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Correio Braziliense

Leia a repercussão de artistas e autoridades do DF sobre os museus locais

'Os museus todos carecem de manutenção e verbas regulares. São mantidos pela força e dedicação dos funcionários e o aporte é muito pequeno', diz o artista plástico Ralph Gehre


postado em 04/09/2018 06:28

O Panteão da Pátria está na lista de museus e memoriais que serão fiscalizados em breve pelos bombeiros no DF(foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press)
O Panteão da Pátria está na lista de museus e memoriais que serão fiscalizados em breve pelos bombeiros no DF (foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press)
 
 
Dos 456 museus brasileiros, 79 ficam no Distrito Federal, sendo 55 públicos, segundo dados da plataforma Museus BR, parte do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A Secretaria de Cultura (Secult) é responsável pela administração de seis deles: Museu Nacional da República, Catetinho, Museu Vivo da Memória Candanga, Memorial dos Povos Indígenas, Museu da Cidade e Museu de Arte de Brasília, único fechado para visitação, pois está em obras.

As reformas em patrimônios culturais de Brasília, aliás, incluem também o Teatro Nacional, os complexos culturais de Planaltina e Samambaia, a Concha Acústica, a pira do Panteão da Pátria e o Centro Cultural Renato Russo, que já foi finalizado. O Museu Nacional da República e a Biblioteca Pública de Brasília (312 Sul) também passaram por revitalização.

Para quem conhece bem os museus, no entanto, os locais ainda precisam de muito investimento para ganhar elogios. O artista plástico Ralph Gehre já expôs obras diversas vezes na capital, mas acredita que os governos não expressam prioridade no cuidado com os espaços culturais. “Os museus todos carecem de manutenção e verbas regulares. São mantidos pela força e dedicação dos funcionários e o aporte é muito pequeno. O estado deles é muito delicado”, lamenta.
 
Para Ralph, a tragédia que abateu o Museu Nacional no Rio de Janeiro é o reflexo dos baixos investimentos. “É um museu que precisava de reformas urgentes e não recebia o mínimo que precisava por ano para se manter. Qual é o próximo museu que vamos perder? Sabemos que isso vai acontecer. O que a gente não cuida, acaba”, reclama o artista.

Vontade Política

Com um currículo extenso, que inclui a museologia e a antropologia, a ex-subsecretária de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, Ione Carvalho afirmou que falta vontade política para cuidar dos espaços culturais da capital. “A subsecretaria nunca ganhou um tostão para higienizar o acervo. Mesmo sem dinheiro, você usa seu poder para conseguir fazer alguma coisa”, criticou.

Segundo ela, não existe interesse do governo. “Você se sente presa, porque as pessoas não dão a mínima importância para o patrimônio. Acho lamentável que o Brasil não se dê conta de que um museu bem-feito é como uma grande escola. Um museu pode lhe dar muito mais conhecimento”, avaliou Ione.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a responsabilidade pela manutenção e gestão dos museus, ainda que tombados, é dos proprietários. Em nota, o Iphan explicou que é feito um acompanhamento dos bens seguindo um plano de fiscalização, com acompanhamento a obras específicas de manutenção, mas não especificou como isso tem sido feito ssnos museus do DF.

Já o Ibram afirmou que os museus com vinculação federal podem ser ligados a diversos órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e que, portanto, não cabe à pasta informações sobre orçamento, recursos e outros dados relativos à administração dos demais museus. O órgão disse ainda, por nota, que não faz a fiscalização dos espaços, apenas define diretrizes e parâmetros de manutenção e conservação.

Fiscalização

O Corpo de Bombeiros (CBMDF) é um dos órgãos responsáveis pela fiscalização. O Tenente Coronel André Noble Cordeiro disse que os próximos a serem vistoriados serão o Catetinho, Museu Vivo da Memória Candanga, Memorial dos Povos Indígenas, Panteão da Pátria, Museu Histórico e Artístico de Planaltina e Memorial JK.

O oficial ressaltou também que nenhum dos locais já vistoriados precisará ser interditado. “Claro que pendências pontuais serão exigidas dentro de cada processo de vistoria. Entretanto, nenhuma exigência que determine a interdição da edificação foi encontrada nas vistorias da corporação”, esclareceu.
 
Ontem, o governador Rodrigo Rollemberg lamentou em nota o incêndio no Rio, que chamou de catástrofe sem precedentes na vida de um povo e de um país. “Episódios como esse atingem diretamente a história, a alma, o patrimônio de uma nação”, dizia o texto.

79
Número de museus no DF

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