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Correio Braziliense

Festival Internacional de Cinema de Brasília chega ao Cine Brasília

Na sexta edição, o Biff emplaca mais de 40 obras para uma maratona que se estenderá por dez dias, a partir de sexta-feira


postado em 07/11/2018 07:30 / atualizado em 07/11/2018 10:57

A casa que Jack construiu(foto: Zentropa Entertainments/Divulgação)
A casa que Jack construiu (foto: Zentropa Entertainments/Divulgação)
Até 18 de novembro, o calendário cinéfilo da capital ficará recheado de possibilidade de acesso à diversidade cultural, a partir da largada do Biff — Festival Internacional de Cinema de Brasília, na sexta-feira, quando será exibido o esperado longa de Spike Lee Infiltrado na Klan, em prévia somente para convidados (no Cine Brasília). Antes mesmo de destrinçar parte da programação da mostra competitiva, vale um alerta: haverá no evento um trio de grandes pré-estreias acopladas à festa da sétima arte. Sábado, às 21h, no Cine Brasília, os fãs do incendiário cinema de Lars von Trier poderão conferir A casa que Jack construiu, com mais de duas horas e meia de tensão, já que o filme se detém na rotina de um serial killer.

Premiado como melhor diretor no mais recente Festival de Cannes Pawel Pawlikowski terá seu longa Guerra Fria, ambientado na Polônia stalinista, exibido na sexta (16), às 21h, também no Cine Brasília. Sem trégua na violência, Utoya — 22 de julho (previsto para o próximo domingo) é outro filme com prévia no Biff. De Erik Poppe, o longa ressuscita o terror criado por Anders Behring Breivik, terrorista que matou 69 pessoas entre 500 jovens que, em 2011, se divertiam numa ilha norueguesa.

Distribuída entre o Cine Cultura Liberty Mall, o Cine Brasília e o Sesc localizado na Ceilândia, a programação integra uma mostra competitiva com 16 títulos distribuídos nas categorias de ficção e documentário. Com direito a debate (após a sessão das 17h, no sábado, no Cine Brasília), o documentário O melhor que você pode fazer com sua vida, por exemplo, trará à cidade a diretora Zita Erffa, à frente da produção financiada pela Alemanha e pelo México. Irmã de um rapaz que segue uma ordem religiosa chamada Legionários de Cristo (nos Estados Unidos), ela acompanha, com senso crítico aflorado, a rotina do rapaz que reza, circundado por uma sociedade muito fechada.

Sábado, outro documentário, Histórias à meia luz, promete emocionar, numa sessão às 18h, no Cine Cultura (Liberty Mall). Criado pelo italiano Luca Magi, o filme revela passados que seguem estagnando a vida de pessoas reunidas, por absoluta necessidade, num abrigo noturno chamado Rostom. Confirmando a completa globalização que permeia muitas das 40 realizações em cinema, dispostas no calendário do Biff, Cartas a Inger (segunda, às 20h, no Liberty Mall) é um longa assinado por María Lucía Castrillon que, nascida na Colômbia, está radicada, há anos, na França. A fita celebra  um nome de peso no cinema internacional feito por mulheres: Inger Servolin que, a partir da cooperativa Slon, se manteve por mais de 50 anos ativa na carreira de produtora e cineasta.


Fator Spike Lee

Um dos grandes atrativos para o Biff está nas 17 sessões para seis títulos do engajado cinema de Spike Lee. Na retrospectiva — montada para o Cine Cultura e para o Sesc Ceilândia — está A última hora (2002), estrelado por Edward Norton, e que mostra um condenado a sete anos de prisão sentindo, pelos últimos momentos, o gosto da liberdade. Com mais de três horas de duração, Malcolm X (1992) é outro filme incendiário: ativista da Nação do Islã, o personagem-título é interpretado por Denzel Washington (na terceira das oito indicações ao Oscar alcançadas pelo astro). A Presença Negra no Cinema, debate acoplado à exibição do filme Faça a coisa certa (de Spike Lee), será comandado pela professora da UnB Edileuza Penha de Souza e pelo cineasta Antonio Balbino.

