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Correio Braziliense

Confira em que estado se encontram museus administrados pelo GDF

O Museu Vivo da Memória Candanga está entre os espaços que mais precisam de atenção: a estrutura necessita de restauro


postado em 04/09/2018 06:15

Museu Vivo da Memoria Candanga(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Museu Vivo da Memoria Candanga (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
Dos seis museus do Distrito Federal vinculados ao GDF, pelo menos um precisa de reforma imediata. Antigo Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira, o primeiro construído no DF (na então Cidade Livre), o Museu Vivo da Memória Candanga passou por um reparo no ano passado para evitar um desabamento, mas ainda é necessário investimento na manutenção do local.

Formado por um conjunto de 12 barracões de madeira, chegou a ser reformado há alguns anos, embora agora sofra com problemas estruturais. No ano passado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) investiu R$ 200 mil na troca de uma viga em um dos galpões. “Fizemos um mapeamento com o pessoal do Iphan para ver o que tinha risco imediato e fizemos as escoras. Foram reparos importantes e agora o galpão não oferece perigo. A coisa de ‘vai cair amanhã’, a gente conseguiu afastar. Mas tem muita coisa pra fazer”, avisa Gustavo Pacheco, subsecretário do patrimônio cultural da Secretaria de Cultura, procurado pela reportagem após o incêndio de domingo, no Museu Nacional, no Rio . “Agora a gente precisa de manutenção preventiva.”
 
 
Museu Histórico e Artístico de Planaltina(foto: Monique Renne/CB/D.A Press)
Museu Histórico e Artístico de Planaltina (foto: Monique Renne/CB/D.A Press)
 
Pacheco aponta também como dramática da situação do Conjunto Fazendinha, na Vila Planalto. Segundo ele, das cinco casas remanescentes do alojamento da Pacheco Fernandes, duas estão em péssimo estado de conservação e uma foi interditada pela Defesa Civil. “O problema é que tem que ter participação da sociedade. A sociedade tem que fazer escolhas, onde quer de fato botar seus recursos humanos e financeiros? Há milhões de estudos comprovando que, onde tem equipamentos culturais, a violência cai”, diz Pacheco.
 
Para evitar chegar em estados avançados de problemas estruturais, é necessária uma manutenção preventiva e constante nem sempre fácil de viabilizar em uma estrutura na qual não há orçamento fixo para os equipamentos culturais e depende-se de emendas parlamentares e de uma legislação que dificulta a rapidez e a agilidade. Entre 2015 e este ano, R$ 33.757.226 foram investidos em equipamentos culturais do DF. O dinheiro ajudou a preservar 20 espaços da cidade e veio do orçamento da própria Secretaria de Cultura, que foi reduzido de R$ 217.621.482, em 2017, para R$ 168.870.546, em 2018.
 
Memorial dos Povos Indígenas(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Memorial dos Povos Indígenas (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
 
Continuidade
 
“Tenho uma luta interna com os órgãos de planejamento e a Câmara Legislativa para iniciar uma mudança de cabeça. São muitos equipamentos culturais no DF para não ter um orçamento mínimo de manutenção”, explicou o secretário de Cultura, Guilherme Reis, em entrevista coletiva realizada na tarde de ontem. “A gente tem carências gigantescas. Minha agonia hoje é que ninguém garante que as políticas tenham continuidade.”

Durante a entrevista, Reis também explicou que vistorias são feitas diariamente nos museus da cidade. Na manhã de ontem, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou que montaria uma equipe de bombeiros para realizar vistorias em todos os museus do DF. “Entendo a preocupação dele, que é a de qualquer governante hoje no Brasil, que acordou mandando os bombeiros pra rua, mas a gente já está fazendo isso muito próximo aos bombeiros”, diz Reis. Segundo o secretário, o diálogo com o Corpo de Bombeiros é constante no sentido de pensar e estudar soluções adequadas para cada equipamento.

De todos as instituições museológicas do GDF, o Museu Nacional da República é o maior e o mais bem preservado. Com um acervo de 1.200 obras adquiridas por doação e outras 1.350 pertencentes ao Museu de Arte de Brasília (MAB), o museu é o 10º do país em número de visitantes e foi inaugurado há 11 anos.
 
