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Correio Braziliense

Cenário musical se renova pelos novos lançamentos de bandas

Música brasiliense ganha fôlego, pela renovação de artistas. Conheça os trabalhos dos grupos Esquina, YPU e Cabra Guaraná


postado em 04/09/2018 06:33 / atualizado em 04/09/2018 09:43

Há alguns anos, a capital voltou a viver momentos de efervescência da cena musical. Novas bandas, artistas e projetos apareceram e ganharam espaço no cenário. O Diversão & Arte selecionou três grupos que vêm se destacando. Conheça a seguir o trabalho das bandas Esquina, YPU e Cabra Guaraná.

A banda local Esquina(foto: Manuela Alves / Divulgação)
A banda local Esquina (foto: Manuela Alves / Divulgação)

Esquina
Composto pelos irmãos Bood (vocal e teclado) e Moriah Rickli (bateria e vocal), o duo foi formado oficialmente há um ano, mas era um projeto que já fazia parte do dia a dia dos músicos há mais tempo. “Como somos nascidos de uma família de músicos, a vontade de tocar sempre foi uma rotina. O início da banda, de fato, se deu por conta das composições que começaram a surgir de forma despretensiosa. Aos poucos, fomos vendo que tínhamos algo a falar, e que a música era a linguagem que melhor sabíamos usar. Depois de muitas tentativas, formações, ensaios e planos, o Esquina surgiu da forma que existe hoje”, explica Rickli.

Em maio deste ano, o Esquina lançou o primeiro EP da carreira, o álbum De dentro pra sempre. O disco tem canções que haviam sido compostas pelos irmãos há alguns anos e mostra a sonoridade que eles buscavam, um rap brasileiro com batidas mais orgânicas e influenciado por ritmos como jazz e neosoul. “A principal intenção desse lançamento foi soltar aquilo que tava guardado na mochila para poder andar pra frente”, revela Moriah Rickli.

Há duas semanas, os irmãos anunciaram o segundo EP, intitulado Cês não tão entendendo nada, que já teve um dos singles lançado, a faixa Modo avião. O nome da canção também deu origem a um projeto de websérie no YouTube, em que Moriah e Bood compartilham o processo de composição das novas faixas que foram feitas durante uma viagem à Europa. “Cada música veio de um sentimento diferente: tristeza, saudade, alegria; enfim, a gente quis mostrar ao nosso público o contexto no qual cada uma dessas músicas foi criada pra levá-los a viver aquilo que a letra diz, e não só ouvir”, completa o vocalista e baterista. Terça-feira (4/9), a partir das 21h, o duo lança mais uma canção do projeto em seu canal no YouTube (/esquinarap).
 
 
 
Entrevista / Esquina

O rap é um estilo que tem um espaço importante no cenário musical do DF. Como tem sido para vocês a introdução nesse cenário já que tem influências de outros estilos também? O que os atraiu no rap?

Bood: A gente ainda tá tateando por qual porta entrar. Vou tomar como exemplo a banda Ataque Beliz, que tinha um som parecido com o nosso e veio bem antes da gente. Se você for conversar com a galera do rap, pouca gente acompanhava e conhecia de fato essa banda, e foi uma das melhores bandas que Brasília já teve. Então eu sinto que o público do rap ainda tá assimilando essas formas diferentes de se fazer rap. Por outro lado, públicos de outros estilos encontram no nosso som algo especial. A gente ouve muito comentário do tipo "ah, esse tipo de rap eu gosto!". Eu fico meio incomodado, porque pra mim as outras vertentes do rap merecem respeito e são tão musicais quanto a nossa, mas por outro lado fico feliz de ver que a pessoa ouve algo novo, algo diferente no nosso som. O que mais me atrai na música rap é o canto falado, isso prende muito o ouvinte. Parece um diálogo, uma conversa muito direta, um tipo de conselho, que acaba prendendo muito a atenção de quem escuta, e atenção nos dias de hoje é algo muito valioso.

Quais são as principais influências e inspirações do Esquina?

Bood: Dentro do rap, quem mais inspirou a gente foram artistas Kamau, Emicida, Criolo, Rashid, Rael, Ogi, Don L, Marechal. A gente cresceu tocando música brasileira e jazz no geral, então vira e mexe você vai encontrar no nosso som algum elemento que remeta a algum ritmo brasileiro, algum tipo de acorde que remeta ao jazz... Um artista que influenciou muito nossas harmonias nos últimos lançamentos é o Jordan Rakei, um cantor e pianista inglês que faz um som num estilo neosoul, que se aproxima muito do que a gente faz. Isso até então, porque todo dia a gente busca conhecer músicas novas, novas formas de compor, então influências e inspirações estão sempre mudando e se renovando.

Quais são os projetos atuais e futuros da banda?

Moriah Rickli: Apesar de já termos muito tempo de projeto (a ideia da banda praticamente nasceu com a gente), temos apenas um ano de Esquina. A proposta a partir de agora é tocar, tocar e tocar. Queremos estar no palco, levar nossas ideias pra todos os tipos de pessoa. Queremos mostrar que o rap pode falar de qualquer coisa, em qualquer formato, pra qualquer classe social, em qualquer situação. Esse início é difícil, mas a gente tá trabalhando muito pra tornar tudo isso real.  

