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Correio Braziliense

Olívia Hime lança disco com músicas de Francis Hime, Edu Lobo e Dori Caymmi

'Espelho de Maria' marca a volta de Olívia Hime aos discos de estúdio


postado em 06/10/2018 07:03

Olívia Hime entre Francis Hime e Dori Caymmi:
Olívia Hime entre Francis Hime e Dori Caymmi: "Queria cantar a minha geração para me encontrar" (foto: Nana Moraes/Divulgação)

 
Olívia Hime estava há mais de uma década sem lançar um disco solo registrado em estúdio. O último havia sido Palavras de guerra, de 2007. Isso se explica, pelo menos em parte, por ela ter dedicado a maior parte do seu tempo, nos últimos 15 anos, à Biscoito Fino, gravadora na qual ocupa o cargo de diretora artística.

É certo que a cantora dividiu com o marido, Francis Hime, a gravação do CD Alma música, em 2012, posteriormente levado ao palco, numa longa turnê pelo Brasil e a Europa. Mas, só mais recentemente, Olívia pôde, enfim, colocar a bela voz, de novo, a serviço de gravações que deram origem a Espelho de Maria, o 14º título da discografia.

A sofisticação de Olívia, como intérprete, pode ser apreciada em Espelho de Maria, no qual, em três suítes, reverencia três icônicos compositores brasileiros: Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime. Experiência semelhante ela havia tido em 2002, ao gravar Mar de algodão, em que reuniu as canções “marinhas” de Dorival Caymmi.

Espelho de Maria reúne clássicos e lados B dos três homenageados, entre eles, Amazonas, Canção sem fim, Música no ar, O mar é meu chão, Quebra-mar e Saveiros (Dori Caymmi); Canto triste, Choro bandido, Memórias de Marta Saré, São bonitas as canções e Reza (Edu Lobo); Atrás da porta, Canção sem fim, Embarcação, Trocando em miúdos e Valsa rancho (Francis Hime).

Espelho de Maria

CD de Olívia Hime, com três suítes e 20 faixas. Lançamento da Biscoito Fino. Preço sugerido: R$ 32.



Entrevista/Olívia Hime

Espelho de Maria é fruto de quê?
Antes de mais nada, de minha crença absoluta na presença constante e perpétua da canção brasileira como forma completa de expressão. E minha vontade de fazer um disco com as canções do meus pares, dos três compositores com quem eu cresci, da segunda geração da Bossa Nova. O título vem de um engano e eu achei tão bonito que deixei o engano. Fui fazer uma pesquisa e vi que havia uma música do Edu Lobo chamada Espelho de Maria. Perguntei à editora e não havia uma música com esse título, então perguntei se era do Dori Caymmi, mas também não era. Do Francis, logicamente não era, ou eu saberia. Então eu cheguei à conclusão de que não era de nenhum dos três homenageados na suíte, mas eu achei o título tão bonito que deixei lá.


De onde veio a ideia de fazer suítes?
Eu faço suítes já há algum tempo porque acho um formato mais completo. Eu trabalho com arranjadores que têm uma orquestração primorosa. Como eu peço a eles que trabalhem a parte orquestral com muita liberdade, gosto de fazer suítes, pois, assim, as músicas se entrelaçam umas nas outras. São músicas que às vezes as pessoas nem se lembram mais e muitas vezes nem conhecem. As suítes são fruto da minha busca de unidade no trabalho, na obra de cada um desses três compositores.


Interpretar parte da obra de Dori, Edu e Francis obedeceu a que critério?
Na verdade, o critério já está no fato de eu ter optado por cantar as músicas dos meus companheiros de geração, pensar um pouco de onde eu vim, na minha caminhada musical. A partir daí eu fui escolhendo o repertório de acordo com a minha opção e também pela canção.


Foi difícil a escolha das canções?
A minha decisão foi de gravar canções. Não é que eu exclua outros ritmos, outros estilos de música. Eu amo o choro cantado, por exemplo, principalmente como forma mais instrumental, eu posso passar uma noite inteira ouvindo. Mas queria cantar canções e principalmente cantar canções desses três rapazes com quem eu cresci, meus companheiros. Claro que nós todos fomos abençoados por ouvir Carlos Lyra, Roberto Menescal, Tom Jobim, Baden Powell, mas, desta vez, eu queria também aproveitar, já que tinha tinha três grandes arranjadores, Francis, Dori e Paulo Aragão, por perto. Eu gosto dessa possibilidade de ter belos arranjos e belas orquestrações e a voz ir costurando com eles, as melodias, as harmonias. Foi uma opção feliz pra mim.


Como tem sido ocupar o cargo de diretora artística de umagravadora e levar adiante a carreira de cantora?
Atualmente, eu sinto muita saudade da Biscoito Fino, já que não passo por lá todos dias, pois tenho que me dedicar a mim, mas passei 15 anos indo frequentemente. A Biscoito está crescida, muito bem protegida por todos que estão lá. Por isso pretendo me dedicar novamente a tocar direito violão, que eu não tenho tocado. Eu olho aqui em volta, na estante de casa, e tem tanta coisa que preciso voltar a fazer, a desenvolver, e me dedicar mais ao meu trabalho de cantora, de compositora. Para isso é preciso tempo.
 

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