Na Mostra Mundo Animado, reservada para as crianças, estarão, em revezamento, sessões de A raposa má (com 11 sessões, a partir de sábado) e o filme nacional Tito e os pássaros (com 13 sessões a partir de domingo). Personagens extravagantes como o pato que quer ser Papai Noel dominam o primeiro filme, assinado por Benjamin Renner e Patrick Imbert. Tito e os pássaros, a outra animação, é assinada pelo trio Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto. Já apresentado em Annecy (França), o longa é pré-candidato ao Oscar de 2019. Nele, a identidade de um menino é reafirmada, pela busca do pai, envolvido numa pesquisa musical que pode curar uma epidemia. Domingo, dia 18 de novembro, às 15h45, Gustavo Steinberg proferirá a palestra Perspectivas da Animação Contemporânea, no Cine Brasília, entre outros destaques do Biff.

(foto: Reprodução da Internet)
(foto: Reprodução da Internet)
Três perguntas / Nilson Rodrigues


Quais os ganhos da cidade com o Biff?
Em média temos, a cada edição, um público de 16 mil espectadores. Você cria hábitos culturais, pela frequência e pela prática com que oferta os bens culturais. Brasília, embora tenha um público cinéfilo expressivo, nunca ficaria saturado, em termos de progressiva ampliação de programações como as do Biff. Projetos e mostras desta natureza, especialmente pelo envolvimento de jovens, renovam-se. Ao longo do tempo, há uma tendência de refinamento do gosto do público. Isso acontece, naturalmente, nas áreas da literatura, do teatro e da música. Com o Biff, há uma elevação do nível da oferta dos filmes. São títulos, e apresentamos filmes premiados em festivais como os de Berlim e de Cannes.

Que investimentos demandam o evento e quais as perspectivas de sua continuidade?
O investimento, em média, é da ordem de R$ 500 mil. Pequeno, para as proporções pretendidas. É limitante, mas contamos com apoios para iniciativas fundamentais como os debates com as vindas de realizadores internacionais dos filmes apresentados. Temos recursos do governo local e da iniciativa privada. Nas edições futuras, temos como pretensão ampliar estes investimentos em cultura. Não há ganhos apenas simbólicos, mas também econômicos, segundo dados não só do Ministério da Cultura, mas de vários organismos. Com o Biff, há afirmação de identidades e da diversidade, além de geração de emprego e renda.

O que destacaria nesta edição?
Um dos pontos interessantes é o de que, pela primeira vez, não houve repetição de países produtores de cada título a ser apresentado na competitiva. O filme do Spike Lee é adequado ao momento que vivemos, nesta pré-estreia de Infiltrado na Klan. Respeito à diversidade, ao gênero, à raça e à religião. É preciso reafirmar a sociedade democrática. O filme apresenta um período sombrio que rechaçamos, um tempo de intolerância. A agressão ao diferente é inaceitável. Seremos sempre iguais, nos direitos. Além disso, o encerramento do Biff promete com a participação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro e trechos das trilhas de filmes de Sam Peckinpah.

Mulheres em evidência, na competitiva


Vírus tropical
• Com o apoio da criatividade de sete animadores, o diretor Santiago Caicedo desfila o destino de Paola que, pela visão diferenciada, se vê inapta a morar tanto no Equador quanto na Colômbia, locais capazes de lhe imporem preconceitos.

Fuga
• Da união entre Polônia, República Tcheca e Suíça nasceu o longa assinado por Agnieszka Smoczynska. Na trama estão as autodescobertas de Alicia, dona de uma vida passada que teima em escapar de suas mãos.

A terceira esposa
• O filme de Ash Mayhair mostra um implacável Vietnã rural do século 19, no qual a protagonista depende do nascimento de um filho homem para consumar a  felicidade, mesmo entregue a casamento arranjado.

Memória Biff Sete caixas 
• Entre a programação, nos dias 11 (no Sesc da Ceilândia) e 18 de novembro, no Cine Brasília, o festival recupera filme de Juan Carlos Maneglia e de Tana Schémbori, consagrado no evento. Sete caixas teve orçamento de US$ 500 mil, e exploração de aspectos tão divertidos quanto humanistas. Maior êxito do cinema paraguaio, apresenta um rico caldeirão cultural dentro da ação em uma feira comercial. Suspense e de comédia se equilibram.

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