Publicidade

Correio Braziliense

'O candidato honesto' e 'Ferrugem' estão entre as estreias da semana

'Ferrugem' ganhou prêmio de melhor filme em Gramado


postado em 30/08/2018 07:17 / atualizado em 30/08/2018 13:21

Sequência de O candidato honesto: Hassum de volta às telonas(foto: Reprodução/Internet)
Sequência de O candidato honesto: Hassum de volta às telonas (foto: Reprodução/Internet)

O mês de setembro se encerra nos cinemas com uma leva de estreias. Hoje, as salas do Distrito Federal estarão repletas de novidades, que vão desde franquias de sucesso, a exemplo de O candidato honesto e Jovens Titãs, até longas menos comerciais, como Ferrugem, vencedor do Festival de Gramado, e Yonlu.
 
No segundo filme da saga O candidato honesto, o ator Leandro Hassum volta a viver o personagem João Ernesto Ribamar. No longa, após cumprir quatro anos de prisão dos 400 decretados, o político se candidata à Presidência da República, vence e, um ano depois, acaba sendo deposto. A comédia tem direção de Roberto Santucci e faz sátiras com situações do cenário político atual, com referências à operação Lava-Jato e ao presidente norte-americano Donald Trump.
 
Ao Observatório do Cinema, Hassum admitiu que O candidato honesto 2 — O ‘impitchiment’ tem uma dose de crítica à situação do país. “A gente vem dando mais alfinetadas nessa política que o país vem vivendo e na postura que a sociedade tem diante do momento político que a gente tá vivendo”, afirmou. Além do protagonista, o longa tem no elenco nomes brasilienses, como Rossane Mulholland e Victor Leal.
 
Heróis em animação

Desde 1960, a DC Comics tem mais um grupo de heróis além da Liga da Justiça. Chamada de Novos Titãs, ou simplesmente Titãs, a trupe, que teve diversas formações, tem uma série animada homônima, desde 2003, nas telinhas. Depois do sucesso na tevê, a partir de agora, Robin, Ravena, Estelar, Mutano e Ciborgue chegam às telonas no longa-metragem Os Jovens Titãs em ação! Nos cinemas!.

O filme, que tem direção de Aaron Horvath e Peter Rida Michail, inclusive, se utiliza dessa transição da tevê para os cinemas para criar sua história. A trama mostra os Jovens Titãs percebendo que outros super-heróis estão estrelando produções hollywoodianas e passam a se mobilizar para que isso aconteça com eles também.

Direto de Gramado

Depois de ser premiado no Festival de Gramado, Ferrugem entra em circuito comercial(foto: Rosano Mauro Jr/Divulgação)
Depois de ser premiado no Festival de Gramado, Ferrugem entra em circuito comercial (foto: Rosano Mauro Jr/Divulgação)

Dois longas saltam do pódio no Festival de Cinema de Gramado para as salas de cinema nesta semana. Na noite do último domingo, foram consagrados Ferrugem — na disputa de títulos brasileiros — e As herdeiras — no âmbito estrangeiro. Ferrugem levou os prêmios de melhor filme, melhor roteiro (Jessica Candal e Aly Muritiba) e melhor desenho de som (Alexandre Rogoski). Enquanto As herdeiras conquistou melhor filme, melhor filme do júri popular, melhor direção, melhor roteiro e melhor atriz.

Dirigido pelo ex-agente carcerário Aly Muritiba, Ferrugem aborda o bullying em redes sociais. No longa, a estudante de ensino médio Tati tem vídeo íntimo vazado entre colegas.

Filme As herdeiras tem como foco personagens femininas(foto: Imovision/Divulgação)
Filme As herdeiras tem como foco personagens femininas (foto: Imovision/Divulgação)


Em As herdeiras, do paraguaio Marcelo Martinesse, Ana Brum vive Chela, que tem um caso com Chiquita (Margarita Irún). Juntas, usufruem de herança familiar e recorrem à venda dos bens.

Duas perguntas / Marcelo Martinesse


Os poucos homens que aparecem em cena surgem sem grande ênfase. Era uma ideia falar em sororidade e deixar os homens de lado?

A princípio, não era uma ideia tratar de sororidade. À medida que fui compondo a película, me parecia orgânico à história ter homens de forma bastante marginal e focar nas protagonistas, duas mulheres. Eu me pergunto se, se fossem mais homens, se haveria essa pergunta. O fato de chamar a atenção ter muitas mulheres revela muito do cinema que se faz hoje.

Como compararia os cinemas brasileiro e paraguaio?

