com o preço dos ingressos, que vão até R$ 20. Foi o que cativou a estudante Beatriz Blackman e suas amigas, que buscavam se divertir sem gastar muito. “Eu vi também que em algumas cidades- satélites a entrada é gratuita e eu acho isso muito importante ,porque valoriza o teatro e faz com que esse tipo de entretenimento chegue às outras camadas da população”, conclui Beatriz.

O publicitário Daniel Leal conheceu o Cena ano passado, mas não conseguiu ir a nenhum espetáculo na época, pois todos os ingressos das peças que ele queria assistir já estavam esgotados. “Este ano eu dei uma olhada na programação e já comprei logo para não perder”, disse.

Grandes espetáculos Para Daniel Leal, a curadoria do evento é o diferencial, já que traz muitas peças que ele ainda não conhecia, o que, para o publicitário, é uma oportunidade de assistir a um trabalho de qualidade. “Acho que qualquer tipo de evento assim ajuda a criar uma mobilização a levar cada vez mais público para os demais eventos que são organizados aqui na cidade. E, com certeza, é um estimulo para trazer mais peças de fora para cá”, explica o publicitário.

Quem corrobora com a opinião de Daniel é a professora e atriz Michelline Medeiros, que frequenta o evento todos os anos. Ela afirma que o público do Cena é bastante interessante, com uma curadoria boa e eficiente. “Quando vamos ao Cena, a gente já sabe que o espetáculo vai ser bom. Ele é um dos poucos eventos que trazem espetáculos do exterior, para mim essa é a grande diferença. Além de ser enriquecedor, a gente percebe como que o teatro está sendo produzido, e como a linguagem é utilizada em outros lugares. Ter esse tipo de contato é o maior enriquecimento que o Cena traz para Brasília”, conclui.
 
 

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