Publicidade

Correio Braziliense

Coletânea 'A 300 km por hora' presta homenagem à banda Autoramas

Coletânea 'A 300km por hora' reúne 41 músicos independentes de 11 estados


postado em 03/01/2019 07:00 / atualizado em 03/01/2019 14:28

O grupo Autoramas recebe homenagem na forma de uma série de releituras das músicas gravadas pela banda(foto: Paulo Aguiar/Divulgação)
O grupo Autoramas recebe homenagem na forma de uma série de releituras das músicas gravadas pela banda (foto: Paulo Aguiar/Divulgação)


Da capital federal para todo Brasil, Gabriel Thomaz foi a todos os cantos ao lado dos Autoramas. Em tributo aos 20 anos de banda, foi lançada a coletânea A 300 km por hora, que reúne 41 artistas independentes de 11 estados brasileiros. Cada convidado reimaginou ao próprio estilo músicas originalmente gravadas pelo quinteto. Entram no caldeirão sonoro faixas interpretadas por China, Marcelo Callado, Camarones Orquestra Guitarrística e Burt Reynolds.

“Cada versão é uma surpresa diferente”, conta Gabriel Thomaz, 44 anos, “a última pessoa a saber”. O líder e vocalista de banda homenageada diz que guardaram segredo do lançamento, e que apenas teve ciência quando tudo estava praticamente pronto. “Quando penso em tanta gente com quem convivi e que me escondeu o segredo, caramba!”, surpreende-se.

Pontuais contratempos e a proximidade com o aniversário de duas décadas do grupo fizeram com que o disco, previsto originalmente para 2017, fosse lançado apenas em 2018. Levou dois anos para ser concluído e está disponível em plataformas de streaming.

A ideia do tributo foi de Rafael Chioccarello, autor do blog Hits Perdidos, que também foi responsável por tributos a Titãs (O pulso ainda pulsa, 2016) e Pato Fu (O mundo ainda não está pronto, 2017). A pegada é a mesma com A 300 km por hora: artistas ligados de alguma forma à banda — entre eles, amigos pessoais — são convidados para escolher e gravar canções do homenageado. Assim como nas demais coletâneas organizadas por Rafael, a dos Autoramas tem como título uma das músicas do grupo ao qual o tributo é dedicado.

“Queríamos uma banda dentro do cenário independente que tivesse proximidade com os artistas. Além dos 20 anos de  Autoramas, a homenagem é para a caminhada do Gabriel, e sua trajetória desde o Little Quail and The Mad Birds, depois, como compositor dos Raimundos, entre outros projetos”, explica Rafael Chioccarello. Ao lado de Débora Cassolatto (Debbie Records), ele organizou a coletânea que cria um fio coeso entre as versões de canções da banda. “Começa mais pop e vai caminhando para as entranheiras”, diz o blogueiro.

O som dos Autoramas passa pelo new wave e o surf rock, com referências retrofuturistas. O peso e energia do repertório Gabriel desenvolve, de forma diferente no grupo atual, desde que era o jovem vocalista dos Little Quail and The Mad Birds em meados dos anos 1990 em Brasília.

Aclamado pela crítica, Little Quail colocou Gabriel no mapa musical, com canções nonsense e imaginativas cantadas sob forte batida punk rock, como é o mais famoso hit do trio e ainda levado aos palcos pelos Autoramas: 1, 2, 3, 4. A música de pouquíssimos versos e nenhum sentido foi eleita pela extinta Revista Bizz a melhor de 1993 — empatada com Haiti, do disco Tropicália 2, lançado por Caetano Veloso e Gilberto Gil. “Olha a responsabilidade. Os dois juntos, não só um: Caetano e Gil. Os dois, lançando um disco chamado Tropicália 2”, frisa. “Meu Deus do céu. Olha o tamanho do problema. Eu contava para minha mãe e ela não acreditava”, brinca Gabriel, lembrando da eleição.

Gabriel conta que, quando interpreta canções de outros artistas, gosta de desconstruí-las e de se colocar nas músicas. “Fiquei feliz que fizeram o mesmo com nossas músicas também. Algumas ficaram completamente diferentes sem perder características melódicas. Várias ficaram bem melhores do que as originais, inclusive”, elogia o músico, que, entre outras, destaca a versão bastante transformada por Marcelo Callado de Eu era pop. “As músicas mais importantes estão na coletânea. Tem muitas de que gosto bastante, que talvez não tenham se destacado tanto na nossa trajetória quanto a gente queria”, relata.

Os Autoramas lançaram no ano passado o disco de inéditas, Libido, e, para futuro próximo, planejam apenas “tocar, tocar e tocar”. Uma das apresentações será no festival Lollapalooza em abril de 2019. Sobre a possibilidade de juntar os artistas da coletânea, Rafael Chioccarello não descarta a possibilidade. “É um desejo que a gente tem. Mas é complicado, além dos choques de agendas, cada artista é de um lugar diferente, lugares distantes uns dos outros. Mas fazer um festival com essa galera, seria com certeza muito bacana”, diz Rafael.

 
SERVIÇO

A 300 km por hora, um tributo aos Autoramas.
Disponível em plataformas digitais. Gravadora: Aurora Discos.
 
 
 * Estagiário sob a supervisão de Igor Silveira
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade