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Correio Braziliense

Nicolas Behr lança box com cinco livrinhos mimeografados

O evento será nesta quarta-feira às 18h, no Beirute, nesta quarta-feira


postado em 05/12/2018 07:00 / atualizado em 05/12/2018 09:30

Nicolas Behr: ele construiu uma vasta obra em 40 anos de carreira no circuito alternativo(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 11/7/18)
Nicolas Behr: ele construiu uma vasta obra em 40 anos de carreira no circuito alternativo (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 11/7/18)


Um dos grandes nomes da geração mimeógrafo e da poesia marginal ganha homenagem nesta quarta-feira (5/12), no Beirute da 109 Sul. Trata-se de ninguém menos que o poeta cuiabano, radicado em Brasília, Nicolas Behr. Ele relança os cinco primeiros livros da carreira, impressos em mimeógrafo nos anos de 1977 a 1979. A editora Semin, responsável pela homenagem, traz os títulos Iogurte com Farinha, Grande Circular, Caroço de Goiaba, Chá com Porrada e Bagaço.

“Estou muito feliz com o relançamento dos livros, porque muita gente perdeu e agora tem a chance de tê-los guardados em uma caixinha toda caprichada, artesanal”, diz Nicolas. Muito jovem quando lançara os livrinhos, o escritor faz autocrítica: “A minha poesia não tinha criatividade, era só um desabafo, algo banal”.

Durante as décadas de 1970 e 1980, a poesia marginal era uma febre. Sob a pressão de um momento conturbado da história do Brasil, a ditadura militar, o movimento era o meio que os poetas tinham para se expressar. “Foi um movimento forte, nós mesmos escrevíamos e vendíamos e circulava muito bem. Com o mimeógrafo era muito fácil e barato produzir e foi uma verdadeira febre”, relembra o poeta.

Repressão

“Havia uma repressão ideológica, e nós, com nossa poesia, rompíamos isso”, conta Behr, que foi preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) em agosto de 1978, após lançar Grande Circular, Caroço de Goiaba e Chá com Porrada. “Naquele tempo havia um ambiente de insegurança, não tínhamos garantias individuais.  O DOPS foi lá em casa achando que era uma espécie de central do mimeógrafo, mas não acharam nada. Então, me enquadraram ‘posse de material pornográfico’ e apreenderam todos os meus livrinhos”, recorda. Durante o tempo do processo, o artista estava impedido de publicar e de se ausentar da capital federal. “Naquela época, eu, magrinho, com 20 anos, pensei, ameaço tanto o estado brasileiro assim?”. Foi julgado e absolvido em março de 1979.

O relançamento dos livros coincide com o país agora também estar em um momento turbulento. “Atingimos uma maturidade que não justifica a volta desses tempos, não podemos regredir, não faz sentido”, afirma Nicolas Behr. “As pessoas dizem que os anos 1970 que eram uma maravilha, glamourizam a época, mas era terrível, um verdadeiro sufoco”.

Na capital desde 1974, escreveu mais de 30 obras em seus mais de 40 anos de carreira. Teve o perfil traçado pelo jornalista Carlo Marcelo no livro Nicolas Behr - Eu engoli Brasília, e a sua arte é objeto de estudo de diversas dissertações de mestrado.

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco

Lançamento do box com cinco livrinhos mimeografados de Nicolas Behr
Bar Beirute (109 Sul). Quarta, às 18h. Box com os livrinhos de Nicolas Behr, Iogurte com Farinha, Grande Circular, Caroço de Goiaba, Chá com Porrada e Bagaço: R$ 35. Classificação indicativa livre.

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