Publicidade

Correio Braziliense

Baco Exu do Blues volta com toda força com novo disco 'Blvesman'

Rapper baiano volta com disco ainda mais forte que o anterior e traz o blues como grande inspiração para a obra


postado em 15/12/2018 06:30

Ele mistura esses símbolos atuais a um dos principais marcos da música negra, o blues, originário dos Estados Unidos(foto: Daryan Dornelles/Divulgação)
Ele mistura esses símbolos atuais a um dos principais marcos da música negra, o blues, originário dos Estados Unidos (foto: Daryan Dornelles/Divulgação)
Um homem negro toca guitarra dentro do Carandiru, um dos maiores presídios do país. Esta imagem faz muito barulho. Com autoria de João Wainer, ela foi escolhida para ser capa do álbum Blvesman, do rapper baiano Baco Exu do Blues, lançado no fim de novembro. A escolha é um forte símbolo de liberdade e combina perfeitamente com o tom do novo trabalho de Diogo Moncorvo, cheio de rimas fortes.

Com o álbum de lançamento Esu, presente em diferentes listas nacionais de melhores álbuns do ano de 2017, o artista tornou-se conhecido principalmente pelo hit Te amo disgraça. Agora, com Blvesman, ele se consagra. Transmite, pela música, o que sentiu na pele a vida toda. Menciona alguns dos mais conhecidos artistas negros da atualidade, o casal Beyoncé e Jay-Z, o rapper Kanye West. Fala sobre a vontade de, como eles, fazer história e ser reconhecido.

Ele mistura esses símbolos atuais a um dos principais marcos da música negra, o blues, originário dos Estados Unidos. “Além de ter sido o primeiro ritmo a formar pretos ricos, para mim, ele é um grande pioneiro na quebra da segregação racial nos Estados Unidos. As primeiras mulheres a entrarem pela frente nos teatros foram mulheres que tocavam blues, os primeiros negros a se hospedarem em hotéis de brancos foram homens que cantavam blues, então foram eles que começaram a quebrar essa barreira, resistiram”, ressalta Diogo.

As participações são parte essencial do álbum. Os beats de DKVPZ, JLZ e Portugal deixam a forte marca exigida pelas letras. O cantor Tim Bernardes, vocalista da banda paulista O Terno, é um dos convidados e trabalha junto ao rapper na faixa Queima minha pele e no solo de guitarra de Flamingos. Além dele, os vocais também têm a colaboração do grupo Tuyo, das cantoras 1LUM3 e Bibi Caetano. Sobre a experiência, Baco conta: “Todos são pessoas inconformadas e que lutam pela liberdade de serem livres na sua música e na sua obra, então foi muito saudável trabalhar com eles”.

(foto: João Wainer/Reprodução)
(foto: João Wainer/Reprodução)
Num momento político-social delicado, o artista ressalta que a força precisa ser dada às minorias. “Essas pessoas precisam reagir à pressão e a música é determinante nesse fator. Nós ajudamos as pessoas a terem força e atitude”. Com a diferença de um ano entre o lançamento dos dois álbuns, ele também fala sobre o crescimento e amadurecimento de seu trabalho. “Muita coisa acontece em um ano. A vida tem diversas surpresas e dentro do meu trabalho eu demonstro estes aprendizados que eu tive, tantos de decepções quanto de felicidades, está tudo presente em Blvesman.”

Em janeiro, o artista começa a turnê do álbum em Salvador. As datas e cidades incluídas serão divulgadas em breve pela equipe do cantor.

Arte visual

As fotografias usadas por Baco para anunciar cada uma das nove faixas nas redes sociais foram tiradas pela fotógrafa Helen Salomão, de Salvador, e exploram um dos principais conceitos do álbum. “É a relação entre a pele preta e a prata”, ele explica. “Todas as fotos também têm a fórmula química da prata e eu falo disso na faixa Preto e Prata.”

Junto ao álbum, foi lançado também um curta-metragem produzido numa parceria entre o Coala Festival, a agência AKQA, a Stink Films e o selo 999. A produção reflete as composições do álbum e é guiada pelos versos de Baco. Com pouco mais de oito minutos de duração e fotografia assinada por Lucas Oliveira, o material está disponível no YouTube.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

Duas perguntas / Baco Exu do Blues


Muitas das suas músicas que ficaram mais conhecidas têm uma temática romântica. Esse tema também está presente no novo trabalho?
Claro, está presente porque cobre o Blvesman, passa pelos sentimentos que o bluesman passa ao tocar o blues e o amor está muito presente no ritmo. É o amor, a perda, a tristeza, a questão da conquista também. Tudo isso tem no disco.Tudo que o blues transmite é encontrado no disco.

Recentemente o pintor recifense Samuel D’Saboia disse: “Já deu de pintura de escravo, quero ver rostospretos sentados no trono”. Nesse sentido, como você avalia o cenário da música negra no Brasil?
Com certeza está em ótimas mãos, a postura das pessoas negras que estão em destaque são exatamente essa. Eu sou amigo do Samuel e pra mim ele é um dos maiores acontecimentos da arte atual. Ouvir ele falando uma palavra dessas é muito importante para lembrar que não é só na música que precisamos ter essa postura, é em qualquer tipo de arte.
 
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade