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Correio Braziliense

Confira a crítica de 'Luna', filme da mostra do Festival de Brasília

Longa-metragem foi exibido na Mostra Competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro


postado em 19/09/2018 06:30 / atualizado em 18/09/2018 19:13

Cena do filme Luna: Descobertas juvenis travadas pelos perigos da web(foto: Gustavo Baxter/Divulgação)
Cena do filme Luna: Descobertas juvenis travadas pelos perigos da web (foto: Gustavo Baxter/Divulgação)

Marcos para a irradiação da temática da juventude brasileira nas telas de cinema, Houve uma vez dois verões (2002) e Nome próprio (2007) não acessavam (ainda que um se fixasse na internet como meio de expressão) um tema caro ao díptico atualmente nas telas: Ferrugem (melhor filme, no Festival de Gramado) e Luna, de Cris Azzi, concorrente a prêmios Candango no Festival de Brasília. Ambos lidam com as consequências de desastrosas exposições de corpos juvenis na internet.

Luana (Eduarda Fernandes) e Emília (Ana Clara Ligeiro) quase que, de imediato, afinam a cumplicidade, ao se conhecerem na escola. Ritos e rituais abraçados pelas moças convergem para a iniciática sessão de vivências (entre as quais, experimentar drogas). Na base da curiosidade, acatam estímulo de um dos personagens que vê  todos como “matéria em transformação”, ao mesmo tempo em que destaca que “esse mundo é muito pouco”.

Ainda que traga breves traçados políticos — há personagem que estampa, na camiseta, “amar sem temer”, e se coloca em  debate sobre golpe e sobre a possibilidade de o “jogo democrático sair vitorioso” —, Luna especula, na verdade, sobre jogos da formulação de identidade sexual e o vigor dos rompantes e das atitudes nas personagens que caminham para a segunda idade. Pela proximidade e dada a solidão compartilhada, Luana e Emília flertam, se tocam das realidades sociais díspares (em barreiras prontamente quebrada) e desviam dos padrões que Luana seguiria para ser a “filha perfeita”. Luís Abramo, diretor de fotografia, exacerba a unicidade das moças em belos enquadramentos à la Persona (1966).

(foto: Delicia Filmes/Divulgação)
(foto: Delicia Filmes/Divulgação)


Badalação, beijo triplo, masturbação e demais descobertas prazerosas são quebradas, tal qual Ferrugem, pelo despontar da perversidade da divulgação de vídeo íntimo de Luna (o codinome de Luana na internet). “Forte e determinada”, como descrita numa cena revoltante, às vias de quase ser molestada, em que é examinada (aos moldes de uma escrava), Luana, desnorteada, tem nas mãos a possibilidade de uma guinada social. Com motes questionadores, a trilha sonora intervém, na toada da ótima interpretação das atrizes estreantes. Se valendo de aspectos da natureza (que remete a Os famosos e os duendes da morte), o diretor organiza um tenso quadro que junta maternidade, agressões e reações. A cena final é, desde já, arrebatadora e emblemática para o cinema nacional.


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