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Correio Braziliense

Guilherme Arantes volta a Brasília para comemorar 40 anos de carreira

O cantor, que iniciou a carreira como vocalista da banda Moto Perpétuo, foi apresentado ao Brasil por meio de Meu mundo e nada mais, faixa do disco de estreia que invadiu as ondas do rádio


postado em 22/09/2018 07:30

"Nossa geração foi importante no Brasil, fazendo um precioso crossover social. Pudemos ser populares, com boa dose de tradição misturada com inovação" (foto: Luzo Reis/Divulgação)


Quando foi gravado por Elis Regina, Maria Bethânia e Caetano Veloso, Guilherme Arantes já ocupava o posto de um dos mais importantes artistas da música pop brasileira nos anos 1970 e 1980. Hitmaker, tinha o nome na lista dos compositores recordistas em arrecadação de direitos autorais. À época, rara era a novela que não tinha na trilha sonora uma canção do artista paulistano que chegou a ser chamado de Elton John brasileiro.

O cantor, que iniciou a carreira como vocalista da banda Moto Perpétuo, foi apresentado ao Brasil por meio de Meu mundo e nada mais, faixa do disco de estreia que invadiu as ondas do rádio. Logo em seguida ele emplacaria outros hits, entre os quais Amanhã, Baile de máscaras, Êxtase, Aprendendo a jogar e Deixa chover.

Em 1981, ao participar o festival MPB — Shell, embora tenha se classificado em segundo lugar, com Planeta água, Guilherme foi saudado como o grande vencedor, pelo público que superlotava o Maracanãzinho. E continuou enfileirando sucessos como O melhor vai começar, Pedacinhos, Cheia de charme, Fã número 1, Coisas do Brasil e Um dia, um adeus.

Guilherme que, em 2000, radicou-se no litoral baiano, onde criou a ONG Planeta Água, lançou ao longo da carreira 28 discos — o mais recente é Flores e cores, de 2017. De volta a Brasília, faz um show de voz e voz e piano hoje, às 21h30, no auditório máster do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Na apresentação ele interpreta clássicos de sua obra, presentes na memória afetiva dos fãs.


De Moto Perpétuo, o primeiro trabalho, ao álbum Flores e cores, o projeto mais atual, que avaliação faz de sua trajetória na música popular brasileira?
Acho que tenho sido um privilegiado por percorrer essas décadas podendo nutrir um repertório 100% autoral. Desembocar nesta era das redes , com um acervo histórico pra usufruir e ter um público leal e fidelizado. A palavra a qual recorro é gratidão.


A presença frequente nas paradas de  sucesso e nas trilhas sonoras foram determinantes paratorná-lo o mais importante artista pop brasileiro da década de 1980? 
Penso que nossa geração foi importante no Brasil, fazendo um precioso crossover social. Pudemos ser populares, com boa dose de tradição misturada com inovação.


Aquele foi o período mais marcante de sua trajetória artística?
Em termos de popularidade, sim. A tevê também apresentava uma grade muito mais generosa para a música do que hoje. Porém, o advento das redes e dos novos suportes têm acrescentado muito para quem tem um conteúdo e uma história como a nossa geração. Então, para mim, o atual é um tempo de resgate e de agregação de um significado bem maior do que no passado. E isso é um enorme prazer.


Com Planeta Água você não venceu o festival MPB-Shell de 1981, mas a canção se transformou num clássico de sua obra. Que lembranças guarda daquele momento?
Um mistério. Uma catarse espiritual, uma coisa maior que se manifestou através de mim. Não me pertence pessoalmente. Minha autoria é de importância secundária. Planeta água pertence ao universo.


Ser gravado por Elis Regina ( Aprendendo a jogar), Maria Bethânia ( Brincar de viver) e Caetano Veloso ( Amanhã) teve que importância para o compositor? 
Foram toques de Midas na minha trajetória, como agora está sendo minha parceria com Paulo Miklos, e a canção fulgurante que fiz para o novo disco da Gal Costa , intitulada Puro Sangue (Libelo do perdão), que está saindo no final deste mês, e deve causar um arrepio geral. É uma das letras mais fortes que já escrevi, um poema-manifesto muito oportuno neste momento de incerteza na passagem de uma onda de conservadorismo do mundo, com profundas fendas se abrindo no modo de pensar e no modo de se comportar frente a esse mundo. A cisão do pensamento.


Como é levar a vida de artista e de diretor de uma ONG, paralelamente?
É sempre um desafio. Uma família também é uma ONG. Mas viver é isso, um leão a cada dia...


Qual a sua visão do Brasil às vésperas das eleições?
O Brasil se depara basicamente com duas perguntas cruéis: seremos apenas uma utopia? A democracia tem futuro?
 
 
 
 

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