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Correio Braziliense

Primeira noite de Mostra Competitiva do 51º Festival de Brasília emociona

Neste sábado, a mostra exibiu dois curtas e dois longas: 'Boca de loca', 'Kairo', 'Torre das donzelas' e 'Los silencios'


postado em 15/09/2018 23:15

Elenco do filme Torre das donzelas, no Cine Brasília(foto: Ronayre Nunes/CB/D.A Press)
Elenco do filme Torre das donzelas, no Cine Brasília (foto: Ronayre Nunes/CB/D.A Press)
Começou na noite deste sábado (15/9), a Mostra Competitiva do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com a exibição de curtas, Boca de loba, de Bárbara Cabeça, e Kairo, de Fábio Rodrigo, e de longas, Torre das donzelas, de Susanna Lira, e Los silencios, de Beatriz Seigner. 

Responsável por abrir a Mostra Competitiva dos curtas, a produção cearense Boca de loba abordou a violência e as opressões que um grupo de mulheres sofreu nas ruas de Fortaleza, no Ceará. 

Primeiro longa a ser exibido, o documentário Torre das donzelas comoveu o público com os relatos de mulheres que ficaram presas na ala feminina do presídio de Tiradentes, em São Paulo, durante a ditadura militar. Entre os depoimentos, está o da ex-presidente Dilma Rousseff, que revelou detalhes importantes do que ela e outras mulheres viveram, desde a rotina que era imposta no presídio, a tortura e ao medo.  

Em entrevista ao Correio, a diretora de Torre das donzelas, Suzanna Lira contou como foi o processo de produção do longa-metragem. 

"Foi um filme difícil de fazer, porque a todo momento ele mexia muito com quem estava envolvido, porque ele fala de dores, sofrimento, política, de um período duro que vivemos", revelou a diretora. 

A reação do público ao término de Torre das donzelas foi um dos pontos altos da noite, com uma salva de palmas que durou mais de dois minutos, enquanto fotos das mulheres que participaram do filme era exibidas na tela do Cine Brasília, na Asa Sul. 

Atriz Letícia Sabatella, uma das apresentadoras do Festival de Brasília(foto: Matheus Dantas/CB/D.A Press)
Atriz Letícia Sabatella, uma das apresentadoras do Festival de Brasília (foto: Matheus Dantas/CB/D.A Press)
Presente nesses dois primeiros dias de festival, a atriz Letícia Sabatella afirmou que ficou emocionada com os relatos, e destacou a importância dos filmes que tenham a representação das mulheres. 

"O filme conseguiu dar uma representação maior para as mulheres, e contrasta bastante com o que nós vivemos hoje, onde estamos buscando mais o nosso espaço, a nossa inclusão, e falar sobre o que essas mulheres sofreram no passado, ajuda bastante, pois promove uma reflexão. Confesso que fiquei muito emocionada, e tenho certeza que isso vai se repetir durante todos os outros dias com o público", contou a atriz. 

Outras exibições


Segundo curta exibido na noite de sábado, Kairo retratou a história de uma assistente social que foi buscar o filho (Kairo), de 9 anos, na escola, para contar uma difícil revelação. No entanto ao chegar na instituição, a mãe descobriu que o filho não estava mais lá, e havia sido levado pela polícia. 

Responsável por fechar a primeira noite da Mostra Competitiva de longas, o filme Los silencios, gravado na tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru, fala sobre a imigração de uma mulher que fugiu da Colômbia para tentar a vida em terras tupiniquins. 

Segundo a diretora do filme, Beatriz Seigner, a história foi inspirada a partir de um depoimento de uma amiga. 

"Estrear Los silencios aqui no Brasil, logo no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, é uma alegria gigantesca. A história do filme, surgiu após eu ter ouvido um relato de uma amiga minha, que fugiu da Colômbia para tentar a vida aqui. Depois que eu ouvi essa história, ela não saiu mais da minha cabeça, e eu fui atrás de mais pessoas que fizeram o mesmo, e o resultado do filme esta aí, ficou magnífico", comemorou a diretora. 

Premiado em 2012 no Festival de Brasília como melhor ator, Enrique Dias, um dos protagonistas de Los silencios, falou um pouco da mensagem do filme. 

"Essa foi a primeira vez que Los silencios foi exibido no Brasil, após passar por Cannes e ter tido uma resposta muito boa. O longa traz questões importantes. É um filme muito feminino, que fala sobre a necessidade da transformação do mundo, além de abordar de uma forma delicada um tema que no Brasil não é tratado com tanta importância, e que deveria ser, que a discussão das guerrilhas", explicou o ator. 

Enrique Dias também destacou a relevância dos debates que o Festival de Brasília promove. "Eu estou muito feliz de estar participando mais uma vez do Festival de Brasília, já tive a honra de ser premiado aqui em 2012 como ator, e acho que um dos pontos que esse evento tem de mais importante é a proposta de você poder discutir assuntos como política, cidadania, cultura e cinema, principalmente neste ano, que o cinema nacional passa por um momento especial", analisou.

Colaboraram Ronayre Nunes e Robson G. Rodrigues*

*Estagiários sob supervisão de Adriana Izel

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