(foto: Gabriel Pinheiro/Divulgação)
(foto: Gabriel Pinheiro/Divulgação)

YPU 
Com experiência em diferentes projetos musicais de Brasília, como Joe Silhueta, Almirante Shiva e Aiure, os músicos Ayla Gresta e Gustavo Halfeld decidiram unir as trajetórias no duo YPU. A dupla surgiu após os artistas terem sido convidados para o filme Ainda temos a imensidão da noite, do cineasta brasiliense Gustavo Galvão com produção do norte-americano Lee Ranaldo, membro fundador da banda Sonic Youth. No longa-metragem, eles interpretam os integrantes de um grupo fictício, Animal Interior.

“O YPU deriva da banda Animal Interior, que tivemos que montar em três ou quatro meses para o filme. Atuamos e rodamos cenas do filme ao vivo”, explica Gustavo. “É um filme que trata bastante dessa questão das bandas de Brasília, de como é o ‘rolê’ de ter uma banda e ser músico na cidade. Foi filmado aqui e em Berlim, quando partimos para a Europa começamos a compor as músicas (que deram origem à YPU)”, completa Ayla.

Da banda do filme, a dupla trouxe a instrumentação com ruído. Da trajetória musical dos artistas, veio a experimentação. Assim, eles criaram o conceito de “música visual” do YPU. “O projeto tem esse lance de canção forte, a bagagem do jazz e também algo que está muito presente é o lance cinematográfico de performance, que é outra área que Ayla já vinha desenvolvendo”, revela Gustavo.

Em junho deste ano, a dupla lançou o primeiro EP, que é formado por três faixas (Nightflight, Ilmesmühle e Song to let go) e revela uma instrumentação com guitarras, trompete e detalhes eletrônicos com influência de noise e dream pop. O disco foi lançado pelo selo Quadrado Mágico e foi gravado durante a passagem pela Europa e pela Ásia entre novembro do ano passado e abril de 2018. “Depois do filme, ficamos soltos e com uma mochila, um microfone e um computador, por onde passamos, a gente gravou. Foi meio que um retrato dessa vivência”, conta Gustavo.

 

Após o lançamento do EP, a banda foi convidada para o festival Vaca Amarela, que será realizado em 7 de Setembro em Goiânia, onde se apresentam ao lado de nomes como Letrux, Rubel e Lupa. O duo também já tem datas em novembro na Cervejaria Criolina e estão confirmados na edição de dezembro do PicniK. Além disso, também farão parte de um EP em parceria com outros artistas de Brasília produzido pela casacájá.
 
Representante da Cabra Guaraná: funk diferentão(foto: Taísa Schmidt Teichmann Krieger/Divulgação)
Representante da Cabra Guaraná: funk diferentão (foto: Taísa Schmidt Teichmann Krieger/Divulgação)
 
 
Cabra Guaraná
Em junho do ano passado, o músico Tynkato viu a banda da qual fazia parte, Lista de Lily, terminar. Assim que o grupo acabou, ele decidiu se juntar com o amigo, o também músico Maurício Barcelos, da MDGNHT MDNGHT, e criar um projeto eletrônico que ganhou o nome de Cabra Guaraná. “No começo, a pegada não era muito o funk. Queríamos fazer um esquema mais Gorillaz, mas eu sempre fui meio funkeiro e nessa época estava pesquisando muito sobre funk e começaram a sair as músicas de funk”, explica Tynkato.

“Quando começamos a fazer show, a gente já tocava as músicas mais funks e tinha uma repercussão bem maior, porque fazemos esse funk meio diferentão”, classifica Tynkato. Estilo esse que está no primeiro EP do duo, Pochete&Juliet divulgado em maio nas plataformas digitais e lançado pelo selo Cena Cerrado, de Uberlândia (MG). Com 16 músicas, o material começa com um manifesto de Mr. Catra contra a criminalização do funk e tem canções que bebem da fonte de outros estilos musicais também, com o hip-hop, o rap e reggaeton, sempre com letras bem-humoradas.

Ao se assumir como uma banda funkeira formada por roqueiros, a Cabra Guaraná conquista um espaço interessante na cena brasiliense. “Estamos tentando trazer essa cena de funk, não só de funk, mas uma coisa de Brasília mesmo. A gente tem que ter esse orgulho. Sou de Taguatinga, escrevi todas as letras das músicas e achei que a gente precisava falar mais da nossa cidade mesmo, levantar a bandeira”, conta e cita a música Asa Norte koreana.

Atualmente, o projeto tem sido tocado apenas por Tynkato, que tem feito shows em Brasília e também em locais como Goiânia, Uberlândia, São Paulo e Uberaba. “O Maurício deu uma parada. Então, estou levando sozinho. Temos dois formatos: um formato que sou só eu sampleando e outro com dançarino”, explica.
 
 
 

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