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Correio Braziliense

Exposição 'No drama' revela ligação de Iberê Camargo às artes dramáticas

Mostra, com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, estará aberta a partir desta quarta-feira para visitação no Centro Cultural do Tribunal de Contas


postado em 10/10/2018 06:05 / atualizado em 10/10/2018 13:24

Tudo te é falso e inútil, pintura com figuras recorrentes na obra do artista(foto: Rômulo Fialdini/Divulgação)
Tudo te é falso e inútil, pintura com figuras recorrentes na obra do artista (foto: Rômulo Fialdini/Divulgação)

Certo dia, lá pelos anos 1980, enquanto passeava por uma praça em Porto Alegre, o pintor Iberê Camargo se deparou com um grupo de teatro de rua que encenava peça com crítica ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao uso de pesticidas na agricultura. Ficou encantado e convidou alguns atores para posar no ateliê.

Pintor de ofício, Iberê passou a ter direito a performances particulares que rendiam as cenas transpostas para pinturas e desenhos. É esse lado ligado às artes dramáticas e à literatura que a exposição No drama, com curadoria de Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai, apresenta nesta quarta-feira (10/10) no Centro Cultural do Tribunal de Contas da União (TCU).

A exposição traz 53 obras pertencentes à Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. São desenhos, pinturas e guaches inspirados na música, na dança, na literatura, no teatro e no cinema. Iberê necessitava da paisagem — seja ela humana, natural ou urbana — para pintar. Em No drama, é o mundo das artes, tão familiar e, ao mesmo tempo, tão mágico, que ele carrega para o ateliê. “Iberê passou por vários momentos, mas ele não muda. O próprio artista estava sempre fazendo uma performance na pintura, ele mesmo quase entra em cena também com aquela coisa de pintar, o recuo”, explica Eduardo Haesbaert, um dos curadores da exposição.

Entre as obras está uma série de guaches realizadas nos anos 1940 para os figurinos e o cenário do balé Rudá, de Heitor Villa-Lobos. A peça nunca foi encenada porque o compositor morreu antes de realizar a montagem, e a participação de Iberê na concepção da cenografia é um mistério. “Não conhecemos a forma do que o levou a produzir esses estudos”, avisa Gustavo Possamai. É a primeira vez que as guaches são expostas fora da fundação.

Também estão na mostra as ilustrações realizadas para contos de Simôes Lopes Neto, obras que o pintor teria dado de presente ao poeta Luís Aranha, irmão do diplomata Osvaldo Aranha. “Essa exposição mostra a habilidade dele de passar por diferentes áreas”, ressalta Eduardo. Completam o conjunto três telas importantes da trajetória do artista. Solidão, um quadro de 2x4m, é o último pintado por Iberê, em 1994. A cena em que figuras sombrias cobertas com um manto quase se misturam a uma paisagem rosada e triste traz uma certa melancolia para o olhar de um homem que já estava em estágio avançado do câncer.

Já Jane e Marisa é mais alegre e nasceu do acaso. Duas amigas passaram pelo ateliê antes de se dirigirem a uma festa. O artista gostou das roupas e decidiu pintá-las. Em Tudo te é falso e inútil aparecem as idiotas, figuras recorrentes na obra de Iberê. Apáticas, sem forças para reagir, elas representam também o próprio artista em momento de revisão da trajetória.

No drama
Exposição com 53 pinturas de Iberê Camargo. Curadoria: Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai. Abertura nesta quarta-feira (10/10), às 19h, no Centro Cultural do Tribunal de Contas da União (Instituto Serzedelo Corrêa SCES Trecho 3, Lote 3). Visitação até 1º de dezembro, de segunda a sexta, das 9h às 19h, e sábado, das 14h às 19h.

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