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Correio Braziliense

Cresce a disponibilidade de audiolivros no mercado brasileiro

A chegada da Google Play ajuda a movimentar o mercado instalado desde 2014


postado em 08/09/2018 07:30

O mercado do audiolivro é um dos que mais cresce na cena editorial norte-americana. Por lá, os faturamentos chegam a aumentar duas casas decimais ao ano. Em 2011, o mercado americano produziu 36 milhões de títulos, número que praticamente dobrou em 2016, com 89 milhões de unidades. De acordo com a Association of American Publisher, o setor cresceu 20% a mais em relação ao resto da indústria editorial durante os primeiros oito meses de 2017. É uma área ainda incipiente no Brasil, mas na qual as editoras já estão de olho. Segundo o site Statista, que acompanha a indústria do livro nos Estados Unidos, o mercado de audiolivros faturou US$ 2 bilhões em 2016.
 
Google Play disponibiliza venda avulsa de audiolivros(foto: Reprodução/Internet)
Google Play disponibiliza venda avulsa de audiolivros (foto: Reprodução/Internet)
 
 
No fim de agosto, a Companhia das Letras fechou parceria com a Google Play para colocar os livros do catálogo no player da gigante americana. A Record também trabalha em um projeto de lançamento de audiolivros, mas ainda não revela o que é nem como será. Rocco e Global também entraram para o mercado com a disponibilização de alguns títulos e, há quatro anos, os sites Ubook e Tocalivros oferecem uma assinatura com a qual se pode ter acesso ilimitado a todos os títulos do catálogo on-line.

Para testar o serviço, a Companhia das Letras colocou no ar primeiro o podcast Rádio Companhia. “Nos últimos anos, a gente também tem visto um crescimento muito grande do audiobook principalmente nos Estados Unidos, o audiobook se tornando comercialmente muito grande, com crescimento de mais de 100% de um ano para o outro, então este ano pareceu uma boa entrar nesse mercado”, explica Marina Pastore, gerente de projetos digitais da editora. Segundo ela, foi preciso esperar a chegada de um grande player para lançar as vendas individuais, mas uma parte do catálogo já está disponível nos serviços brasileiros de streaming.

A Google Play é a primeira estrangeira a entrar no mercado brasileiro de audiolivros com vendas por unidade e online, embora no Audible, da Amazon, seja possível encontrar alguns títulos. Disponíveis para Android, iOs e web, os audiolivros do Google Play, lançado em julho último, ultrapassam o número de 2.500, contra pouco mais de 400, boa parte de clássicos, da Audible, que negocia a entrada no Brasil desde o  ano passado.

Quando os ebooks chegaram ao mercado, no início do século 21, a indústria apostou que substituiria o livro impresso. No Brasil, as vendas não ultrapassaram os 7%. Com os livros gravados, as editoras apostam em outro cenário. “Ele tem uma vantagem que é de poder chegar a um público não leitor, que não tem o hábito da leitura”, acredita Marina Pastore. “No Brasil, a população de leitores é pequena em relação à população em geral, mas com o áudio a gente acha que existe a oportunidade de chegar a um novo público.”

Indústria

Cristina Albuquerque, gerente de conteúdo nacional do Ubook, lembra que o livro digital enfrentou dificuldades técnicas desde o início, o que ajudou a deixá-lo estagnado. “O ebook chegou no formato CD quando o CD via uma curva de queda. Existia o download, mas levava duas horas pra baixar e mais duas para carregar para o iPod ou MP3. Ao audiolivro é um mercado sem volta e o que impulsionou foram os smartfones”, acredita Cristina. No Ubook, por R$ 29,90 ao mês, o leitor tem acesso ilimitado a um catálogo de 15 mil títulos. Segundo os administradores do site, são mais de 6 milhões de assinantes. No Tocalivros, o mesmo serviço custa R$ 19,90, mas os leitores também podem realizar compras avulsas. No total, são mais de 500 mil assinantes e os títulos variam entre R$ 2,99 e R$ 79 para um catálogo com mais de mil livros.

Criados em 2014, os dois sites também entraram na parceria com o Google Play, que não produz os audiolivros, apenas os disponibiliza online. “A gente vê a chegada dos players de forma muito positiva porque só demonstra o potencial que o mercado tem”, explica Cristina Albuquerque. Segundo ela, a dificuldade da indústria do audiolivro é a produção. Cara, ela precisa de mão de obra especializada, o que ainda é raro no Brasil.

Investimento

O custo de produção é limitante. Mariana Mello e Souza, coordenadora de livros digitais da Rocco, lembra que isso ajuda a escolher os títulos que serão gravados. “Como a produção é demorada e o investimento é alto, sempre levamos em consideração quais títulos e assuntos estão sendo mais procurados pelos ouvintes para podermos priorizar nossa linha de produção”, explica. Fora os cuidados técnicos de qualidade de som e narração, ausência de ruídos e edição, é preciso também escolher os narradores adequados. O pequeno catálogo de audiolivros da Rocco também está disponível no Ubook, no Tocalivros e no Google Play.

Sobre a aposta no crescimento do mercado de audiolivros em um país com média baixa de leitura, Marina Pastore acredita na praticidade do produto. “A Retratos da Leitura no Brasil traz uma informação sobre o porquê de as pessoas não lerem. O principal motivo é a falta de tempo e o audiolivro pode suprir essa lacuna: você pode escutar enquanto está fazendo outra”, diz. Para celebrar a parceria com a Google Play, a Companhia lançou o audiolivro 21 lições para o século 21, de Yuval Noah Harari, que chega junto com o lançamento do livro físico e digital. O livro dos ressignificados, gravado pelo próprio autor, akapoeta, também está disponível.

Livros de autoajuda e bestsellers formam maioria entre os títulos disponibilizados nas plataformas, sejam elas de streaming ou de venda avulsa. Em todas, no entanto, há uma seção de clássicos que inclui de Dom Quixote (Cervantes) a Dom Casmurro (Machado de Assis), incluindo títulos como O grande Gatsby (Scott Fitzgerald), Um teto todo seu (Virgínia Woolf) e Macunaíma (Mário de Andrade).
 
 

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