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Correio Braziliense

Buster Keaton ganha ampla retrospectiva no cinema do CCBB

Mais de 70 produções serão exibidas no CCBB, em homenagem ao comediante que revolucionou o mundo do cinema


postado em 09/10/2018 06:30 / atualizado em 09/10/2018 06:21

Buster Keaton, em cena clássica de A general (1926), em cartaz no CCBB(foto: Buster Keaton Productions / Divulgação)
Buster Keaton, em cena clássica de A general (1926), em cartaz no CCBB (foto: Buster Keaton Productions / Divulgação)

 

Um verdadeiro pilar e fundamento para o cinema reside na figura do cômico tristonho e espantado ator e diretor Buster Keaton. Com direito a mais de 70 filmes a serem exibidos, além de curso, debate e a diferenciada projeção de 16 títulos em 16mm, a mostra Buster Keaton — O mundo é um circo desponta no CCBB, estendida entre hoje (dia 9/10, terça) e o dia 28 de outubro. No evento, quase seis horas de documentários — com títulos como Buster Keaton ataca de novo e Notfilm — tratam de explicar a importância do gênio do cinema. Os ingressos para as sessões custam R$ 10 e R$ 5 (meia).

 

"No sentido do humor visual e físico, na elaboração das gags e no olhar atônito, sem reação ou com "lag" (morosidade) de reação em relação ao mundo, só vejo Jacques Tati como real discípulo de Keaton. Claro, no aspecto acrobático do próprio corpo ao fazer humor, Jackie Chan é indubitavelmente alguém que tem Keaton como influência e marco", opina um dos curadores da mostra, Ruy Gardnier. 

Junto com o colega Diogo Cavour, Gardnier abre espaço para uma real compreensão da obra de Keaton, tendo adesão de vários especialistas de cinema, entre os quais Lila Foster, Glênis Cardoso, Pablo Gonçalo e Ciro I. Marcondes, todos selecionados para tratar de eventos correlatos à mostra.

 

Hoje (dia 9/10, terça), abrindo 62 blocos de sessões de cinema, a partir das 16h, serão mostrados os curtas Com culpa no cartório, Romeu de esquina, A casa do Sr. Sancho e Na noite de casamento. Nos enredos, estão sequestros inusitados, a multiplicidade de personagens associados a Keaton — que vai de policial a jardineiro —, e confusões geradas pelo jeito abobalhado do ator, que se projetou, até 1919, pelos anos de trabalho ao lado do cineasta (e cômico) Roscoe Arbuckle. Domingo, na mostra, há a preciosa inclusão de Film (curta assinado por Samuel Beckett e Alan Schneider), curta de 20 minutos, feito em 1965 e que adota princípios do Big Brother.

 

Filmes inspiradores como Luzes da ribalta (1952), ao lado de Charles Chaplin, e Crepúsculo dos deuses (1950), do mestre Billy Wilder, confirmam a versatilidade de Buster Keaton. “Creio que seu modo de atuação e sua apatia não funcionam só para produzir humor, mas também uma espécie de sentimento de inadequação, de um espanto eterno com o desenrolar das coisas imprevisíveis do mundo, como se fosse uma superfície de escudo, com ricocheteio de fatos", explica Ruy Gardnier.

 

Pianistas da cidade, Serge Frasunkiewicz e Rafael Bacellar foram escalados para, na próxima sexta, acompanhar, às 16h e às 17h45, sessões de Nossa hospitalidade, sobre conflitos de sentimentos entre clãs em pé de guerra, e A general (1926), codirigido por Keaton, que o coloca na frágil condição de um maquinista abalado pelo sumiço de duas paixões: uma moça e uma locomotiva.

 

Ao longo da mostra, destaques para O homem das novidades (1928), estudo com algo de metalinguagem, dentro da concepção de estúdios de cinema, e O pesado (sessão hoje, dia 9/10, às 18h), com a inaugural aparição de Keaton em longas, numa narrativa que trata da perpetuação de riquezas para um ingênuo herdeiro de magnata. Perigos reais e imediatos e a enorme queda pela preservação de otimismo — fatores de apelo nos filmes de Keaton — estão configurados em Boxe por amor (hoje, dia 9/10, às 19h45). 

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