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Correio Braziliense

Crítica: 'New Life SA' representa bem o DF no Festival de Brasília

Longa New Life SA, do pernambucano André Carvalheira, trata de mix de gêneros em cinema. Confira a crítica


postado em 18/09/2018 06:40 / atualizado em 18/09/2018 06:30

New Life S.A.: longa exibido no domingo trata, com humor e suspense, da especulação imobiliária(foto: Machado Filmes/ Divulgação)
New Life S.A.: longa exibido no domingo trata, com humor e suspense, da especulação imobiliária (foto: Machado Filmes/ Divulgação)

 

New Life S.A./ ### 

 

Em New Life S.A., o diretor André Carvalheira faz a estreia em longa, na trama em que o protagonista Augusto (Renan Rovida) entra numa ciranda que mistura seus projetos de arquiteto com um isolamento social e circunstâncias que lhe conferem involuntária sensação de poder. Dominando a perícia da concisão, numa edição ágil de Marcius Barbieri, Carvalheira não faz gigantes malabarismos para desenvolver o roteiro assinado por Aurélio Aragão e Pablo Gonçalo. E isso é lucro.

 

Em tempos de eleição, o filme traz um painel sempre apto a ser liquidado, por meio de votos. O empreendedorismo, mostrado na tela — em que o arquiteto idealiza edificação de condomínio utópico — ganha o respaldo de um sistema em que a política dança, compassada, com facções podres do Legislativo e do Judiciário. No papel de um político em campanha, o ator André Deca brilha, à base do humor, por vezes cáustico, daquele que sabe tirar vantagem até da miséria alheia.

 

O jogo de apadrinhamentos e de contrastes entre a artificialidade do mundo rico e o retrato desmilinguido dos operários (que constroem o sonho torto de Augusto) são bem resolvidos no filme. Augusto goza de sexo mecânico com a mulher Marisa (Fernanda Rocha), e ambos são desatentos à criação do bebê da casa.

 

Se, num primeiro momento, há estranhamento no canteiro de obras (à la campo de concentração) apresentado no filme, atores seguros discorrem bem sobre a fragilidade de papéis sociais. É um achado o artifício de satirizar o ambiente decorado, em que atores encenam o tempo inteiro uma felicidade ilusória para incitar a compra de futuros apartamentos. Em cena, a discussão sobre uma calça vincada, por exemplo, evoca o cinema sarnento (no melhor sentido) de Sérgio Bianchi. Apatia, pilantragem e até um convite à violência generalizada (ambivalente e atual, pelo andamento das eleições) resplandecem com as atuações de Wellington Abreu, Catarina Accioly, Murilo Grossi e Juliano Coacci. 

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