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Correio Braziliense

Chico Buarque traz 'Caravanas' a Brasília

Show tem repertório do disco homônimo, o mais recente do composiotor


postado em 30/08/2018 07:16 / atualizado em 30/08/2018 11:19

Chico Buarque faz shows quinta e sexta no Centro de Convenções Ulysses Guimarães(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Chico Buarque faz shows quinta e sexta no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 

Mesmo em tempos de ódio e intolerância, Chico Buarque usa a leveza para reagir aos ataques por seu posicionamento político. Elegante, faz versos para responder a quem o injuria, como “Alguém me disse que tu não me queres/ E que até proferes desaforos pro meu lado/ Fico admirado por incomodar-te assim/ Jamais pensei que pensasses em mim...”, da canção Desaforo, uma das faixas do Caravanas, o reverenciado álbum lançado em 2017.

Caravanas é também nome do show com o qual o cantor e compositor carioca tem percorrido o país — esteve, também, em Portugal —  e que chega a Brasília, sob grande expectativa. Além da apresentação de hoje, às 21h, tem outra amanhã, no mesmo horário, no auditório máster do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Boa parte das músicas do disco está no roteiro do show, lado a lado com clássicos da obra desse artista genial, que tem a admiração e o respeito dos companheiros de trabalho. “Chico é um cara tranquilo, bem-humorado, com quem converso sobre assuntos variados, do futebol à política, passando por questões do dia a dia. A música, porém, é o tema mais recorrente”, revela o violonista, arranjador e diretor musical do espetáculo Luis Cláudio Ramos.
 
Em momento descontraído, Chico come uma maçã durante passagem de som em Brasília(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Em momento descontraído, Chico come uma maçã durante passagem de som em Brasília (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

O maestro conta que Chico está sempre disposto a ouvir sugestões dos músicos do conjunto, inclusive ao conceber o roteiro de shows. Segundo Luis Cláudio, isso ocorreu também no Caravanas, que é aberto pelo emblemático samba Minha embaixada chegou — resgate do baú de Assis Valente — que permite a Chico fazer o apelo: “Deixa o meu povo passar”.

Na sequência, entre as 27 canções selecionadas, as novas Tua cantiga, Blues de Bia e As caravanas se juntam às consagradas Mambembe, Partido alto, Todo sentimento, Futuros amantes, que lembram “o tempo da delicadeza”. No set list estão ainda Gota d’água, da mítica peça homônima, protagonizada por Bibi Ferreira, na década de 1970; e Sabiá, célebre parceria com Tom Jobim. Ambas nunca haviam sido ouvidas em apresentações de Chico. No universo do show, criado por ele, há espaço para Yolanda (Pablo Milanés), que remete ao cancioneiro cubano.

Do legendário musical Ópera do malandro vieram Homenagem ao malandro e Geni e o Zepelim; e de O grande circo místico foram escolhidas A bela e a fera e A história de Lily Broun, ambas compostas com Edu Lobo. Grande Hotel, feita por Chico e Wilson das Neves, lembra o baterista e amigo, morto em 2017, a quem o espetáculo é dedicado.

Músicos virtuosos que há décadas acompanham o cantor, formam a banda que sobe ao palco com ele em Caravanas: Luis Cláudio Ramos (violão, arranjos e direção musical), João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo). O baterista Jurim Moreira é o substituto de Wilson das Neves.


Beleza plástica

Em Caravanas, outro destaque é a beleza plástica do cenário de Helio Eichbauer. O jogo de oito cordas, criado por ele, forma diferentes desenhos e movimentos que mudam de tom de acordo com a iluminação, assinada por Maneco Quinderé. Uma esfera flutua no espaço azul, como um sistema planetário. Em cena, Chico e os músicos usam figurinos com a assinatura de Marcelo Pies.

Luis Cláudio Ramos está ao lado de Chico desde 1975. À época, elaborou as harmonias e integrou a banda do show em que Chico dividiu com Maria Bethânia o palco do Canecão, no Rio de Janeiro. Dezenove anos depois, em Paratodos, assumiu a direção musical de todos os projetos artísticos de quem considera “um amigo fraterno e democrata”.

