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Correio Braziliense

Seis novas apostas musicais brilham, fora do circuito do Plano Piloto

Do hip hop engajado de Heitor Valente à MPB de Mavyn, passando pelas batidas da DJ Savana, conheça a rota das novidades na música local


postado em 04/12/2018 06:55

Heitor Valente: atividades culturais se estendem desde a produção musical, passando pelo rap e pelo hip-hop(foto: Thais Batalha / Divulgação)
Heitor Valente: atividades culturais se estendem desde a produção musical, passando pelo rap e pelo hip-hop (foto: Thais Batalha / Divulgação)

 
Não é de hoje que Brasília é reconhecida por revelar nomes na área musical. Daqui saíram nomes como Legião Urbana, Cássia Eller, Ellen Oléria e tantos outros. A cena musical da capital não parou no tempo e ainda apresenta novos artistas que têm tudo para despontar: da MPB de Mavyn às batidas da DJ Savana, passando pelo hip hop engajado de Heitor Valente. Conheça seis novas apostas que fazem carreira fora do Plano Piloto e estão chamando a atenção na cena musical brasiliense!
 
Heitor Valente 
 
Agente cultural, sócioeducador em unidades de internação, produtor musical, compositor e rapper. Esse é Heitor Valente, que vem se destacando na cena do hip-hop e de projetos educativos pelo DF. Inspirado pelas rodas de samba que frequentava quando era pequeno, e pelas poesias de cordel escritas pelo seu tio, foi no hip-hop que Heitor encontrou sua grande admiração em artistas locais como Japão, do Viela 17, GOG e Câmbio Negro. “A música é a expressão da alma. É o resultado da vivência com a capacidade criativa, é o poder de sintetizar em arte aquilo que vivemos e aprendemos no dia a dia”, afirma o rapper. Heitor Valente lançou o primeiro álbum, O legado, em maio de 2017, com nove canções que abordam questões sobre a desigualdade social, empoderamento e valorização da periferia e cultura urbana. Entre as cidades que mais costuma cantar está Ceilândia, onde cresceu e mora. Ele participa dos encontros de rap e de grandes festivais como o Elemento em movimento. Com 29 anos, Heitor é idealizador de diversos projetos voltados para o fortalecimento da cultura hip hop no Distrito federal, entre eles o PROJETO RAP (Ressocialização, Autonomia e Protagonismo), desenvolvido nos centros de internação infanto-juvenil do DF. 

Marvyn 
 
Carioca da gema e brasiliense de coração desde os 8 anos de idade, Marcus Vinicius Paschoal, mais conhecido como Marvyn, vem agitando a cena musical brasiliense com o melhor da MPB. Influenciado desde pequeno pelo pai, o músico tem como inspiração ícones da MPB, entre os quais Djavan, Jorge Ben Jor e Sandra de Sá. “Essa galera me inspira até hoje, não só musicalmente, mas também na minha opinião, pois eles são os pilares da música negra brasileira, gênero que eu defendo”, explica o músico. Hoje, com 30 anos, morando na Candangolândia, e tocando profissionalmente desde 2009, Marvyn começou a ter  ascensão em 2017, quando fez mais de 400 shows, a maioria em Brasília, em bares, festas e eventos particulares. Entre covers e canções autorais, o cantor segue uma linha musical variada, não se prendendo a um único gênero.“Nas noites eu apresento um bastante variado, que eu costumo dizer que é um verdadeiro passeio pela música brasileira como um todo” , conta Marvyn. Para o cantor, a música traz a oportunidade de fazer com que ele possa ajudar de alguma forma as pessoas, levando autoestima e mensagens de empoderamento e aceitação. “A música sempre significou muito para mim e eu costumo dizer que ela é mágica, pois tem o poder de nos fazer lembrar momentos, de intensificar sentimentos e dedifundir informação. Na minha vida a música trouxe voz, autoestima; fez de fato me sentir vivo e me deu a oportunidade de poder conseguir fazer a diferença de alguma forma na vida das pessoas”, revela. 

Menestrel 
 
Um rapper inspirado por composições de Cássia Eller e Zélia Duncan, pela sonoridade e representatividade de Froid, Filipe Ret e 3030, e pelo estilo musical do cantor americano de R&B e soul 6LACK. É com essa ecleticidade musical que Yan Vinicius Alves, mais conhecido como Menestrel, de apenas 19 anos, vem se destacando na cena musical brasiliense.  Inserido no universo musical desde pequeno, vindo de uma família por parte de pai composta por músicos, compositores e dançarinos, o rapper conta que  a música representa muito para ele. “Meu interesse pela música vem de muito novo. A música sempre significou muito na minha vida, ela conversa diretamente com nosso coração e com a sensibilidade que carregamos desde quando nascemos. Desde bebê a música me acalma e me traz diversas sensações indescritíveis”, explica. Menestrel lançou em 2017 o primeiro disco, Relicário, formado por composições autorais “baseadas na minha vivência, nas pessoas que me cercam e no que vem acontecendo no mundo em que vivemos”. Ainda neste ano, o rapper vai lançar o segundo disco, Tô fazendo nada, em que mostra toda a pluralidade musical, advinda das inspirações de artista de variados gêneros. “Tô fazendo nada representa a mudança da sonoridade que trabalhei até então somada à felicidade que venho tendo diariamente de trabalhar com a música”, adianta Menestrel.
 