Museu Nacional da República(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Museu Nacional da República (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

 
Preocupação

Em 2017, ele recebeu um investimento de R$ 1,6 milhão para climatização da reserva técnica, que guarda obras de nomes como Tomie Ohtake, Tarsila do Amaral, Arcângelo Ianelli, Beatriz Milhazes, Nuno Ramos e Iberê Camargo. “Essa gestão me atendeu melhor que as anteriores em termos de políticas estruturantes que se preocupam com o advento e não com o evento”, garante Wagner Barja, diretor do Museu Nacional da República. “Antes, há uns seis anos, era um pouco complicado. Hoje, eu durmo muito mais tranquilo porque o sistema de climatização foi recuperado e o de segurança permite que os seguranças fiquem 24 horas vigiando o museu”, complementa.

No entanto, apenas o Museu Nacional da República tem um plano museológico em funcionamento. O documento é essencial para delimitar a atuação dos museus, definir seus planos e estratégias. “O Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) recomendou o plano e hoje estamos elaborando o primeiro plano museológico do Memorial dos Povos Indígenas”, avisa Gustavo Pacheco que, até o ano passado, não contava com museólogos na equipe da secretaria de Cultura.
 
Museu Catetinho(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Museu Catetinho (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
 
 
» O que ver nos museus de Brasília
 
Acervo Caixa
A Caixa conta com um acervo de 2 mil obras entre gravuras, pinturas, esculturas e tapeçaria. Na coleção, há um recorte modernista importante com obras de Djanira, Glênio Bianchetti (foto), Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti. Parte desse conjunto pode ser visto permanentemente na Galeria Acervo da Caixa Cultural.

Acervo Banco Central
Cândido Portinari é a estrela da coleção do Banco Central. São 15 trabalhos do mestre em uma coleção com 2.400 obras. No prédio localizado no centro de Brasília, é possível ter contato com obras como o Painel do Descobrimento do Brasil, criado em 1955, e os 12 painéis em óleo sobre tela de uma série sobre a cultura brasileira, com pinturas como Samba, Baianas e Bumba-meu-boi.

Museu Nacional da República
O museu reúne dois acervos: um próprio, adquirido ao longo dos últimos 11 anos, e outro do MAB, que foi transferido para o prédio no centro de Brasília, quando o museu fechou as portas, em 2007. No momento, parte dessa coleção está na exposição Possíveis Geometrias — A operação desmanche, sobre arte geométrica. A coleção abriga exemplares de praticamente todos os movimentos artísticos do século 20 no Brasil.

Museu Banco do Brasil
Inaugurado em 2016, o museu reúne obras de Tomie Ohtake, Athos Bulcão, Djanira, Rubem Valentim (foto) e Burle Marx, entre outros. Além disso, há itens que contam a história do Banco do Brasil e da economia no país.

» Um esqueleto cultural

O Museu de Arte de Brasília (MAB) é o caso mais grave de descaso com o patrimônio artístico de Brasília. Criado em 1985 pela Secretaria de Cultura com um acervo reunido desde os anos 1960, ocupava o anexo do Hotel Brasília Palace, um prédio que, outrora, serviu de casa de baile e restaurante. Nunca teve instalações adequadas para um museu e, em 1996, veio a primeira tentativa de reformar o local.

As obras, superficiais, não resolveram problemas como uma reserva técnica perigosa, com risco de alagamento e curto-circuitos. Entre 1999 e 2000, o museu foi fechado pela primeira vez depois de uma denúncia no Ministério Público. A solução do governo local foi emprestar o prédio à Casa Cor, que prometeu reformas, mas que o entregou apenas com reparos superficiais e não estruturais, como era necessário.

Mesmo assim, o MAB foi reaberto em 2001, sem atender às exigências do Ministério Público. Seis anos depois, foi fechado novamente por falta de condições técnicas de abrigar o acerto. Hoje, depois de idas e vindas com um projeto básico que precisou ser refeito, o museu começa a ser reformado, mas não há previsão de entrega.
 

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