Sobre os bem elaborados arranjos para as músicas de Chico, ele fala com propriedade. “Arranjos não são algo meramente técnico. Tem a parte criativa, que é muito importante. Dedico muito tempo para dissecar a música, a partir das bases que o Chico me passa. Vou tendo ideias e trocando figurinha com ele, que é sempre receptivo”, explica o maestro.

Integrante da banda de Chico Buarque desde 1993, o baixista Jorge Helder, que iniciou a carreira em Brasília, é também parceiro e amigo do ídolo. “Minha admiração por Chico é total, não só pela oportunidade que me proporcionou, logo depois de chegar ao Rio, mas também por me possibilitar dividir parceria com ele em três canções, Bolero blues, do CD Carioca; Rubato, do Chico; e Casualmente, agora no Caravanas”, comemora. “No show, me emociono ao acompanhá-lo, tocando violão na nossa música”.

Um outro personagem da trupe de Chico é Ricardo Clementino, o Tenente, diretor executivo do Caravanas. “Trabalho com o Chico há 30 anos. Eu era assistente do Naum Alves de Souza, que o dirigiu no Francisco. A partir dali passei a ter a função que exerço atualmente”, conta. “É um privilégio conviver com esse extraordinário artista, uma pessoa educada, tranquila, coerente e de um humor absurdo. Sou muito grato também ao Vinicius França, o nosso produtor e grande comandante”, acrescenta.
 
Set list do Caravanas
 
1)MINHA EMBAIXADA CHEGOU (Assis Valente - 1934)/MAMBEMBE (Chico Buarque – 1972)

2)PARTIDO ALTO (Chico Buarque – 1972)

3)IOLANDA (Pablo Milanés – versão de Chico Buarque – 1984)

4)CASUALMENTE (Jorge Helder / Chico Buarque – 2017)

5)A MOÇA DO SONHO (Edu Lobo / Chico Buarque – 2001)

6)RETRATO EM BRANCO E PRETO (Tom Jobim / Chico Buarque – 1968)

7)DESAFOROS (Chico Buarque – 2017)

8)INJURIADO (Chico Buarque – 1998)

9)DUETO (Chico Buarque – 1979)

10)A VOLTA DO MALANDRO (Chico Buarque – 1985)

11)HOMENAGEM AO MALANDRO (Chico Buarque – 1977/1978)

12)PALAVRA DE MULHER (Chico Buarque – 1985)

13)AS VITRINES (Chico Buarque – 1981)

14)JOGO DE BOLA (Chico Buarque – 2017)

15)MASSARANDUPIÓ (Chico Brown / Chico Buarque – 2017)

16)OUTROS SONHOS (Chico Buarque – 2006)

17)BLUES PRA BIA (Chico Buarque – 2017)

18)A HISTÓRIA DE LILY BRAUN (Edu Lobo / Chico Buarque – 1982)

19)A BELA E A FERA (Edu Lobo / Chico Buarque – 1982)

20)TODO 0 SENTIMENTO (Cristovão Bastos / Chico Buarque – 1987)

21)TUA CANTIGA (Cristovão Bastos / Chico Buarque – 2017)

22)SABIÁ (Tom Jobim / Chico Buarque – 1968)

23)GRANDE HOTEL (Wilson das Neves / Chico Buarque – 1997)

24)GOTA D’ÁGUA (Chico Buarque – 1975)

25)AS CARAVANAS (Chico Buarque – 2017)

26)ESTAÇÃO DERRADEIRA (Chico Buarque – 1987)

27)MINHA EMBAIXADA CHEGOU (Assis Valente - 1934) 


Caravanas
Show de Chico Buarque e banda hoje e amanhã, às 21h, no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Ingressos: R$ 490 (inteira) e R$ 245 (meia), poltrona prêmio; R$ 450 (inteira) e R$ 225 (meia), poltrona vip; R$ 380 (inteira) e R$ 190 (meia), poltrona superior; R$ 320 e R$ 160 (poltrona superior/visão parcial). Pontos de venda: Fnac (ParkShopping) e ingressorapido.com.br. Classificação indicativa livre.

 

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