Publicidade

Correio Braziliense

Conheça alguns dos principais maestros e maestrinas do Distrito Federal

O DF tem um belo histórico na formação de músicos brasileiros. O Diversão & Arte fez uma lista com os principais nomes


postado em 21/11/2018 07:00 / atualizado em 21/11/2018 10:15

Brasília vivia os primórdios, quando, em 1963, o idealismo de Levino de Alcântara, um professor pernambucano, radicado na nova capital, o levou a criar a Escola de Música de Brasília. Antes, ele havia formado no Centro de Ensino Médio Ave Branca, em Taguatinga, um coral que serviu de embrião para o Madrigal de Brasília.

Levino foi descoberto em Recife pelo maestro Eleasar de Carvalho, à época diretor da Orquestra Sinfônica Brasileira, que o levou para o Rio de Janeiro. De lá, ele veio morar em Brasília, onde, depois de aprovado em concurso público, se tornou professor de música da Fundação Educacional do Distrito Federal, e logo iniciou a atividade de maestro. Surgia ali o pioneiro de um ofício que, posteriormente, seria exercido por muitos seguidores.

Outra referência nessa área, o maestro manauara Cláudio Santoro, formado pelo Conservatório de Música do Rio de Janeiro, ao se transferir para Brasília, criou o Departamento de Música da Universidade de Brasília. Em 1979, ele fundou a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, grupo musical, hoje, com boa avaliação no Brasil e no exterior. Entre os maestros que surgiram em seguida, há os que foram discípulos de Santoro, como o falecido Sílvio Barbato, Emílio de César e Cláudio Cohen, atual regente da OSTN.

Alguns dos maestros com atuação na cidade falaram ao Correio sobre a trajetória e o trabalho que realizam à frente de orquestras e de corais da cidade, que resultam em importante contribuição para a cultura musical brasiliense.

(foto: Paulo Bandeira/Divulgação)
(foto: Paulo Bandeira/Divulgação)

Claudio Cohen 
» Regente titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional desde 2011, Cláudio Cohen está ligado ao tradicional conjunto desde a fundação. “Eu tinha 16 anos, e, em março de 1979, como violinista, participei da fundação da orquestra, criada pelo maestro Cláudio Santoro. No início da década de 1990, me tornei spalla e fui diretor executivo no período em que o Sílvio Barbato exerceu a direção artística”, lembra. “Quando assumi o comando, promovi alguns festivais de ópera e tempos depois passei a incluir temas de filmes clássicos em nosso programa, o que contribuiu para conquistar novos espectadores para nossos concerto”, acrescenta o maestro, que já regeu outras orquestras no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, Ásia, América Central e América Latina.

Emílio de César 
» Regente do Madrigal de Brasília por 31 anos, entre 1968 a 1999 — parte desse período como assistente de Levino Alcântara, a quem tem como mestre. Com uma impressionante bagagem musical, Emílio de César já teve sob sua batuta orquestras diversas, entre as quais a da Escola de Música de Brasília, a Sinfônica do Teatro Nacional e outras orquestras e corais no Brasil e exterior. “Na OSTN, inicialmente, fui assistente do maestro Cláudio Santoro e, depois, ocupei o cargo entre o final de 1981 e 1985”, recorda-se. O maestro agora dá nome a uma escola de música criada no Itapoã. “Recebi essa homenagem em função do projeto social que desenvolvo há sete anos naquela cidade, voltada para jovens carentes. Lá, criei uma orquestra de cordas, uma banda marcial e um coro, com o apoio de mantenedores”, revela.

(foto: Anthony Kunze/Divulgação)
(foto: Anthony Kunze/Divulgação)

Jorge Antunes 
» Graduado em violino, composição e regência pela Escola de Música da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), o maestro carioca Jorge Antunes é precursor da música eletrônica no Brasil. Com pós-graduação em composição pelo Centro Latino-Americano de Altos Estudios Musicales, fez parte do corpo docente da UnB entre 197 a 2011. Naquela instituição, dirigiu o Laboratório de Música Eletroacústica e foi professor de composição musical, contraponto e fuga e acústica musical. Entre as obras do mestre destacam-se as óperas Vivalldia (1975), Quorpo santo (1983), A borboleta azul (1995), Olga (2006) e Olympia ou Sujadevez (2016).

David Junker 
» Discípulo de Levino de Alcântara e Cláudio Santoro, David Junker é de uma segunda geração de maestros de Brasília e foi fundador e regente do Coral da UnB e do Coro Sinfônico daquela universidade, dos quais está afastado atualmente. “No momento, faço pós-doutorado em regência, no Campbells Ville University, em Kentucky (EUA), onde fico até 2019”, diz. Junker foi o criador da tradicional Serenata de Natal, que conta com a participação de estudantes de diversos cursos da universidade.

Joel Barbosa 
» Um dos mais antigos professores da Escola de Música de Brasília e regente da orquestra e da superbanda da instituição, Joel Barbosa foi assistente da maestrina Elena Herrera na Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, por três anos. “Sou graduado em trompete e composição e tive David Junker como professor de regência. Fiz pós-graduação na Unicamp, e regi a Orquestra Sinfônica Matanzas, em Cuba”, conta.

Thiago Francis 
» Com trabalhos à frente de vários grupos, o maestro Thiago Francis tem agora sob a sua batuta a Orquestra Filarmônica de Brasília, que, na próxima semana, faz concerto, tendo o cantor Jorge Vercillo como convidado. “Sou professor de violino da Secretaria de Educação, onde desenvolvo projetos de educação musical e formação de bandas sinfônicas jovens”, observa.

Manoel Carvalho 
» Pernambucano de Palmares, professor aposentado da Escola de Música e ex-integrante da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, Manoel Carvalho criou, há 36 anos, a Brasília Popular Orquestra, que, na semana passada, lançou um DVD com o registro do trabalho que desenvolveu. “Com a Brapo, que é uma big band brasiliense, temos nos apresentado em vários palcos da cidade, recebendo o reconhecimento do público”, celebra.

(foto: Carlos Barreto/Divulgação)
(foto: Carlos Barreto/Divulgação)

Glicínia Mendes 
» Aluna da última turma do maestro Cláudio Santoro na Universidade de Brasília, a maestrina Glicínia Mendes já regeu vários grupos, como a Orquestra Jovem de Brasília e a Orquestra Sinfônica da Escola de Música. “Desde 1986, sou regente do Coral do Senado, que tradicionalmente faz concertos de gala semestrais. Com o coral, fizemos a premier da Missa Tango, de Martin Palmieiri, aqui em Brasília, no Carnegie Hall, em Nova York e no Konzer Hall, em Viena (Áustria)”, frisa.

Joaquim França 
» Maestro pop, Joaquim França foi discípulo de David Junker na UnB. Ali, ainda como aluno, regeu a Orquestra de Cordas. “Fui assistente do maestro Sílvio Barbato por quatro anos e estive à frente da Orquestra Filarmônica de Brasília por 19 anos, com a qual produzi concertos populares, tendo como convidados os cantores Fagner, Guilherme Arantes, Daniel e a cantora Fafá de Belém”, comenta.

Isabella Sokeff 
» Mestra em regência coral pela universidade de Missouri, em Columbia (EUA), Isabela Sokeff tem licenciatura em música pela UnB. Regente do Madrigal de Brasília, há um ano, está à frente também do coral Cantus Firmus, com o qual já fez apresentações na Europa, África, América do Norte e América do Sul. “O Cantus Firmus tem dois CDs, lançados em 1999 e 2010. Recentemente, fomos premiados no World Choir Games, na África do Sul, cantando música folclórica brasileira”, destaca.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade