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Correio Braziliense

Terceiro dia do Festival de Brasília é marcado por encontro de gerações

Homenagem ao veterano Sylvio Back divide as atenções com mostra universitária e curta sobre problemas na UERJ


postado em 16/09/2018 23:02 / atualizado em 16/09/2018 23:14

Curta Sempre verei cores no seu cinza foi bastante aplaudido por um politizado Cine Brasília(foto: George Maragaia/Divulgação.)
Curta Sempre verei cores no seu cinza foi bastante aplaudido por um politizado Cine Brasília (foto: George Maragaia/Divulgação.)
Este domingo foi de emoções no Cine Brasília. O terceiro dia do 51° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e segundo da mostra competitiva de curtas e longas, teve três grandes marcos: a segunda edição do Festival Universitário do Brasil (Festiuni), uma homenagem ao cineasta Sylvio Back e uma salva de palmas ao curta-metragem Sempre verei cores no seu cinza, exibido na mostra competitiva. 

O Festival Universitário de Cinema de Brasília encerrou levou às telas do Cine Brasília produções maduras realizadas por jovens universitários de todo Brasil. Para Glênis Cardoso, membro da curadoria da mostra, “é uma forma de fazer com que outras pessoas vejam o que os jovens estão fazendo. Essa leva de produções estudantis são muito importantes para um festival de cinema brasileiro que é o mais tradicional do país. É um compromisso em mostrar o que vem por aí”.

Aos 81 anos, Sylvio Back é mestre para esses universitários, Tanto que recebeu do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro uma homenagem na qual foi reprisado o longa Lance maior, em cópia 35 mm restaurada. O título foi projetado pela primeira vez no Festival de Brasília de 1968, reprisado em 2007, como longa homenageado no dia do encerramento dos 40 anos do Festival, e projetado mais uma vez, 50 anos após a primeira exibição. 

Nitidamente emocionado, o diretor Sylvio Back, contou ao Correio que "em 1968, quando apresentei pela primeira vez neste palco tão emblemático, eu jamais imaginária que 50 anos depois, eu voltaria a estar aqui novamente. Foi muito emocionante também porque estou vivendo uma coisa inédita em minha vida, que é o fato de existir uma geração de diretores tão longeva, com uns 20 a 30 diretores, com mais de 70 anos que continuam na ativa". 

Mostra competitiva

Primeiro curta da mostra competitiva deste domingo, a produção paulista Liberdade, dos diretores Pedro Nishi e Vinícius Silva, trouxe a história de imigrantes africanos que moram em uma pensão no bairro da Liberdade, em São Paulo. O curta mostra um lado sombrio da região, dando destaque para três personagens: os artistas Abou e Sow, ambos de Guiné, e Satsuke uma misteriosa mulher japonesa que mora há décadas na pensão. 

Segundo curta da noite, Sempre verei cores no seu cinza, da diretora Anabela Roque, teve como proposta passar ao público a mensagem de resistir e reivindicar. O curta mostrou como os estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, se organizaram para reivindicar as medidas impostas no campus. O filme teve um foco especial na história da estudante de artes Matheusa Passareli, ativista LGBTQ brutalmente assassinada em abril de 2018, no Rio de Janeiro. 

"Estamos muito emocionados de estar aqui hoje. Esperamos ter conseguido passar toda essa emoção e sentimento que tivemos durante a produção do filme, que traz uma história sobre a resistência, assunto  muito importante de ser falado e que vivemos muito no Brasil nos dias de hoje", explicou a diretora Anabela Roque.

Único longa-metragem da mostra competitiva exibido na noite deste domingo, o filme New life S.A, levou o tema da especulação imobiliária ao Cine Brasília. A produção contou a história da construção de um novo condomínio no Distrito Federal, que tem como responsável das obras o bem sucedido arquiteto Augusto. 

Entre os valores profissionais que carrega, Augusto acredita que seu trabalho pode mudar o mundo, e contribuir para uma sociedade melhor, no entanto, quando ele começa passa a administrar as obras do New life, choca-se com uma realidade do mundo corporativo totalmente diferente, cheia de entraves burocráticos, envolvimento de políticos e corrupção.  

"Estar aqui sempre é um sonho, pois eu cresci vindo nesse festival, e ter a honra de poder fazer a estreia mundial do New life aqui é perfeito", enaltece o diretor André Carvalheira. 

O cineasta também elogiou a estrutura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. "De todas as edições de que eu já participei, essa tem sido uma das melhores dessa década, está tudo muito bom, é uma grande alegria poder fazer parte dessa história", conta André. 

Colaboraram Ronayre Nunes e Robson G. Rodrigues*

*Estagiários sob a supervisão de Vinicius Nader

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