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Correio Braziliense

Quatro décadas de muito sucesso caipira e de causos variados na música

Umas das duplas mais importantes do Brasil, Zé Mulato e Cassiano comemoram quatro décadas em show com orquestra e causos


postado em 11/12/2018 06:44

Cassiano e Zé Mulato, pela ordem: undos há quatro décadas(foto: Fernandes / Divulgação)
Cassiano e Zé Mulato, pela ordem: undos há quatro décadas (foto: Fernandes / Divulgação)

 

Quando chegaram a Brasília, em 1969, vindos de Passa Bem, no sudeste de Minas Gerais, José das Dores Fernandes, o Zé Mulato, e João Monteiro da Costa Neto, o Cassiano, passaram a ajudar o pai Sebastião Fernandes, que era pedreiro e pintor de parede. A família morava numa casa de madeira, na Vila Planalto, onde o irmão de criação, Dario Taciano, recebeu acolhida.

“Na adolescência, em Passa Bem, conheci um andarilho chamado Raimundo Roda, que tirava um som bonito da viola, contava causos, e as pessoas se reuniam para ouvi-lo. Ele me ensinou a tocar viola e atirar alguns ponteados”, conta Zé Mulato, lembrando como foi sua iniciação musical. “À época, com atenção, eu escutava Vieira & Vieirinha, Zé Carreiro & Carreirinho, entre outras duplas, no rádio”, acrescenta.

Aqui, na capital, Zé Mulato e o conterrâneo Taciano, que era um bom violeiro e gostava de Tonico & Tinoco, se juntaram para tocar e cantar. “Depois de vários ensaios, cheios de coragem, fomos fazer uma apresentação no programa de Valdeci de Castro, na Rádio Nacional. Ele gostou e abriu um espaço de meia-hora no programa dele, às quintas-feiras, para nós. Continuamos a tocar na rádio mesmo depois que o Darlei Tavares substituiu o Valdeci”, recorda-se.

Estreia

Demorou um pouco para a estreia em público e quando isso ocorreu, o irmão Cassiano já havia ocupado o lugar de Taciano. “Isso foi na inauguração de uma farmácia em Ceilândia, a convite da dupla Zê Venâncio e Saulino, que era a atração da festa. A partir dali começamos a fazer pequenos shows em algumas cidades do DF e também em Santo Antônio do Descoberto (GO). Mas ficamos mais conhecidos depois que o Jorge Ferreira nos levou para tocar no Feitiço Mineiro”, relata Zé Mulato.

Para ele, tudo o que ocorrera, até então, serviu de base para, oficialmente, dar início à carreira artística, em 1978, com a gravação do primeiro disco, intitulado Zé Mulato & Cassiano interpreta a música de Zé Carreiro & Carreirinho. “Era a nossa homenagem à dupla caipira por quem tínhamos grande admiração.”

Em seguida, os irmãos gravariam outros cinco LPs, para, na sequência, ficarem 14 anos sem entrar num estúdio. Em 1997, Pena Branca & Xavantinho, que então faziam muito sucesso, vieram fazer um show na AABB e se encontraram com a dupla mineira-brasiliense. Ao saberem que os amigos estavam sem gravadora, os indicou à Velas. “No mesmo ano, gravamos e lançamos Meu céu, nosso primeiro CD. O título do disco é o mesmo de uma música, parceria minha com Xavantinho”, frisa Zé Mulato.

Hoje (dia 11/12, terça), quando celebram 40 anos de carreira, com um concerto no Teatro dos Bancários, acompanhados pela Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, Zé Mulato e Cassiano contabilizam 14 CDs, cinco Lps e um DVD lançados. “O 15º CD, com produção de Volmi Batista, está gravado, mas ainda não lançamos. São 17 composições inéditas de minha autoria. Entre as composições, está o cururu Rei caipira, que dá nome ao trabalho. Tem também duas regravações e uma delas é Rancho triste, de Xavantinho, que incluímos no repertório como tributo ao saudoso amigo”, destaca Zé Mulato.

Prêmios

Muitos são os prêmios recebidos pela dupla ao longo da trajetória de quatro décadas. Os mais importantes foram os conquistados em quatro edições do Prêmio da Música Brasileira entre 1998 e 2017. O mais recente, pelo disco-coletânea Bem humarados, levou Zé Mulato e Cassiano a serem aplaudidos novamente pela plateia que lotou Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Para Cassiano, o sucesso e respeito obtidos pelo irmão, a quem considera um gênio, e por ele decorrem da fidelidade da dupla à música caipira autêntica, preservando-a e disseminando-a em todo o país. “O reconhecimento desse trabalho pode ser avaliado na celebração dos nossos 40 anos de carreira, com um concerto inédito, tendo o acompanhamento da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, o que muito nos honra.”

O maestro Cláudio Cohen faz questão de deixar claro que a função da orquestra no concerto é acompanhar a dupla. “Criamos arranjos, ensaiamos com eles e vamos deixá-los à vontade para mostrar a música que fazem, que vai ter acréscimo da sonoridade diversa extraída pelos naipes de cordas, madeiras e metais. Essa roupagem sinfônica levamos anteriormente para os concertos que fizemos com bandas de rock e artistas da MPB, como Milton Nascimento e Toquinho; assim como nos programas em que focalizamos trilhas de filmes clássicos.”

Da programação desta noite faz parte também o lançamento do Núcleo de Ensinamento de Viola, projeto de formação musical da viola caipira, desenvolvido pelo Clube do Violeiro Caipira, com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura. O projeto é direcionado a alunos da rede pública de ensino e vai ser oferecido gratuitamente, a partir de 2019.

A aula inaugural, às 19h, é de lutheria e toques de viola, com Onício Rosa. Após o concerto de Zé Mulato & Cassiano e da Orquestra Sinfônica, sobe ao palco a Orquestra Roda de Viola. O público pode apreciar também uma exposição que celebrará a trajetória dos 40 anos da dupla, composta por fotos, cartazes, instrumentos e prêmios concedidos a eles.



Concerto Sinfônico
Apresentação de Zé Mulato & Cassiano, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, sob a regência do maestro Cláudio Cohen, no Teatro dos Bancários (entrequadra 314/315 Sul), hoje (dia 11/12, terça), às 21h. A partir das 19h, estão programadas outras atividades artísticas. A entrada é franca. Os ingressos devem ser retirados na bilheteria do teatro até às 20h. Classificação indicativa livre.



Repertório

• Candonga

• Saudação

• O direito de cantar

• Meu Céu

• Navegante das Gerais

• As vantagens da pobreza

• Devaneio

• Violeiro

• Vale Verde

• O Doutor Dos Anéis

• Recanto Sagrado

• A Viola Sabe

• Tarde Sertaneja

• Sertão Ainda É Sertão 

 

 

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