Publicidade

Correio Braziliense

DJs agitam a cena cultural das baladas brasilienses

Com uma variedade de estilos musicais, os DJs não se prendem mais somente a música eletrônica


postado em 09/10/2018 06:50

Quando se ouve a palavra DJ, o pensamento de muitas pessoas remete logo ao som da música eletrônica, às batidas do house, trance, deep, entre outros estilos eletrônicos. No entanto, o repertório dos DJs abrange muito mais que isso, com remixes de gêneros desde o latino ao brega, sertanejo, rap e funk.

Em Brasília, essa diversidade é bem vista em muitas festas e espaços como Calaf, Sub Dulcina, Pequila, Makossa e Mimobar. Para sabermos mais sobre esses estilos e conhecermos um pouco dos set musicais dos DJs, o Diversão & Arte conversou com cinco deles.

Além de música brasileira, DJ Pequi também envolve estilos colombianos, mexicanos e caribenhos no repertório(foto: Pedro Lacerda/Divulgação)
Além de música brasileira, DJ Pequi também envolve estilos colombianos, mexicanos e caribenhos no repertório (foto: Pedro Lacerda/Divulgação)

DJ Pequi
Com uma pesquisa voltada para as conexões musicais e culturais que ligam o Brasil à América Latina, Pequi sentiu a necessidade de integrar mais os gêneros latinos ao conceito musical dos brasileiros, com um repertório que envolve estilos colombianos, mexicanos, caribenhos, além da própria música brasileira. A iniciativa vem dando tão certo que a DJ também virou produtora e criou uma festa dedicada ao gênero, a Pequila, la Fiesta Latina del Cerrado, que conta com 17 edições em quatro anos. "O sentimento de integração latino-americana é forte na arte e uma memória afetiva coletiva vem se destacando. É neste contexto que, recém- chegada a Brasília, criei uma festa dedicada a esta temática, a Pequila, la Fiesta Latina del Cerrado. Já foram 17 edições em cerca de quatro anos. A particularidade da festa é que levamos uma pista de dança com pouco hits e muita música fruto dessa pesquisa. Este é o repertório, entre vinis garimpados pelo mundo e conexões com a nova cena urbana latino-americana", explica Pequi. Ainda neste ano, a DJ vai representar Brasília em três importantes festas no estado do Pará: o festival Lambateria, o Baile da Dona Onete e o Baile Tropical.

Há 18 anos na cena musical, DJ Donna percebe a falta de DJs no nicho da música negra(foto: Stay Fllow/Divulgação)
Há 18 anos na cena musical, DJ Donna percebe a falta de DJs no nicho da música negra (foto: Stay Fllow/Divulgação)

DJ Donna
Eclética é com essa palavra que podemos denominar a DJ Donna. Na cena musical há 18 anos, Donna sempre esteve envolvida em eventos de dança e por isso criou um grande vínculo com os dançarinos de hip-hip. A partir disso, ela teve a sensibilidade de perceber a carência de DJs neste nicho, principalmente o da música negra, como o black soul, eletrofunk, afrohouse e o rap. "Conforme eu conheci os dançarinos fui agregando ao meu set as músicas que eles curtiam, que gostavam de dançar, e comecei a ampliar o meu leque musical. Hoje, eu toco muitos gêneros, como samba-rock,  rap, kuduro, miami bass, funk soul e pagode. Eu sempre tive uma abertura musical muito grande e uma facilidade. Não é à toa que já me desafiaram para discotecar chorinho e jazz, e deu supercerto", explica DJ Donna. Para a DJ, a música exerce uma importante influência cultural das pessoas, pois consegue mostrar que as composições atuais, muitas vezes, tiveram inspirações do passado. "A música faz com que as pessoas venham a entender que o atual é derivado do antigo, podemos ver bastante isso no rap, por exemplo, e as pessoas que estão nas festas podem perceber isso", conta a DJ.

Nagô tem sets diversificados, com jazz, rock, blues, música africana, latina e MPB(foto: Arquivo Pessoal)
Nagô tem sets diversificados, com jazz, rock, blues, música africana, latina e MPB (foto: Arquivo Pessoal)

DJ Nagô
Para quem está a fim de sair e quer curtir uma festa para ouvir de tudo um pouco, até mesmo aqueles gêneros que são menos tocados, a dica é procurar o evento em que o DJ Nagô esteja presente. DJ profissional desde 2007, Nagô tem sets diversificados, com jazz, rock, blues, música africana, latina e MPB. "Meus sets são bastantes variados, não sigo um estilo só, não tenho preferência, costumo dizer que eu tenho fases, já passei pela fase do rock, reggae, forró, e hoje consigo incorporar de tudo um pouco. Basicamente, eu me encaixo no estilo da festa, e sempre procurando novos sons para escutar", conta DJ Nagô.

Maraskin se considera um DJ Open format, ou seja, não se prende a um estilo musical específico(foto: Pedro Camargo/Studio Aviv/Divulgação)
Maraskin se considera um DJ Open format, ou seja, não se prende a um estilo musical específico (foto: Pedro Camargo/Studio Aviv/Divulgação)

DJ Maraskin
O DJ Maraskin é outro que é bastante conhecido nas festas do DF, como a Makossa, Criolina e Mr. Jack. O músico se considera um DJ Open format, que é aquele que não se prende a um estilo musical específico, e sempre antenado a novidades. Com um set que vai desde o deep house ao hip-hop e músicas dos anos 1960 a 2000, Maraskin atribui sua versatilidade às festas com estilos e públicos variados em que é chamado para tocar.

Sandro começou tocando música eletrônica e, então, migrou para outros estilos em busca de inovação(foto: Sinclair Maia/Divulgação)
Sandro começou tocando música eletrônica e, então, migrou para outros estilos em busca de inovação (foto: Sinclair Maia/Divulgação)

DJ Sandro Biondo
Bastante rodado na cena do DF, o DJ Sandro Biondo é conhecido pela galera festeira de Brasília, que costumava ir ainda nos eventos para arrecadar fundos para a saída do Suvaco da Asa e em festas como a Mimosa. O DJ é um dos músicos que começou a carreira tocando a música eletrônica, e depois migrou para outros estilos, em razão da curiosidade e vontade de inovar em novos sons. "Eu comecei a discotecar no Rio de Janeiro, com longos sets de até seis horas. Quando vim para Brasília, comecei a produzir festas, participar de algumas, até que eu me interessei por outros estilos, principalmente devido a minha curiosidade e vontade de tocar novos sons, como o pop, o indie e a música brasileira. Hoje, gosto de discotecar principalmente no meu bar, o Mimobar, com hits dos anos 1990 e o black music", revela Sandro Biondo.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade