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Correio Braziliense

Revelação da música africana, Songhoy Blues faz show em Brasília

Grupo do Mali participa do Festival Puroritmo


postado em 27/09/2018 06:43 / atualizado em 27/09/2018 06:32

Songhoy Blues traz a música do Mali para Brasília(foto: Steve Gullick/Divulgacao)
Songhoy Blues traz a música do Mali para Brasília (foto: Steve Gullick/Divulgacao)

 

Timbuktu é uma cidade lendária. Localizada no centro do Mali, à beira do Rio Níger e nas portas do deserto do Saara, foi inscrita patrimônio da humanidade pela Unesco em 1988 para, dois anos mais tarde, entrar para a lista de patrimônio em perigo. Fundada no século 12, sede de uma universidade que já abrigou 50 mil sábios especialistas no Corão e ponto de convergência de culturas, como a dos tuareg e dos songhoy, a cidade é um pólo cultural. Diz o músico Aliou Touré que, se esticarmos os ouvidos, é possível, inclusive, ouvir uma mistura do choro do blues com os sons dos ventos do deserto. É atrás dessa sonoridade mítica que ele, GarbaTouré, Oumar Touré e Nathanael Dembélé costumam correr para compor as músicas do Songhoy Blues, que faz apresentação única amanhã no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) como parte do Festival Puroritmo.

Songhoy (ou songai, em português) é uma das principais etnias do norte do Mali e Touré é um nome comum entre esse povo. Os Touré da banda não são parentes de sangue, mas são irmãos songai, cultura da qual o grupo trouxe boa parte das influências que o alçou à condição de referência forte da música africana contemporânea. O som dos Songhoy chamou a atenção de Nick Zinner, do Yeah Yeah Yeah, com quem gravaram a faixa Soubour, e de Julian Casablancas, do The Strokes, que os introduziu à Atlantic Records.

Hoje, é em Bamako, que o grupo está sediado. Timbuktu ficou para trás quando extremistas islâmicos desembarcaram na cidade e impuseram a sharia. A lei islâmica condena qualquer forma de diversão e, para não acabarem presos, os meninos decidiram se mudar para a capital.

“No norte, a situação continua muito tensa e todos os festivais grandes que tínhamos foram suspensos. Mas há uma vida cultural em Bamako. E nos sentimos à vontade nela. Há muito burburinho, muita propaganda, mas quando você chega, vê que é outra realidade”, garante Aliou, em entrevista por telefone do estúdio no qual a banda ensaiava para participar de um festival a duas horas da cidade.

Blues desértico 

Aliou define a música do Songhoy como um blues do deserto. “É a expressão mais apropriada, é a música que você escuta na beira do Rio Níger e a música que te faz pensar na vida no deserto”, explica. Cantadas em songai, as canções falam de temas cotidianos da vida no Mali. A pegada blues é o que marca boa parte das faixas dos discos Music in exile e Résistance, mas há um trabalho de percussão importante e ritmado que dá contornos étnicos às criações. “A base da nossa música são as músicas das nossas etnias”, avisa Aliou. “O que fazemos é uma junção de nossos ritmos que, ao norte, são mais melancólicos e, à medida que avançamos para o sul, se tornam mais físicos.

A mistura toda resulta em uma música enérgica, mas às vezes aflora um certo desalento sofrido que remete ao tormento. Faz sentido essa opção melódica. As palavras, Aliou explica, representam a realidade do Mali, um país que tem enfrentado o radicalismo islâmico e o êxodo. “Enquanto refugiados, falamos dessa situação, como se fossem testemunhos. É para que o mundo inteiro saiba o que acontece no nosso país. A música é um meio de comunicação muito eficaz para isso”, acredita Aliou.



Outras atrações

Songhoy Blues
• Amanhã, às 23h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Entrada franca

Celebração 
• O Festival Puroritmo tem início amanhã com uma programação que reúne grupos africanos e brasileiros, apresentação de DJs, feira de artesanato e arte, oficinas e gastronomia africana e kalunga para celebrar a fusão das culturas do Brasil e da África.

Programação musical

Sexta
20h – DJ Chico Aquino
21h – Fanta Konatê (GUINÉ/BRA)
22h – DJ Nyack (SP)
23h – Songhoy Blues (MALI)

Sábado
17h – Sussa Kalunga (GO)
18h – Afoxé Omo Ayô (DF)
19h – DJ Tudo (DF)
20h30 – Horoyá (SP/SENEGAL)
22h – DJ Odara (DF)
23h – Rita Benneditto (MA)

Domingo
16h30 – Mandé Moba (DF)
17h30 – DJ Sapo (DF)
18h30 – Filhas de Oyá (DF)
19h – DJs Aisha e Yamina (DF)
20h – Lazzo Matumbi (BA)

• Além de Rita Benneditto, o Puroritmo conta com outros artistas nacionais: nomes como Lazzo Matumbi (BA), Sussa Kalunga (GO) e os DJs Tudo, Nyack e Odara (SP) agitam a programação.

• Artistas internacionais também completam a festa. O evento recebe apresentação da bailarina e cantora Fanta Konatê (Guiné) e dos grupos Songhoy Blues (Mali) e Horoyá (Senegal/SP). De Brasília, estarão presentes os grupos Filhas de Oyá, Afoxé Omo Ayô, Mandé Moba e os DJs Sapo, Chico Aquino, Aisha e Yamina. A programação completa está disponível no site do Diversão & Arte.


Songhoy Blues
Amanhã, às 23h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Entrada franca


Festival Puroritmo - África
De amanhã a domingo, das 16h às 23h, no CCBB (SCES, tc 2; 3108-7600). Show Tecnomacumba, de Rita Benneditto, neste sábado, às 23h. Entrada franca. Classificação indicativa livre. Confira a programação completa no site do Diversão & Arte.
 
 

 

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