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Correio Braziliense

A banda Judas lança a segunda parte de trilogia com o EP 'Enfermaria nº6'

'Os Desencantos', o álbum reunindo as músicas dos três Eps, vai sair pelo selo Discobertas, em abril de 2019


postado em 29/12/2018 07:30

(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)


Soou estranho para alguns a sonoridade de Nonada, o CD que a banda Judas lançou em 2014, no qual promovia a mistura de ritmos modernos com acordes de viola caipira. Adalberto Rabelo Filho, líder, vocalista e compositor do grupo, deixa claro que eles mantêm-se fiéis à fusão, pois, no seu entendimento, é o que distingue a proposta original do trabalho.

No novo projeto desenvolvido pela Judas, há mudança apenas no formato de apresentá-lo ao público. Em vez de gravar um disco físico, inicialmente, reuniu as músicas em dois EPs —  que fazem parte de uma trilogia —  e as colocou à disposição dos internautas nas plataformas digitais. O primeiro, Casa de Tolerância nº 1, é de 2016. Já o Enfermaria nº 6, acaba de ser lançado pelo selo Discobertas. Matadouro nº 5, que sai em abril de 2019, fecha o ciclo.

De acordo com Adalberto, as três faixas escolhidas para o segundo EP, Enfermaria nº 6, Os novos malditos e Um moi de vento, trazem um tom amargo e melancólico e “são a cara dos novos e loucos tempos que se aproximam”. Ele acrescenta: “Enfermaria nº 6 teve o título extraído de um conto de Tchekov, em que o médico de um hospício acaba sendo internado também. A denúncia da loucura do mundo vem embalada por um groove dançante, misturando o rock e o rhythm and blues dos Rolling Stones ao ritmo e pegada do funk carioca”.

Os novos malditos, nome da segunda faixa, é, para o compositor, uma brincadeira que faz referência aos Novos Baianos e aos Doces Bárbaros. “Vale-se sutilmente da linguagem da fresta (descrita por Gilberto Vasconcellos no livro De olho na fresta), que descreve a queda em desgraça de um  grupo de pessoas. A desesperançada letra da canção trata dessa decadência embalada por um som que lembra Te Band e, ao mesmo tempo, remete à música caipira brasileira”.

Segundo Adalberto, Um moi de vento, a terceira canção do EP, é uma tristíssima balada épica candanga, de sete minutos de duração. “Aí, há a mistura do som do sertão ao som do Velvet Underground, com citação de Manuel Bandeira, em sua letra cheia de imagens, e transbordando de sentimento”. O músico complementa: “O nome da canção é um trocadilho com a expressão pernambucana ‘virado no moi de coentro’, que quer dizer, a grosso modo, que a pessoa é incansável, ou que é impossível de se parar; e ao mesmo tempo faz alusão aos moinhos de vento, com os quais guerreia Dom Quixote no famoso clássico de Cervantes”.

Pela banda Judas já passaram alguns músicos, desde que a banda surgiu em 2011. Adalberto Rabelo é o único remanescente da formação orginal. Os outros integrantes são Pedro Vaz (viola caipira e percussão), Bruno Prieto (baixo), Hélio Miranda (bateria) e Carlos Beleza (guitarra). O cantor já tomou parte em trabalhos de Jards Macalé, Samuel Rosa, Pitty, Siba, Pio Lobato, Zé Mulato & Cassiono e da Viendo de Ócio.
 
Neste novo projeto, gravado na Sala Cássia Eller da Funarte, no primeiro semestre deste ano, há a participação de Emília Monteiro, Maria Sabina, Gaivota Neves (Joe Silhueta), Litieh, Júlia Carvalho (Talo de Manona), Estephanie Cavalcante, Stivenson Canavarro, Thyan Santiago, Tarso Jones e Pedro Lacerda. Os Desencantos, o álbum reunindo as músicas dos três Eps, vai sair pelo selo Discobertas, em abril de 2019.


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