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Correio Braziliense

Nicolas Behr lança livro com poemas traduzidos para o inglês

Poeta quer tornar seus versos mais acessíveis e aposta em traduções


postado em 13/09/2018 07:19 / atualizado em 13/09/2018 07:19

Behr escolheu os poemas mais conhecidos e com menos %u201Cpolêmicas tradutórias%u201D (foto: Celso Junior/Divulgação)
Behr escolheu os poemas mais conhecidos e com menos %u201Cpolêmicas tradutórias%u201D (foto: Celso Junior/Divulgação)

 

agir: reuniu alguns de seus poemas mais conhecidos e providenciou traduções para francês, espanhol e inglês. Hoje, ele lança It will never rain again, edição com 215 poesias traduzidas por Michael Hill e patrocinada pela Casa Thomas Jefferson. “Agora vai”, brinca o poeta, que também pretende mandar o livro para festivais literários no exterior e bibliotecas de língua inglesa ao redor do mundo.

A ideia da tradução surgiu de uma conversa com Steven Butterman, pesquisador e professor de língua portuguesa no College of Arts and Sciences de Miami (EUA). Amigo de Behr e, estudioso da obra do poeta brasiliense, o professor indicou Michael Hill, outro pesquisador, para realizar a tradução. “Achei bom não ser poeta porque poderia tentar recriar a poesia e ela não precisa ser recriada”, confessa Behr. “Eu gosto quando dizem que minha poesia não tem poesia. Acompanhei a tradução, sempre buscando que não fosse floreada. Quando me perguntam o que eu quero dizer com minha poesia, digo sempre: o que está escrito. E o Michael foi muito fiel nessa coisa dura e direta que tem na minha poesia.”

Behr explica que  gosta de forçar a acessibilidade aos versos. Quer ser lido e compreendido, seja em que língua for. E quer ser simples, o que, segundo ele, não é fácil. Essas características precisavam ser mantidas na tradução, e  o poeta orientou o colega a buscar vocabulário simples e direto. “O simples é complexo”, garante. “Chequei muita coisa para ver se não tinha uma palavra mais simples. O hermético ia ficar tosco.”

A seleção também foi baseada na simplicidade. Entraram os poemas mais conhecidos, mas também aqueles mais fáceis de traduzir, uma estratégia para que não fossem necessárias notas de rodapé para explicar os jogos de palavras. “Escolhemos os que não tinham muita polêmica tradutória. E não traduzimos palavras como candangos, pilotis,  eixão e superquadra”, avisa. No início, um glossário explica palavras, expressões e citações mantidas em português, como cerratense, plano piloto, pilotis, ipê, JK ou Adélia Prado. A introdução ficou a cargo do poeta indiano Abhay K., diplomata e residente em Brasília, mas é uma com uma frase de Robert Frost que Behr  gosta de explicar o resultado: “Poesia é tudo que se perde na tradução”. Como ser lido é um dos objetivos de Nicolas Behr, ele decidiu disponibilzar as traduções on-line. It will never rain again vai se juntar aos 17 títulos prontos para serem baixados no site www.nicolasbehr.com.br.



it will never rain again
De Nicolas Behr. Tradução: Michael Hill. Khandangus Books, 160 páginas. R$ 35. Lançamento hoje, às 17h, na Casa Thomas Jefferson (706/906 Sul, Bloco B)



Poesia

Voices of the cerrado

De Nicolas Behr


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