Creio que o cinema brasileiro tenha toda uma história grande com a Ancine. A geração de cineastas brasileiros hoje pode desfrutar de incentivos que estimulam um novo cinema brasileiro. Infelizmente, não podemos dizer o mesmo do Paraguai, de uma renovação no cinema paraguaio. Finalmente temos uma federação voltada para o cinema paraguaio que impulsiona políticas públicas. Aprovaram em julho uma lei de cinema paraguaio. Temos, então, um cinema nascendo. Porque, nós, atuais cineastas paraguaios, nunca vimos o Paraguai levantar e nunca vimos nosso idioma, nossa paisagem.
 

Assuntos tabu

 
O longa Yonlu, que está entre os brasileiros com chance de representar o Brasil no Oscar, retrata a história de um jovem que tirou a própria vida em 2006 com ajuda de fóruns on-line. O filme amplia a discussão sobre saúde mental e o uso indiscriminado da internet.

O caso de Vinicius Gageiro Marques, mais lembrado pelo pseudônimo Yoñlu, que dá título ao filme, chamou a atenção sobretudo por ser a primeira vez, no Brasil, que se tem notícia de suicídio incentivado e acompanhado por internautas. Em fóruns on-line, perfis de diversas partes do mundo, em meio a ofensas e a alguns pedidos de “pare”, davam dicas ao garoto do que fazer para se matar.

No filme, o personagem é vivido pelo ator Thalles Cabral. “Tentei entender as motivações dele, o que acontecia com ele a cada cena”, revela, salientando o respeito pelo assunto. ”Eu tinha essa responsabilidade de tentar fazer o melhor, sem qualquer tipo de julgamento”, completa em entrevista ao Correio.

Encarregando-se da difícil tarefa de abordar suicídio no cinema, o cineasta gaúcho Hique Montanari, que é o diretor e roteirista da fita, conta que buscou falar com “sensibilidade e responsabilidade”. Ele diz que o assunto não deve se encerrar em especialistas de saúde mental. “Vamos e devemos falar sobre suicídio, seja no cinema, seja dentro de casa”, completa. Segundo Hique Montanari, o filme “joga luz sobre o assunto depressão. Proporciona esse debate, apesar de nunca levantar essa bandeira. É mais uma reflexão que promove”.

Depressão também é o tema abordado no filme Fica mais escuro antes do amanhecer. A história acompanha o casal Iran, papel vivido por Thiago Luciano (que também é o diretor), e Lara (Lucy Ramos), que enfrenta a tristeza após a morte do filho em meio a um mundo prestes a acabar.


 
“Quais são as consequências da perda de um filho na vida de um casal? Essa é a pergunta que move o filme. Ele mergulha no dia a dia de um povoado atemporal, que sofre com as mudanças climáticas extremas e está fadado a presenciar o último pôr do sol antes de o mundo entrar em um período de escuridão total. Lara, minha personagem, está passando por um momento difícil. Ao lado do marido, Iran (Thiago Luciano), estão tentando superar essa perda”, conta a atriz ao Correio.

Sobre trazer questões de saúde mental para a tela, Lucy afirma: “É necessário falar sobre esse mal do século, a depressão, e também sobre a perda. Temas que nos afetam de uma maneira profunda. Não se fala muito sobre eles, por conta do desconforto, da tristeza que eles trazem. No filme, essa depressão parte da perda de um ente querido, e é contada de uma forma artística, que toca a alma. A perda em diferentes tons”.

História roqueira

As lembranças do cineasta Rafael Terpins ao lado do tio Tico Terpins, integrante da banda de rock dos anos 1970 Joelho de Porco, morto em 1998, deram origem ao documentário Meu tio e o Joelho de Porco. “Um documentário sobre o Tico é um desejo antigo. Mas, mais que uma homenagem, quis utilizar o creme da obra dele para contar sua própria história, extirpar o cerne das letras maravilhosamente sarcásticas e organizá-las de um jeito que desenhassem a trajetória da banda”, explica. “Essa vontade começou a ganhar forma de urgência principalmente depois da morte do Zé Rodrix (um dos integrantes da banda)”, completa.

Outras estreias


A destruição de Bernardet
De Claudia Priscilla e Pedro Marques, o documentário retrata a trajetória do cineasta e escritor Jean-Claude Bernardet como ator em longas e curtas.

Deus não está morto — Uma luz na escuridão
O longa-metragem de Michael Mason está ambientado após um incêndio atingir a igreja Saint James. Como a estrutura tem que ser retirada do campus da universidade Hadleigh University, isso causa conflito entre igreja e comunidade.

Nico, 1988
Em formato de biografia, o filme de Susanna Nicchiarelli mostra os dois últimos anos de vida de Nico, cantora e compositora alemã considerada uma das musas de Andy Warhol.

Takara — A noite em que nadei
Coprodução entre Japão e França conta a  história de um menino de 6 anos, filho de um pescador, que acorda com o barulho do pai e não consegue voltar a dormir. No caminho da escola, ainda com sono, se afasta de seu caminho habitual. 

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade