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Correio Braziliense

Natiruts lança 'I love you', oitavo disco da carreira

Em novo álbum, grupo imprime roupagem pop e flerta com diferentes sonoridades


postado em 23/12/2018 06:30

 Luís Maurício:
Luís Maurício: "O reggae é o estilo perfeito para transmitirmos a nossa mensagem e já faz parte de nós" (foto: Carlos Müller/Divulgação)

 

O grupo Natiruts, formado por Alexandre Carlo, Luís Maurício e Kiko Peres, é uma das grandes referências brasileiras da reggae music. Apesar de beber de outras fontes, desde a criação, a banda faz questão de carregar a bandeira do gênero, seja na sonoridade, seja na mensagem. “Nas nossas canções falamos muito de paz, amor, injustiças, preconceitos e espiritualidade. O reggae é o estilo perfeito para transmitirmos a nossa mensagem e já faz parte de nós”, defende Luís Maurício (baixo e vocal).

Desde o segundo trabalho, o Natiruts busca inovar na forma de fazer reggae e é isso que pode ser visto no mais recente disco do grupo, o álbum I love, o oitavo de inéditas da carreira dos artistas. Lançado no último dia 7, o CD é composto por nove faixas, entre elas, o hit Serei luz, parceria com o cantor de pagode Thiaguinho, que havia sido divulgada antes do lançamento.

A concepção do álbum foi, na verdade, sem querer. Depois de Índigo cristal, de 2017, não havia um planejamento da banda em gravar um novo disco. Porém, I love aconteceu. “Não estava nos nossos planos. Mas depois da construção do nosso estúdio, o processo acelerou. Entramos para gravar um single e nascia I love. Alexandre Carlo, como sempre, com uma fartura de grandes músicas e ideias”, lembra Maurício.

Extremamente pop, o álbum flerta com diferentes sonoridades, como a batida eletrônica, a dancehall e até ritmos latinos, mas sempre tendo o reggae como norte. “Buscamos não repetir fórmulas e estar sempre incorporando novos ritmos e estilos ao nosso som. Temos o reggae como nosso principal fio condutor, mas buscamos novos horizontes. Inovar renova as energias e enriquece nossa carreira”, completa o baixista.

Em I love, Natiruts divide os vocais com grandes convidados. Thiaguinho é o primeiro. Ele foi responsável pela composição de Serei luz. Depois, a banda convidou Logan Bell, da Katchafire da Nova Zelândia, para gravar Mergulhei nos seus olhos; a banda de reggae Morgan Heritage, que participa da faixa-título I love; e Gilberto Gil para um dueto em Verde do mar de Angola. “A escolha das participações foi bem natural. Cada canção, de acordo com o estilo, ritmo e melodia, sugeria um nome. E, dentro de grandes artistas que admiramos, fomos convidando. Foi um encaixe perfeito”, acrescenta Luís Maurício.

Também é em I love que o Natiruts abraça de vez a internacionalidade do grupo com uma gravação em espanhol. A faixa Deriram ganhou um refrão na língua, assim como I love também teve uma versão extra em espanhol. “Desde 2005 que iniciamos um trabalho internacional, principalmente em Portugal e na América Latina. Hoje, já somos realidade e temos uma carreira consolidada nestes países, mesmo cantando em português. Mas sentimos que era uma boa hora para gravar algo em espanhol, até como forma de agradecimento e respeito por todo carinho que sempre recebemos”, defende o músico.

Patrimônio imaterial
No mesmo ano em que o Natiruts reafirmou sua raiz do reggae, o ritmo ganhou o título de patrimônio imaterial da humanidade. O anúncio foi feito em novembro e a decisão foi do Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco.

Segundo a organização, a escolha tem a ver com a contribuição do reggae “à reflexão internacional sobre questões como a injustiça, a resistência, o amor e a condição humana que demonstram a força intelectual, sociopolítica, espiritual e sensual deste elemento do patrimônio cultural”. Sendo assim, o reggae jamaicano, que se desenvolveu em 1960, se junta à lista que inclui quase 400 tradições e expressões culturais.

Para o baixista Luís Maurício, o título serve como reconhecimento da importância do estilo musical na cultura mundial. “O reggae sempre sofreu preconceito. Um estilo que sempre pregou coisas boas e verdadeiramente relevantes para a construção de uma sociedade mais justa, por muitas vezes foi tachado e rotulado apenas pela questão da maconha. Esse merecido reconhecimento coloca o reggae no seu devido patamar de respeito”, reflete.

Sobre o cenário do reggae no Brasil, ele avalia que está muito bem e com vários representantes como Maneva, Vitor Kley, Chimarruts, entre outros. “Sempre andou a margem da grande mídia, mas sempre em crescimento, com o surgimento de novas bandas e consolidação de outras”, defende o músico.

(foto: Halwildson/Reprodução)
(foto: Halwildson/Reprodução)


I love
De Natiruts. Sony Music, 9 faixas. Disponível nas plataformas digitais.




Três perguntas // Luís Maurício

O Natiruts sempre valorizou as temáticas de positividade e no último ano esse tipo de mensagem tem tido cada vez mais repercussão na música. A que atribui esse maior interesse do público por esse tipo de mensagem?
Estamos vivendo um momento de transição. As pessoas estão se conscientizando de muita coisa! Mais atentos na política, preocupados com o meio ambiente e mais espiritualizados. Entendendo que é melhor “ser” do que “ter”. Sempre abordamos esses temas e ficamos felizes com esse despertar da sociedade.

O disco foi produzido no estúdio Zeroneutro em Brasília. Para vocês, qual é a importância de manter essa raiz com a cidade?
Amamos Brasília, aqui montamos a banda, temos grandes amigos e criamos nossas famílias aqui. Estar perto disso tudo, nos mantém com os pés no chão e focados no nosso trabalho.

Vocês conseguem acompanhar hoje a cena autoral de Brasília?
Na medida do possível acompanhamos a cena. Curtimos muito a Banda Augusta, Dona Cislene, Puro Suco, Alarmes e outras...

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