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Correio Braziliense

As meninas comandam guitarrada no Canteiro Central

Béa e Rebeca Beckmann estão à frente da Guitarrada de las manas


postado em 20/12/2018 06:30 / atualizado em 19/12/2018 19:32

Beá e Renata Beckmann comandam o projeto Guitarrada das Manas(foto: Estúdio Tereza e Aryanne/Divulgação)
Beá e Renata Beckmann comandam o projeto Guitarrada das Manas (foto: Estúdio Tereza e Aryanne/Divulgação)

 

Gênero genuinamente paraense, a guitarrada surgiu no fim dos anos 1970, e Mestre Vieira é considerado o criador do estilo, que se inspira na fusão do choro, do carimbó, do merengue e de outros ritmos em solos da guitarra elétrica. Nesses 40 anos, a guitarrada, em sua maioria, foi representada por homens. Porém, desde o ano passado, as multi-instrumentistas Beá e Renata Beckmann fazem coro ao time de artistas do estilo representando as mulheres com o projeto Guitarrada das Manas.

Lançado no ano passado, o duo surgiu de um projeto para o Festival M.A.N.A. (Mulher, Artes, Narrativas, Ativismo) a convite da organizadora do evento, a cantora Aíla. “A intenção era fazer uma jam de mulheres. Chamamos outras instrumentistas paraenses, pegamos um repertório de músicas de guitarrada, brega e carimbó e fizemos o show no festival”, lembra Renata.

Segundo a artista, não havia uma pretensão de continuar com o projeto. “Pensei que a gente ia ficar só nisso. Minha intenção não era fazer uma banda. Até que depois do show vieram muitos convites e no final de 2017 eu e Beá decidimos continuar juntas”, revela. Para dar continuidade, a dupla bolou algumas reformulações e ampliou o repertório para além da guitarrada, que está no nome da banda. “Nosso repertório autoral passa pela guitarrada, pelo carimbó e pelo brega, mas sempre dialogando com o pop e com o rock”, define.

Projeto autoral
O projeto deu tão certo que o duo conquistou o edital do Natura Musical e lançará no ano que vem um trabalho totalmente autoral. “Vamos gravar o primeiro disco em estúdio em Belém e com alguns parceiros. O Felipe Cordeiro vai assinar a direção e vamos chamar várias participações. Estamos investindo pesado para que seja a nossa cara. Será um projeto 100% autoral, já temos algumas músicas prontas”, revela Renata Beckmann.

Parte desse repertório autoral poderá ser apreciado pelo público brasiliense no sábado, quando o duo se apresenta na festa Pequila de las Manas, no Setor Comercial Sul. “Nosso último show foi no Maranhão e ficamos muito assustadas porque foi a nossa primeira vez fora do Pará. Foi uma surpresa até para a gente. Então vai ser uma excelente surpresa para o público de Brasília. A galera pode esperar dançar bastante e vibrar com a gente, porque vamos fazer uma festa bem bonita”, garante a guitarrista.




Pequila de las Manas
Canteiro Central (SCS). Sábado, às 22h. Com show do duo Guitarrada das Manas e discotecagem das DJs Pequi e Pati Egito. Entrada a R$ 15 (antecipado e meia). À venda em www.sympla.com.br. Não recomendado para menores de 18 anos.





Duas perguntas // Renata Beckmann

Os artistas mais conhecidos da guitarrada são homens. Como foi para vocês essa inserção no cenário?
É um cenário mais masculino. Uma coisa que percebo é que o número de mulheres fazendo música autoral e tocando é bem menor, principalmente fazendo música instrumental. As mulheres não têm tanto trabalho voltado para o instrumental que dialoguem com a guitarrada. Mas há milhões de artistas maravilhosas. Isso é muito doido, mas a referência da guitarrada para o restante do Brasil são os homens mesmo. Então a gente veio com essa proposta que busca fugir e ser de fato duas mulheres tocando guitarra e reproduzindo bases eletrônicas.

É muito natural que os artistas do Norte sejam influenciados pelos ritmos da região. Vocês queriam manter essa raiz no projeto?
É muito doido perceber isso em Belém. Dentro da nossa vivência no Pará esses ritmos estão presentes, então não tem como se desvencilhar, porque a gente cresce ao redor deles. Quando se mora na periferia, se escuta o tecnobrega. Anteriormente, a música marginal era a guitarrada. Então isso está muito presente no nosso cotidiano, a gente cresce com várias referências do brega e do tecnobrega.



 

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