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Correio Braziliense

Vicente Sá traz um olhar diferenciado de Brasília em 'Crônicas S/A'

Obra será lançada esta quarta-feira (12/12), no Beirute da 109 Sul


postado em 12/12/2018 06:10 / atualizado em 12/12/2018 07:15

Coletânea de Vicente Sá revela aspectos pouco mostrados de Brasília (foto: Janine Moraes/CB/D.A Press - 28/5/14)
Coletânea de Vicente Sá revela aspectos pouco mostrados de Brasília (foto: Janine Moraes/CB/D.A Press - 28/5/14)

“Nas quadras finais da Asa Sul, entre a 511 e a  513, existem algumas galerias pelas quais o tempo não passa há um bom tempo”. As primeiras linhas da crônica O barbeiro poeta — terceiro texto do livro — indicam uma das grandes marcas do novo trabalho de Vicente Sá: a presença física de Brasília em um solo que mistura personagens reais e um imaginário candango, que viaja entre passado e presente.

Crônicas S/A, novo livro do autor, será lançado nesta quarta-feira (12/12), no Beirute da 109 Sul, a partir das 18h. “Brasiliense desde os 12 anos”, como gosta de repetir, Sá não é figura nova na cena literária da cidade. Com 61 anos, o autor já escreveu nove livros de poesia, e desde Brasília, ironia dos deuses, o primeiro trabalho, o morador da Asa Norte explica que amadureceu muito para dar vida a Crônicas S/A.

“Agora eu estou mais focado nas crônicas e em contar histórias nessa vertente. Eu comecei essa brincadeira no meu (perfil de) Facebook. Eu sempre publicava um texto pela manhã, e é muito interessante porque mesmo em um veículo onde os textos longos não são muito populares, eu costumava ter uma boa resposta do público”, explica Sá sobre a experiência com as crônicas ainda no ambiente on-line.

A cidade e personagens


O grande diferencial de Crônicas S/A é ser uma espécie de “olhar extra” de Brasília. Sá consegue enxergar detalhes — não só de estrutura física, ou arquitetônica, como é comum — que denotam a personalidade de Brasília. Seja nos cantos ermos, mas que já guardaram grandes momentos da capital, seja no horizonte das cidades que compõem o quadradinho, é impossível não ler a obra sem a sensação confortante de ter visto tais cenas, mas só agora estar de fato percebendo-as como reais, e não como simples paisagens de um dia corrido de trabalho.

“Eu moro em Brasília desde os 12 anos, aprendi a amar a cidade com todos seus pontos positivos e negativos, acho que hoje em dia o grande lance é o artista destacar todos esses detalhes, tudo que faz parte da cidade, e amar todos esses detalhes. Passear em uma cidade nas férias e gostar é molinho, agora ver uma cidade pela janela de ônibus todo santo dia por 30 anos e amá-la de todas as formas, isso sim significa algo, isso sim é importante”, defende Sá.

Outro detalhe salta aos olhos em Crônicas S/A: os personagens. Quase sempre sendo misto de panteão da sabedoria, e mantenedores da “alma brasiliense”. Sá explica que a criação faz parte de uma influência real com uma boa dose de imaginação: “Acho que vem do que eu vejo e crio, sabe? O (personagem) de O filósofo da Asa Norte, por exemplo, eu trabalhei com ele, e sempre o vi como uma figura de muita história e personalidade da cidade, e hoje, por coincidência, eu o encontrei na rua. Ele não é tudo que eu disse, mas ele me fornece 50% do que eu disse, ele é um cara muito bom de cabeça, a gente às vezes canaliza um discurso dos personagens que achamos que ele teria. É fácil encontrar esses personagens e escrever sobre eles quando andamos na rua, reparamos nos detalhes e nos abrimos para essas possibilidades”.

"Passear em uma cidade nas férias e gostar é molinho, agora ver uma cidade pela janela de ônibus todo santo dia por 30 anos e amá-la de todas as formas, isso sim significa algo, isso sim é importante”.

(foto: Semim Edições/Reprodução)
(foto: Semim Edições/Reprodução)
Crônicas S/A
De Vicente Sá. Beirute bar (109 Sul). Lançamento, quarta-feira (12/12), a partir das 18h. Preço: R$ 35.

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