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Correio Braziliense

Exposição de Mila Petrillo reúne 196 fotos sobre o Festival de Brasília

As imagens ocupam o hall do Cine Brasília durante a 51ª edição do festival de cinema


postado em 15/09/2018 07:04 / atualizado em 15/09/2018 14:27

Ver galeria . 5 Fotos Zé do Caixão e Lúcia Rocha, mãe de Glauber Mila Petrillo/Divulgação
Zé do Caixão e Lúcia Rocha, mãe de Glauber (foto: Mila Petrillo/Divulgação )
O compositor Jards Macalé posa com uma coleção de óculos em escadinha acima do ator Grande Otelo, Zé do Caixão brinca de aterrorizar Dona Lúcia Rocha (mãe de Glauber Rocha), Fernanda Montenegro cruza as mãos em uma atitude de devoção, Elisa Lucinda comemora o candango recebido, a plateia se arrebata em vaias e aplausos. Esses são alguns flagrantes do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que Mila Petrillo capta com humor, dramaticidade e senso plástico nas 196 fotos da mostra Outras lentes, em cartaz no hall do Cine Brasília. É documento e arte ao mesmo tempo. A curadoria é de Sérgio Moriconi. 
 
A mostra faz parte de um projeto maior, financiado pelo FAC, que vai digitalizar 20 mil fotos de Mila relacionadas à cultura e às artes na cidade. A produção de artes cênicas será registrada em outra exposição e em um livro. Todas as fotos estarão disponíveis em site para utilização de pessoas e grupos: “Este material não diz respeito somente a mim”, comenta Mila. “É como se estivesse sob a minha responsabilidade. Registrei um período muito importante da cultura na cidade, de grande efervescência cultural. O mote principal do projeto é a digitalização do acervo de imagens para que ele seja preservado e utilizado”. 
 
Mila nasceu e cresceu com um laboratório de fotografia em casa. A mãe era publicitária; e o pai era cineasta e produtor. Cada foto é uma tomada cinematográfica, porque Mila explora a composição do quadro, o enquadramento e os jogos de luz e sombra. Ela produziu fotos magistrais do festival, algumas se tornaram clássicas. Com essas imagens de aplausos, de vaias, de concentração, de relaxamento, de debate, de cochicho, ela consegue captar toda a atmosfera do evento: “O meu desejo de ser fotógrafa começou quando vi Blow-up, de Antonioni. A minha maneira de olhar tem a ver com os grandes fotógrafos do cinema. Eu vi Yelow Submarine em três sessões seguidas no cinema”. 

Mila começou a fotografar para jornal, no Correio Braziliense, a partir de um convite de Reynaldo Jardim, editor do caderno de cultura: “É maravilhosa, está contratada”, sentenciou Reynaldo Jardim em uma irresponsabilidade genial. A intuição fulminante de Reynaldo funcionou mais uma vez. Mila dominava plenamente a técnica e fotografava como uma artista plástica. Ela sabia arrancar a luz da beleza das situações espetaculares e das banais. Nas décadas de 1980 e 1990, Mila registrou os principais eventos da cidade com um olhar de artista. 
 
O destino da pesquisa e da digitalização do acervo é o de constituir um site em que todos os envolvidos com as artes poderão dispor das imagens: “É material que ocupa um cômodo da casa, do chão ao teto”, comenta Mila. “Não tenho condições de climatizar o acervo. Com a digitalização, ele terá um destino democrático”. 
Passados mais de 40 anos do início da cobertura, Mila percebe que as décadas de 1980 e 1990 foram períodos muito ricos da cultura brasileira, com a redemocratização, a volta dos exilados, apesar da turbulência da era Collor na presidência da república: “Voltou o Chico Buarque, o Betinho, o Glauber. O Collor destruiu, mas houve uma retomada com a figura fantástica de Antonio Houaiss. E explodiu o rock dos anos 1980, com Renato Russo. Também surgiram nesta época o Basirah, o Endança, os irmãos Guimarães. E havia a atuação do Hugo Rodas. Era tudo muito vibrante na tragédia e na graça”. 
 
Quando era criança, os adultos perguntavam a Mila o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela sempre respondia: pintora, bailarina ou cineasta. Mas, na verdade, Mila é um pouco de tudo isso com uma câmara na mão. 

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Cine Brasília - Asa Sul (quadra 106/107). Em cartaz até 29 de setembro



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