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Correio Braziliense

Brasília cai na roda do samba: Conheça artistas que representam o estilo

Grupos se espalharam pela capital federal e se afirmaram como movimento cultural nas cidades, conquistando o público brasiliense


postado em 23/10/2018 06:00 / atualizado em 23/10/2018 14:23

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Provenientes do fundo dos quintais dos subúrbios de estados como Rio de Janeiro e Salvador, as tradicionais rodas de samba surgiram há mais de 80 anos. Longe dos grandes investimentos, apresentam-se como uma reunião (uma grande roda) em torno de um grupo de samba. As pessoas que estão em volta acompanham a levada musical cantando e com palmas ritmadas.

Anos depois da criação original, as rodas de samba ultrapassaram o patamar de apenas um contingente musical e se tornaram um movimento cultural. Com isso, o movimento chegou a Brasília. Pequeno, ainda, mas movido pela animação de sambar. Ocorria apenas em alguns lugares da cidade, como na Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) e em datas especiais, como no carnaval. Porém, as rodas montadas nos poucos locais frequentados para curtir o estilo musical, moviam um bom número de espectadores para curtir o som dos pandeiros.           

Com a crescente aparição de novos grupos e cantores da capital federal, a mania de curtir um samba tornou-se viral. As populares noitadas já recebiam atrações que espalhavam o som musical dos cavacos pelos ares como uma nova moda cultural. Por toda a cidade, espalhou-se a cultura do samba. Da região central de Brasília até a Ceilândia existem locais que funcionam como refúgios do samba para os moradores do Distrito Federal.         

O repertório tocado em Brasília não foge da tradição que o samba carrega durante a história. Com a mistura de composições autorais, do antigo partido alto e das releituras de letras de cantores como Cartola, Adoniran e Candeia, formam-se as apresentações musicais dos grupos da cidade, colocando o povo para sambar e cantar.         

A instrumentalização utilizada segue o padrão clássico. Baseados em grupos como Fundo de Quintal, formam o samba com tantã, repique de mão, cavaco, instrumentos de sopro e pandeiro, sem esquecer, jamais, do público acompanhando as canções batendo na palma da mão.        

Os grupos sofrem, entretanto, com a falta de recursos para realizar um evento que consiga unir segurança, qualidade e conforto para todos os presentes. A maior parte dos sambas de roda sobrevive apenas com dinheiro bancado pelos integrantes. Por isso, também, não acontecem constantemente, aparecendo, em sua maioria, uma vez por mês.               

Apesar de todos os percalços existentes, um público fiel e cada vez mais interessado se formou. E, com a diversidade de artistas que surgiram para perpetuar o estilo musical no Distrito Federal, o samba tornou-se um dos sons mais expressivos de Brasília. Com mais de 20 rodas de samba espalhadas pelas cidades brasilienses, conheça alguns grupos e cantores que mantêm o samba de roda como carro chefe da animação dos sambistas da cidade.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

7 NA RODA
Com 11 anos de formação dedicados ao samba, o grupo 7 na roda carrega esse nome por conter sete integrantes musicais. Costuma se apresentar na parte central de Brasília em eventos que prezam pela cultura do samba.“A gente acredita que desde o momento que começamos as rodas de samba não haviam esses movimentos em Brasília. Ocorriam shows no palco e a gente sentia falta da aproximação com o público. Primeiro, aconteceu a roda de samba e, depois, veio a formação do grupo, graças ao público que vem acompanhando nosso trabalho”, conta Breno Alves, responsável pelo pandeiro do grupo. Com dois discos lançados, os sambistas prezam pelo trabalho autoral. Com dois discos lançados, os sambistas prezam pelo trabalho autoral, que tem sido a tônica do projeto O samba tá aí, dia 27 de outubro, na Praça Teodoro Freire (Sobradinho) e dia 4 de novembro, na Feira Permanente do Gama, sempre com músicos do DF como convidados especiais.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

SAMBA NA GUARIBA
A roda de samba do coletivo Samba da Guariba é do povo. Com a necessidade de movimentos culturais nas cidades satélites e a falta de expressão do samba, um grupo de nove amigos se juntou para espalhar alegria por meio do estilo musical. As edições costumam ocorrer na Ceilândia, no segundo sábado do mês, às 17h. Trazendo temáticas populares para o meio musical, a roda de samba é aberta para quem quiser participar; seja como um dos músicos ou como espectador. “Temos a chamada roda de samba democrática, que é aberta para qualquer pessoa que sentir vontade de tocar ou cantar. Na última edição, batemos muito forte a questão do autoexame, para que o público feminino faça-o na intenção de prevenir o câncer de mama”, explica Emerson Rodrigues, criador do evento.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

