Publicidade

Correio Braziliense

Festival de Brasília abre espaço para discussão sobre vídeo sob demanda

Regulação do formato foi assunto do Ambiente de Mercado


postado em 20/09/2018 15:16 / atualizado em 22/09/2018 13:09

(foto: Paula Carrubba/Divulgação)
(foto: Paula Carrubba/Divulgação)

O vídeo sob demanda, também conhecido como VOD (sigla para video on demand), já é uma realidade no mundo e também no Brasil, onde serviços como Netflix, HBO GO e Globo Play estão ganhando a cada dia mais espaço no cenário e com o público. O formato consiste na disponibilização de produções em uma plataforma de forma que o espectador tenha autonomia na hora de escolher quando e como assistir, diferentemente do que acontece nas tevês aberta e fechada, onde há uma programação a ser seguida.

Mercado em expansão, o VOD ainda não possui uma regulação no Brasil. Porém, tem sido debate constante no Conselho Superior de Cinema, com consultoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que já elaborou propostas para esse formato com o objetivo de promover, estimular e regular esse cenário. Atualmente está em curso uma análise de impacto regulatório do VOD. E tudo isso foi exposto ao público na quarta-feira (19/9) durante o primeiro dia da segunda edição do Ambiente de Mercado do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com programação no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul.

Coube ao diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro, abrir o painel intitulado “Futuro do mercado de conteúdo e regulação de VOD” e expor a situação atual do vídeo sob demanda no Brasil compartilhando a intenção de regular um formato, que ainda, segundo ele, “não é definido como mercado efetivo”. Uma das informações divulgada é de que deverá existir uma base de cálculo específica para o VOD por meio da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), que voltará a debater o assunto em reunião marcada para 28 de setembro.

A principal preocupação da Ancine é não perder as conquistas da lei 12.485, popularmente conhecida como Lei da TV Paga, que regula o mercado da televisão por assinatura e foi responsável pela maior inserção de conteúdo nacional, e poderia ser impactada pela nova regulação. “Esse debate trouxe outro sobre a verticalização da cadeia, que pode impactar num modelo. Temos que manter o espírito da 12.485, qualquer alteração pode nos manter afastado dela”, afirmou o diretor-presidente da Ancine.


Formato


O mercado do VOD tem suas particularidades. É um formato que abriga diferentes modelos de negócio, como o acesso gratuito financiado por publicidade (como YouTube); a assinatura mensal (a exemplo da Netflix); a venda ou o aluguel (modelo do iTunes e Google Play); o catch up TV (quando o usuário pode acessar por conta da tevê por assinatura, como no caso do Net Now); além dos híbridos (como a HBO GO, que tem tanto a modalidade catch up quanto de assinatura mensal), quando o on demand utiliza dois modelos de negócio.

No Brasil, já existem alguns players e produtoras que investem no vídeo sob demand. No painel do Ambiente de Mercado do Festival de Brasília estavam presentes três iniciativas Canal Brasil, CineBrasil TV e Box Brazil, representadas por André Saddy, Maria Rita Nepomuceno e Ramiro Azevedo. “Precisamos de um ambiente de valorização do conteúdo brasileiro, porque é uma concorrência ainda pior do que na televisão por assinatura”, analisou Saddy.

Destes, o Canal Brasil possui a versão Play, disponível para assinantes da emissora na tevê por assinatura, em que tem apostado em divulgar episódios antes da estreia na telinha, como é o caso da série Lama dos dias, que foi disponibilizada na plataforma antes do lançamento na tevê, que será hoje. A produção foi exibida antecipadamente também na sessão de quarta do Ambiente de Mercado do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

A Box Brazil, que é uma programadora independente, por enquanto funciona em parceria com a televisão por assinatura, com quatro canais, e também possui a possibilidade de assinaturas para acesso ao conteúdo que engloba o cinema nacional, documentários, shows, programas de viagens, desfiles e bastidores do mundo da moda. “Estamos carentes de informação. Existe uma necessidade de se gerar dados”, analisou Ramiro, que contou que a Box Brazil esteve entre as empresas consultadas em pesquisa da Ancine para a formulação da proposta da regulação do VOD.

Outra participante da mesa foi a CineBrasil TV, que pretende lançar a plataforma CineBrasil Já, um espaço para a divulgação da produção independente nacional produzida pela empresa. O serviço funciona atualmente em formato de “ensaio geral”, podendo ser utilizado apenas para quem tem uma senha de acesso. O objetivo é testar a plataforma antes de um lançamento oficial. A intenção da proposta é valorizar a produção brasileira, inclusive, obras feitas com o Fundo de Apoio Setorial.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade