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Correio Braziliense

Marcelo Adnet faz panorama de 2018 em 'A gente riu assim'

O comediante também trabalha na finalização de um filme


postado em 20/12/2018 07:15 / atualizado em 20/12/2018 15:42

 

Marcelo Adnet finaliza novo filme(foto: Globo/SergioZalis)
Marcelo Adnet finaliza novo filme (foto: Globo/SergioZalis)

 

Marcelo Adnet está num momento de partidas e chegadas. Ele se despede de 2018 apresentando, com a ex-mulher, a atriz e humorista Dani Calabresa, o especial A gente riu assim, que vai ao ar na Globo, nesta quinta (20/12), após O sétimo guardião, e também está em meio às gravações da 6ª e última temporada do Tá no ar, que estreia dia 15 de janeiro. Ao mesmo tempo, ele se dedica à finalização de seu novo filme, com nome provisório de Pulo do gato - primeiro longa da carreira em que assina o argumento -, que deve ser lançado no ano que vem. "O roteiro é do Lusa Silvestre, mas acompanhei todo o roteiro, estrelei o filme e coproduzi também, junto com a Casé Filmes, e tem direção de Felipe Joffily. Não é uma comédia tradicional, é um filme que tem uma dimensão dramática grande", explica Adnet. Com o fim do Tá no ar, o ator diz que terá tempo para pensar em outros programas - além de voltar a gravar uma nova temporada da Escolinha do Professor Raimundo.

A gente riu assim é uma das retrospectivas exibidas pela Globo este ano. Haverá aquela tradicional, focada nas principais notícias de 2018, que vai ao ar no dia 28, e esse especial, que faz uma revisão do ano, só que pelo humor, mesclando os melhores trechos de Zorra, Tá no ar, Escolinha e Choque de cultura, cenas gravadas especialmente para o programa e imagens jornalísticas. Para Adnet, a sacada do projeto é justamente equilibrar jornalismo e humor. "Porque a retrospectiva é normalmente pesada, trágica", compara. "O rir das coisas, o levar as coisas no humor, mesmo que tenha sido um dos anos mais difíceis dos últimos tempos, é uma maneira de encará-las. Então, acho que, mesmo nos momentos de adversidade, manter o humor é uma maneira de sobreviver", completa ele que, além de apresentar o especial, também faz parte do elenco.

O convite partiu do amigo Marcius Melhem, que passou a ser chefe dos projetos de humor da casa - e que, no especial, é responsável pela supervisão artística ao lado de Daniela OCampo. "Fiquei muito feliz de trabalhar de novo com a Dani (Calabresa), sou fã dela, tenho o maior carinho por ela, e foi muito legal a gente poder ter essa parceria nessa retrospectiva, lembrando os tempos de MTV", diz Adnet que, após a separação, já tinha dividido a cena com ela na Escolinha. No especial, os dois vão reproduzir os papéis dos apresentadores de um programa de retrospectiva tradicional. Mas, claro, com texto repleto de humor. Haverá ainda participação especial de atores como Emilio Dantas e Fernanda Paes Leme, e haverá encontro de elencos dos humorísticos da casa. "Foi falado de tudo: eleição, Copa, João de Deus, os grandes temas do ano, algumas coisas com mais destaque, como eleições, novo governo, outras passando mais rapidamente, como Copa."

E, por falar em eleições e humor, Adnet protagonizou neste ano um projeto unindo essas duas vertentes e que fez sucesso na internet. Foi Tutorial dos candidatos, feito para o jornal O Globo, com vídeos em que o humorista imita os candidatos à Presidência - e explica a imitação. "Não sabia imitar os candidatos a presidente, eu só arranhava um Eduardo Paes, o resto fui descobrindo, estudando", conta. Ele fez as gravações em casa, num esquema simples, à la youtuber. "Eu queria dividir com as pessoas as coisas que eu tinha descoberto sobre as imitações de cada um. Aí criei o tutorial."

Adnet conta que recebeu telefonema de Marina Silva para elogiá-lo. "Ela me ligou imitando eu imitando ela: 'Democraticamente'." E, por causa da imitação, o ator também sofreu ataques de eleitores de Jair Bolsonaro. Não de todos, Adnet ressalta, mas de uma parcela. "Não são todos, tem eleitores do Bolsonaro que gostaram muito, que gostam de mim e do meu trabalho", diz. "Mas um grupo de eleitores do Bolsonaro, sim, me atacou, alguns espontaneamente, outros de maneira orquestrada, tem um monte de robô no meio. A gente não sabe o que é uma pessoa, o que é uma máquina. Só que, na internet, essa coisa de 'não sabe', 'não é sério', isso tem que ter um limite, que é a lei. Quando comecei a ler comentários do tipo: 'Vou dar um tiro na sua cara', 'vou matar você', pensei 'isso é crime'."

 

Como o tom foi se agravando, ele abriu processo contra quem o ameaçou de morte. "Acredito estar fazendo um trabalho legal, não ofensivo a ninguém, que ajuda inclusive o debate político, e não preciso ter minha vida ameaçada por conta disso."




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