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Correio Braziliense

Espetáculos do Cena Contemporânea falam sobre democracia e educação

Espetáculos nacionais e internacionais tratam de questões fundamentais à sociedade contemporânea latino-americana


postado em 01/09/2018 07:00

Salve Malala!, da cia paulista La Leche, fala de educação no Brasil de hoje de uma maneira leve(foto: Felipe Stucchi/Divulgação)
Salve Malala!, da cia paulista La Leche, fala de educação no Brasil de hoje de uma maneira leve (foto: Felipe Stucchi/Divulgação)

 

A democracia e o direito à educação batem à porta do Cena Contemporânea neste fim de semana com dois espetáculos que refletem sobre problemas sociais e políticos da América Latina. Salve Malala! dá voz às meninas para falar do direito à educação, e Tijuana fala da vida dos mexicanos na fronteira com os Estados Unidos.

 

O diretor e ator mexicano Gabino Rodríguez trabalhou em uma fábrica em Tijuana durante seis meses para criar o espetáculo que leva o nome da cidade. Localizada na fronteira com os Estados Unidos, a 36 quilômetros de San Diego, a cidade é conhecida por ser um ponto de partida para atravessar a fronteira, legal ou ilegalmente, e como um entreposto do tráfico de drogas. São situações decorrentes de uma desigualdade enorme e é sobre isso que o espetáculo de Gabino e da companhia Lagartijas tiradas al sol fala.

 

Enquanto trabalhava na fábrica, o ator e diretor ficou completamente isolado. Voltou com um material cênico que propõe uma discussão política sobre a sociedade mexicana. O espetáculo faz parte do projeto Democracia no México – 1965-2015, formado por 32 peças, uma para cada estado do país.

 

Tijuana foi escolhida porque tem uma economia muito diferente do resto do país. “É a primeira cidade da fronteira a Oeste e isso faz com que a economia de lá esteja atrelada à economia estadunidense, ao contrário do que acontece em outras zonas do país. Tanto que em alguns lugares de Tijuana você pode escolher pagar em dólar ou em peso”, explica Gabino. “Há um fenômeno terrível de desigualdade nessa fronteira. Na época da pesquisa, o salário mínimo no México equivalia a US$ 3,50 ao dia. Nos EUA, era US$ 8, a hora”.

 

Cena do espetáculo mexicano 'Tijuana'(foto: Objeto Sim/Divulgação)
Cena do espetáculo mexicano 'Tijuana' (foto: Objeto Sim/Divulgação)
 

 

Gabino explica que a questão do trabalho discutida em cena tem também reflexos em outros países da América Latina, já que o continente compartilha alguns problemas sociais. “A história política, devido à colonização, é muito parecida”, diz o diretor. Para ele, o espetáculo não é exatamente uma crítica, mas uma maneira de compreender o processo democrático do México. Assim como no resto da América Latina, há situações no país que ameaçam o regime democrático, mas é a economia o que mais interessa em Tijuana. “Há práticas econômicas que passam pelo processo democrático. Então a discussão passa por isso”, lembra Gabino.

 

Educação em voga

 

Em Salve Malala!, da companhia paulistana La Leche, tudo gira em torno da educação. No palco, Yan e Sofia são estudantes secundaristas. Eles discutem sobre a situação das escolas no Brasil ao mesmo tempo que estão numa aldeia, reflexo de seus medos e sonhos, vê o direito de as meninas estudarem ameaçado por um líder autoritário. Malala, a adolescente paquistanesa premiada com o Nobel da Paz por resistir às proibições do talibã, não está presente, mas sua história é evocada a cada momento.

 

Salve Malala! estreou em 2016 e, desde então, percorre escolas públicas, unidades do Sesc e festivais de teatro. “A ideia era pesquisar a voz de uma menina, no caso de fato pensando na voz de uma mulher, como ativista dos direitos da educação. Naquele momento, tanto a Malala quanto as ocupações das escolas públicas no Brasil estavam sendo discutidas ou estavam muito na mídia”, lembra Cris Lozano, diretora do espetáculo. “E estava acontecendo o movimento dos estudantes secundaristas no Brasil. Partimos da biografia da Malala, escolhemos alguns momentos importantes em relação ao direito à educação das meninas no Paquistão e estabelecemos uma relação com o direito à educação dos estudantes de escolas públicas.”

 

A cada montagem, a diretora introduz cenas para comentar fatos recentes da atualidade brasileira. No caso da apresentação de Brasília, a política é inevitável. “Brasília é um prato cheio. A gente cita bastante esse governo ilegítimo, fala bastante do golpe, brinca um pouco com isso, mas numa linguagem infantil”, avisa a diretora.

 

 

 

Salve Malala!

Companhia La Leche. Direção: Cris Lozano. Com Alessandro Hernandez e Lélia Rapozo. Hoje e amanhã, às 17h, no Teatro Plínio Marcos (Funarte). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Classificação livre.

 

 

 

Tijuana

Lagartijas tiradas al sol. Direção e atuação: Gabino Rodríguez. Hoje e amanhã, às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Ingressos: R$ 20 e R$ 10. Não recomendado para menores de 15 anos. 

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