Tarcila Rezende - Especial para o Correio
postado em 19/11/2018 06:30

Houve uma época em que o Eixo Monumental era praticamente uma passarela, onde os carros desfilavam em alta velocidade no meio de uma cidade quase deserta e sem trânsito. Nos anos 1960, ganhou destaque a corrida automobilística ;500km de Brasília;, e era considerada uma das mais importantes do país.
Em um tempo em que Brasília tinha aproximadamente 400 mil habitantes, as corridas conseguiam cativar ao menos 100 mil pessoas na Rodoviária para acompanhar os pilotos. Mas foi em 1967 que tudo mudou na história de Brasília e do automobilismo brasileiro. A corrida ganhou o protagonista, o carro Patinho Feio.
Agora, O Fantástico Patinho Feio chega ao cinema comercial e poderá ser conferido no Cinemark em 20 salas de 19 cidades do país nesta quinta-feira, sempre às 19h pelo Projeta às 7, parceria da Cinemark com a Elo Company que abre uma nova janela para o cinema brasileiro
Construído pelos quatro amigos Alex Dias Ribeiro, Helládio Toledo, Zeca Vassalo e João Luis, na improvisada oficina Camber, Patinho Feio foi fruto de um sonho de participar de uma prova dos 500km de Brasília. Com o prazo apertado de apenas 21 dias, realizaram com improviso, poucos recursos e muita disposição o carro que, até hoje, permanece intacto. E mesmo que os quatro amigos eram tratados pelos outros pilotos como ;os meninos;, a criação do carro foi um acontecimento na cidade. Eles escutavam conversas nos barzinhos se o Patinho Feio realmente ia ficar pronto, além da curiosidade das pessoas para saber quem eram esses garotos.
Foi essa história que provocou o diretor Denilson Félix (As coisas acontecem e Marcelo Bousada, quem?), a realizar o documentário O Fantástico Patinho Feio, eleito como melhor filme na Mostra Brasília, do 50; Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ganhando o Troféu Câmara Legislativa de 2017. ;Contar essa história é uma obrigação cinematográfica e uma necessidade histórica. Tenho para mim, que estes quatro jovens, por tudo que eles fizeram e da forma como tudo aconteceu, estavam dentro de uma onda cósmica, uma energia ímpar, que assolou o mundo no ano de 1967;, disse o diretor.
Empreendorismo
Segundo Denilson Félix, ele queria levar para as pessoas que desconheciam a história a mesma sensação de descoberta que ele teve ao longo do processo de filmagem do documentário. ;Eu não esquematizei como deveria ser perguntas e respostas, queria ter o prazer das surpresas ao longo do processo de filmar. Foi exatamente o que ocorreu, a cada entrevista, eu me sentia um curioso sendo alimentado de informações e de histórias;, conta o diretor.
Apaixonado pela história do Patinho Feio e tudo que envolveu sua criação, Denilson Félix diz que o documentário vai além de registrar o acontecimento de Brasília. ;Do meu ponto de vista ; que nunca fui fã carros ; é um filme que fala de sonho e de empreender. É um filme que diz ;olha só, se você se dedicar muito, você pode conseguir;;, afirma Félix.
Ao mesclar imagens atuais e da época em que o carro foi construído, o documentário mostra, claro, a história de paixão pelo automobilismo. ;Foi toda nossa energia para aquele carro. A gente fez com muita dedicação e devoção. Viramos noites e foi um negócio extraordinário para quatro moleques entre 18 e 16 anos;, disse um dos criadores do Patinho Feio, Alex Dias Ribeiro.
E para compor o time de entrevistados, além dos criadores de Patinho Feio, o filme conta com depoimentos de personalidades ligadas ao esporte, como o bicampeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, o jornalista Reginaldo Leme e o historiador Roberto Nasser. ;Gente apaixonada vai existir, sempre. Mas hoje pra você fazer uma coisa desse tipo, imagine o dinheiro que teria que ter para equipamentos e engenheiros?;, indagou o jornalista de automobilismo Reginaldo Leme durante o documentário.