SAMBA NA COMUNIDADE
O projeto Samba na Comunidade é mais um dos idealizados pela vontade de criar um samba de raiz na periferia e para a periferia, democratizando o acesso do público e dos músicos. Acontecendo no terceiro sábado de cada mês, de 16h às 22h30, na Ceilândia Norte, foi criado por cinco músicos que tinham um sonho. O respeito pela história do samba. “As apresentações são em formato antigo caracterizado por roda de samba, onde o samba é o nosso maior foco. Temos um lema na roda: “O artista aqui é o samba”. Todos sentam, cantam, tocam e batem palmas. Nós só pedimos o respeito ao Samba de Raiz, que é o foco principal do projeto”, explica Negro Vatto, compositor e músico.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

CAFÉ COM SAMBA
O Café com Samba é um projeto inovador. Criado por amigos, que costumavam fazer uma roda de samba pela manhã como confraternização, o samba improvisado se desenvolveu a partir da solidariedade com as causas sociais. Rola na Torre de TV, no segundo sábado do mês. O evento é gratuito e ocorre de 9h até as 15h. Como começa muito cedo, os músicos montam uma mesa de café da manhã solidária para os presentes e recolhem materiais para doações em projetos sociais que ajudam crianças e idosos. “É um evento que envolve a sociedade. O objetivo é elevar a importância cultural para a população de Brasília, além de proporcionar entretenimento ao cidadão com acesso a roda de samba. Estamos tentando unir o social com a alegria de uma roda de samba”, conta Jorge Ericsson, um dos fundadores e participantes do projeto. 

(foto: Arquivo Pessoal)
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SAMBA URGENTE
Com um dos eventos que mais cresce na cidade, o Samba Urgente já começa a receber mais de quatro mil pessoas por evento. A intenção de ocupar os espaços da cidade com samba e alegria vem funcionando.“É uma confraternização. É muito importante por levar nossa genuína cultura que é o samba e o entretenimento pro povo que gosta de curtir e gosta do samba. O sucesso vem do amor pelo que a gente faz”, conta Márcio Marinho, um dos músicos do grupo. As apresentações ocorrem uma vez por mês, no Canteiro Central, em Brasília, sem data estipulada, para estimular a esperança do público pelo próximo evento. A roda de samba vem se destacando tanto que começou a receber eventuais participações de diversos cantores que ajudaram a construir a história do samba, como Sombrinha.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

CLUBE DO COMPOSITOR
O samba de roda do Clube do Compositor surgiu das diversas resenhas com churrasco e cerveja gelada que acompanham um bom samba. Com sete músicos presentes, colocam os trabalhos autorais para funcionar nos eventos, que acontecem nas sextas-feiras, no Restaurante do Galego, em Taguatinga. Em novembro, as apresentações tomarão conta da sede da Escola de Samba Capela Imperial de Taguatinga também.Inspirados pelo público, prezam por um samba raiz e de qualidade. “Gostamos da moda antiga, no chão. A gente gosta das pessoas em volta, isso trás a emoção das pessoas pra gente, isso transfere uma força a mais pra gente fazer bonito e agradar o público com o samba autoral, poesia e os versos feitos na hora”, define Fiola Travassos, que toca reco reco e também canta.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

NOVO NOME DE DESTAQUE
A cantora Carla Meirelles começou a carreira cantando na igreja, ainda quando criança. Desde então, lançou um CD gospel em 2012. Mas a trajetória artística mudou neste ano de 2018, quando recebeu a primeira oportunidade de realizar uma apresentação como sambista, no Clube do Choro. Desde então, Carla apareceu para o mundo do samba no Distrito Federal. Entretanto, despontou para o reconhecimento regional após uma participação no Samba da Guariba. “O amor pelo samba aconteceu quando fui cantar no aniversário do Samba da Guariba. Tudo se descortinou para mim quando eu cantei nessa roda! A energia do povo, a roda, a alegria dos músicos, cantores, crianças… Foi então que eu verdadeiramente me joguei no movimento”, conta a sambista. Inspirada por outras famosas intérpretes do estilo musical, como Beth Carvalho, Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone Lara, Maria Rita e Lecy Brandão, a cantora de 37 anos realiza apresentações solo e constantemente começou a ser convidada para realizar participações especiais nas rodas de samba da cidade, destacando-se como uma das artistas da cidade.Reforçando o cenário das mulheres dentro do samba, Carla faz questão de agradecer a força que recebe do público feminino. “Acredito que a força feminina tem me ajudado a ter um pouco de evidência nesse cenário, porque as mulheres do samba acabam se identificando comigo e é uma grande diversão!”E completa declarando o amor pelo samba. “A roda de samba não é um show, a roda de samba é a celebração e a valorização do samba junto com o povo, com a terra, com a natureza e o universo. Costumo dizer que se o Brasil se dividir, quero ficar do lado do samba!”, finaliza a cantora que vem se destacando nas rodas do Distrito Federal.

*Estagiário sob a supervisão do subeditor Severino Francisco

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