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Correio Braziliense

Oficina, festa e mostra de cinema fazem parte de festival LGBT

Dois festivais dão visibilidade à cultura LGBT e trabalham para a criação de mercados


postado em 29/11/2018 06:30 / atualizado em 29/11/2018 15:28

A paulista Aretha Sadick, multiartista trans, fará a abertura do festival na CAL(foto: Instituto LGBT /Divulgação)
A paulista Aretha Sadick, multiartista trans, fará a abertura do festival na CAL (foto: Instituto LGBT /Divulgação)

 

“Esse é um momento estratégico e urgente para a comunidade LGBT+. Precisamos fortalecer os nossos laços comunitários. A cultura, a arte e a memória são ferramentas para esses laços”. É assim que Felipe Areda, diretor do Instituto Cultura Arte Memória LGBT, explica a importância de eventos como os festivais Urbana: O corpo e a criação da liberdade e Quanta Resistência!, que invadem a programação do DF nos próximos dias.

Lélia de Castro, um dos nomes por trás do Quanta!, evento voltado para a comunidade LBT (lésbica, bissexual e trans), concorda: “O momento que a gente vive agora só intensificou a questão da violência e da invisibilidade. Não que não tenha acontecido antes. Então, a importância é dar visibilidade e criar um mercado, abrir possibilidades para essas pessoas apresentaram seu trabalho”.

O primeiro festival, o Urbana: O corpo e a criação da liberdade, tem início amanhã, a partir das 10h, na Casa de Cultura América Latina, no Setor Comercial Sul, e segue até domingo. Na programação, oficinas, festa, mostra de cinema e uma cerimônia de inauguração do Ateliê de Dança “Carlinhos Machado”, a primeira sala do Instituto Cultura Arte Memória LGBT na CAL.

 “Esse é o começo da sede do instituto e para isso resolvemos construir um festival junto com a CAL e a Secretaria de Cultura do DF. Queríamos um festival de artes urbanas LGBT com foco no pensamento sobre o corpo”, revela Areda. O espaço ganhou o nome de Ateliê de Dança “Carlinhos Machado” em homenagem ao dançarino do grupo Dzi Croquettes alinhado à contracultura.

Esse é o primeiro espaço do instituto, que foi convidado para fazer uma ocupação na CAL. “Lá dentro estamos construindo tanto essa sala de dança quanto uma biblioteca comunitária. Para a gente esse é um espaço muito estratégico, porque fica no Setor Comercial Sul, uma região central e um lugar histórico de convivência LGBT na cidade”, completa.
 
Atrações

Com o objetivo de fomentar a cultura LGBT e marcar a inauguração da sala, o festival Urbana terá três dias de programação gratuita com uma curadoria pensada com algumas datas específicas do período: o mês da consciência negra e da memória trans, em novembro, e o mês da luta contra a Aids, em dezembro. “A gente construiu uma curadoria com foco em trazer artistas jovens que estão pensando o corpo nos seus processos criativos”, conta o diretor.

Dessa forma, o evento chegou aos nomes dos dançarinos de vogue Félix Pimenta (São Paulo) e Ákira Avalanx (Campinas), da dançarina e DJ Carol Neves (Salvador), da multiartista trans Aretha Sadick (São Paulo), entre outros, para ministrar as oficinas. 

Apesar de a dança vogue ser um dos principais destaques da programação, outras expressões corporais também fazem parte do festival Urbana, como a dança afro e o passinho. A inauguração oficial do Ateliê de Dança será amanhã, a partir das 19h ,no Auditório Gonzaguinha. No encerramento da programação, o destaque fica para Exposição de cinema Cine Urbana com Bruno Victor e Marcos Azevedo, do documentário premiado Afronte. “Esse será um espaço que vai ser mais voltado para agregar e incluir diferentes coletivos artísticos ligados à dança e a outras artes do corpo, como o teatro, a performance e a música para pesquisa”, comenta o diretor do instituto sobre a função do Ateliê de Dança.

Idealizadora do Quanta!, escritora e cantora Tatiana Nascimento faz show na nova edição(foto: Daniela Vieira/Divulgação)
Idealizadora do Quanta!, escritora e cantora Tatiana Nascimento faz show na nova edição (foto: Daniela Vieira/Divulgação)


Segunda edição

Após um lançamento no ano passado, o Quanta! está de volta, agora, em formato de festival batizado de Quanta Resistência.! O evento será em 9 de dezembro, a partir das 11h44, no Outro Calaf. Idealizado pela escritora e cantora Tatiana Nascimento, da Padê Editorial, o evento tem como proposta trazer para os palcos, espaços de arte e casas de cultura diversas linguagens culturais de artistas lésbicas, bissexuais e transexuais. “Queremos visibilizar e criar espaço para construir público e também propiciar o encontro para troca entre as artistas”, explica Lélia de Castro.

A segunda edição traz Tatiana Nascimento, Pietra Sousa, Rainhas do Babado, Thabata Lorena, Nina Ferreira, Raquel Reis, Letícia Fialho, Nebulosa Stoppa e Andreia Nayrim. Além da programação musical, que começa a partir das 17h44 — em referência ao número 44, elemento simbólico da cultura lésbica — , o festival terá ainda outras atrações como a Feyra de Publicadoras Semilla, a oficina de autodefesa e a aula de dança com Tauana M.. “Vale destacar que o Quanta Resistência! será em comemoração a Declaração Universal dos Direitos Humanos. É uma forma de pensarmos os nossos direitos em quanto pessoas LBT, de existir, de amar”, afirma Lélia de Castro. 
 
Urbana: O corpo e a criação da liberdade
Casa de Cultura da América Latina (SCS, Qd. 4, Ed. Anapólis). Sexta e sábado, a partir das 10h. Domingo, a partir das 14h. Entrada franca mediante inscrição no site https://doity.com.br/urbana. Classificação indicativa livre.

2º Quanta! Resistência — Festival LBT
Outro Calaf (SBS, Qd. 2, Bl. Q). Em 9 de dezembro (domingo), a partir 11h40. Abertura da Feyra de Publicadoras Semilla. Às 15h, oficina de autodefesa. Às 16h, aula de dança com Tauana M.. Às 17h44, início da programação musical com apresentação musical. Entrada a R$ 10 (antecipado pelo www.sympla.com.br) e R$ 15 (na hora). Classificação indicativa livre.

 

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