DJ Savana, de Samambaia: sucesso fora das convenções(foto: Nathália Millen / Divulgação)
DJ Savana, de Samambaia: sucesso fora das convenções (foto: Nathália Millen / Divulgação)
 

DJ Savana
 
DJ Savana é maranhense de Imperatriz e vive em Samambaia desde 1990. Ela começou a carreira há pouco mais de cinco anos, quando colecionava vinis. “Um amigo grafiteiro me disse que aquelas preciosidades deviam ser tocadas para que todos pudessem ouvir”, ela lembra. Por mais que tenha passado pela maioria dos bailes black que ocorrem no Distrito Federal e já ter tido a oportunidade de abrir shows de artistas de renome no rap nacional, Savana deixa clara a preferência e a importância de marcar presença no cenário das cidades-satélites. “Toco principalmente nos eventos promovidos pela própria comunidade periférica, fortalecendo a cena da quebrada”. Ela destaca o Elemento em movimento, festival que deu voz a diversos artistas fora do eixo central de Brasília e movimentou a Praça do Trabalhador, em Ceilândia, no fim do mês de outubro deste ano e onde ela tocou no palco principal. “Costumo dizer que quando estou tocando, estou discursando”, Savana define. “Estou, por meio da música, afirmando o orgulho da minha identidade negra, periférica, nordestina e de mulher”, completa.

Felipe Santzu
 
Direto do Gama, Felipe Santzu começou a dar voz à necessidade de se expressar com o rap nos últimos anos da escola, durante o ensino médio. Na época, ouvia principalmente os grupos Racionais MCs e Tribo da Periferia, além do paulistano Emicida. Hoje, ele já se apresentou em Goiânia e em Santa Catarina, além de diversas casas de show em Brasília. Apesar do discurso que valoriza o circuito Rio-São Paulo para produção artística, Santzu acredita que a internet mudou essa dinâmica e expandiu fronteiras. “Eu percebo que a maior parte do meu público nem é de Brasília, é de fora daqui. Mais importante que pensar nesses problemas, para mim, é pensar em soluções para superá-los”, ressalta. Com 25 anos, Felipe vive da música desde 2016, além de trabalhar também com arte na área de produção digital. “O rap vem numa crescente bacana desde 2014, quando eu comecei a acompanhar mais”, ele explica. “O rap nacional tem crescido bastante e em Brasília não é diferente. As casas de show começam a se movimentar mais e dar mais oportunidades para os artistas.” Entre os nomes da música que têm se destacado no Distrito Federal, ele aponta Froid, Sampa, Menestrel, Heitor Valente. Santzu deve lançar em breve a faixa Lúcifer, com videoclipe disponível no YouTube.
 
Rapper Layla Moreno: um nome a ser guardado(foto: Allef / Divulgação)
Rapper Layla Moreno: um nome a ser guardado (foto: Allef / Divulgação)
 
 
Layla Moreno 
 
Layla Moreno vem do Varjão e, com 24 anos, comanda o salão de beleza Afro Itinerante Brasília. Na música, lançou o EP Vermelho Bordô . Ela começou no rap aos 15 anos, após compor para se apresentar num concurso de beleza promovido na escola, no dia da Consciência Negra. Layla e Savana compartilham do mesmo posicionamento em relação à presença de mulheres negras e que vêm da periferia na cena brasiliense. “Com o crescimento do debate acerca de pautas raciais e de gênero, as produções de evento se sentem mais pressionadas a contemplar artistas que representem essas questões”, explica Savana. “Assim, procuram formar line-ups com pelo menos uma mulher. Se ela for negra, o apelo de representatividade se amplia. No frigir dos ovos, recebemos cachês menores e o evento acha que cumpriu seu papel de politicamente correto”, completa. “Hoje, a cena não está tão machista”, expõe a rapper Layla. “A gente tem muitas mulheres, mas ainda sinto que, às vezes, é meio por cota. Normalmente os lugares só chamam uma mulher e colocam ali no pior horário, só pra mostrar que tem uma mulher, e não para valorizar o talento dela e o quanto ela é boa”. Layla não dispensa, em suas letras, trazer reflexões sobre a força feminina vinda da periferia. O EP Vermelho bordô, de Layla Moreno, está disponível nas plataformas digitais como o Spotify. Todas as quatro faixas também têm clipes gravados e disponíveis no YouTube. 
 
 
* Estagiários sob a supervisão de Vinicius Nader 
 

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