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Correio Braziliense

Tribalistas se apresentam neste sábado na cidade

Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown apresentam na cidade um show com o novo trabalho do trio, mas sem esquecer de clássicos como Velha infância e Já sei namorar


postado em 01/09/2018 06:30

Tribalistas estão com passagem marcada para turnê pela Europa(foto: Leo Aversa/Divulgação)
Tribalistas estão com passagem marcada para turnê pela Europa (foto: Leo Aversa/Divulgação)


“Um, dois três/ Somos muitos/Quando juntos/ Somos um só”. Este verso do refrão de Um só, canção do Tribalistas, o segundo álbum do trio, reflete bem a relação vivenciada por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, artistas que ocupam posição de destaque no cenário da moderna MPB.

Tribalistas é também o nome do espetáculo com o qual o trio está na estrada desde 28 de julho, quando houve a estreia da turnê na Arena Fonte Nova, em Salvador. Depois de passar por Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, o show chega a Brasília para apresentação neste sábado (1/9), às 21h, no anfiteatro do Estádio Nacional Mané Garrincha.

Houve uma longa espera para ver Marisa, Arnaldo e Brown em cena, diante da impossibilidade de eles se juntarem no palco, quando do lançamento do primeiro álbum dos Tribalistas, em 2002. Quinze anos depois, a compatibilização das respectivas agendas lhes permitiu excursionar, cantando músicas do disco de estreia, do segundo, de 2017, além de outras que compuseram juntos e gravaram em projetos individuais.

Para os Tribalistas, porém, não houve um hiato entre o primeiro e o segundo disco. “O show cumpre a função de mostrar que não houve intervalo em nosso trabalho. Na verdade, estamos celebrando bodas de prata de nossa parceria, pois começamos a compor juntos bem antes de lançarmos o primeiro álbum”, explica Maria Monte.

O que os três têm produzido em conjunto, no entendimento de Arnaldo Antunes, é algo espontâneo. “Não programamos nada. Tudo é fruto de afinidade entre nós. Estamos sempre nos encontrando para fazer música. Não houve planejamento para sermos um grupo. O show é um desdobramento natural da nossa convivência”.

As canções do segundo CD, presentes no roteiro do show, como Água também é mar, Aliança, Diáspora, Fora da memória e Trabalivre, são de uma nova safra dos Tribalistas. Segundo Marisa, elas têm vida própria. “Não temos controle do processo. Nos reunimos para fazer música e no colocamos a serviço das canções, mas sem determinar o assunto, nem se vai ou não entrar no repertório do disco”, comenta Marisa.

Isso, de acordo com os três, se deu em relação às canções do CD do primeiro disco, esboçado durante um encontro deles em Salvador, em 2002. Desse momento, o público poderá ouvir, hoje, Carnavália, Lá de longe, Já sei namorar, Passe em casa e Velha infância. A elas, se juntam no repertório Amor I love you, Depois, Infinito particular e Vilarejo, que ganharam registro em álbuns solo de Marisa.

Impacto


(foto: Daniel Mattar/Divulgação)
(foto: Daniel Mattar/Divulgação)
“Nunca combinamos nada antes de começarmos a compor. O tema ou o tipo de música vão surgindo durante nossas conversas. Diáspora, por exemplo, era um assunto atual. Estávamos sob o impacto da saga dos refugiados que cruzavam o Mediterrâneo em busca da Europa, fugindo da perseguição que sofriam no Oriente Médio. Mas a música fala também dos cubanos, dos ciganos. Infelizmente, isso vem ocorrendo agora, também, com os venezuelanos que chegam a Roraima”, constata Arnaldo.

Carlinhos Brown acredita que o ser humano, por diferentes razões, é nômade. “A escravidão no Brasil foi a migração do passado. Os irmãos africanos chegaram aqui e se tornarem escravos dos brancos portugueses, que vieram da Europa”. O compositor acrescenta: “Vivemos num mundo com fraturas, onde os que têm necessidade de migrarem, fugindo de lugares que estão pulsando de forma negativa, não são bem recebidos. É exatamente isso o que vemos com os retirantes da Venezuela, impedidos de se instalarem em Roraima”.

Quanto ao show, Marisa, Arnaldo e Brown só têm motivos para comemorar. “Estamos muito felizes com a acolhida que temos recebido de plateias das diferentes cidades por onde temos passado. As músicas do show são nossas, mas as pessoas as tomaram para si, por se identificarem com as histórias contidas em cada canção. Nos sentimos apenas como instrumentos de criação”, festeja Marisa.

Elogios da cantora são destinados também aos músicos da banda que os acompanha. “Todos eles são talentosos e muito competentes. O Dadi e o Pedro estão com a gente desde o primeiro disco. Além de se revezarem na guitarra, no violão, são nossos parceiros. O Marcelo é um baterista disputado por vários artistas e está com os Tribalistas nesta turnê. Já o Pretinho, também se tornou parceiro e exibe versatilidade tocando percussão, cavaquinho e fazendo vocal”.

A turnê chega à capital federal num momento de grande ebulição do país em diferentes áreas, mas especialmente na política, por conta das eleições que vão ocorrer em outubro. “Nós, juntos, buscamos passar mensagens de um Brasil mais amoroso, mais solidário!”, destaca Arnaldo. “Mas, como cidadão, fico muito preocupado com os fatos que observo, neste período pré-eleitoral, principalmente com as ameaças reacionárias do retorno de estado parecido com a ditadura. Este retrocesso, este clima de intolerância é o que mais me assusta. Espero que as pessoas busquem se informar, para que possam impedir o retorno de algo que é extremamente nefasto”, complementa.



Tribalistas

Show de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Bown e banda. Neste sábado (1/9), às 21h, no anfiteatro do Estádio Nacional Mané Garrincha (Eixo Monumental). Ingressos: Pista Premium R$ 170 (meia-entrada), R$ 170 (promocional solidário com doação de 1kg de alimento), R$ 340 (inteira); cadeira R$ 150 (meia-ntrada), R$ 150 (promocional solidário); camarote R$ 250 (meia entrada), R$ 250 (promocional solidário); e R$ 500 (inteira). Ponto de venda: Loja Eventin (Brasília Shopping). Vendas on-line: www.myticket.com.br. Não recomendado para menores de 16 anos.



Cenário surpreendente

Um outro destaque no espetáculo dos Tribalistas é o cenário criado por Batman Zavareze, que une música, arte e tecnologia. Ele havia trabalhado com Marisa Monte no show Verdade, uma ilusão, e agora está ao lado dela e de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, atuando como diretor de arte, na turnê do trio.

Durante um ano, Zavareze acompanhou os cantores nos ensaios, pesquisou e produziu materiais inéditos. As projeções pensadas pelo artista foram especialmente elaboradas para cada música e trazem para o show imagens gravadas por Marisa, Arnaldo e Brown, de acervo e transmissão ao vivo do palco e dos espectadores.

Uma das imagens projetadas no telão é a da pintura sobre três retratos 3 x 4 dos Tribalistas na adolescência, feita pelo Mestre Júlio, que há mais de 40 anos aplica tinta sobre fotografias, criando um ar nostálgico.


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