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Correio Braziliense

'The umbrella academy' estreia em fevereiro na Netflix

Adaptação da história em quadrinho do paulista Gabriel Bá em parceria com o norte-americano Gerard Way, estreia em fevereiro na Netflix


postado em 05/01/2019 07:15

The umbrella academy é inspirada em HQ de Gerard Way e Gabriel Bá e retrata uma família disfuncional de heróis(foto: Netflix/Divulgação)
The umbrella academy é inspirada em HQ de Gerard Way e Gabriel Bá e retrata uma família disfuncional de heróis (foto: Netflix/Divulgação)
São Paulo — A presença de brasileiros em produções internacionais da Netflix se tornou algo comum. José Padilha e Wagner Moura estrearam em 2015 em Narcos. Um como produtor-executivo e diretor e o outro como protagonista. No ano passado, o ator Marco Pigossi apareceu à frente do elenco de Tidelands, seriado australiano. Agora é a vez do paulista Gabriel Bá, que venceu ao lado do irmão Fábio Moon o Prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos, ao adaptar o livro Dois irmãos de Milton Hatoum em HQ, que aparece em um projeto da plataforma de streaming.

Ao lado de Gerard Way, ele é um dos criadores de The umbrella academy, graphic novel da editora Dark Horse, que ganhou uma adaptação em formato de seriado, com estreia em 15 de fevereiro na Netflix. Lançado em 2008, o quadrinho retrata a história de uma família encabeçada pelo milionário Reginald Hargreeves (Colm Feore), um homem que adota sete crianças superdotadas e as cria como um time de super-heróis, formando assim a Umbrella academy.

A adaptação chega à Netflix após uma negociação inicial da HQ se tornar um filme. Algo que os criadores comemoram. “Acho que tivemos sorte de ter levado tanto tempo para acontecer. A ideia inicial era fazer um filme. Teríamos que cortar muito mais da história. E agora será uma temporada com 10 episódios. Então, é como um filme de 10 horas e isso nós dá espaço para contar uma história com mais cuidado e mostrar a relação dos personagens. Acho que agora o público está mais confortável com o gênero de super-heróis e está pronto para a nossa estranha história de super-heróis”, afirma Gabriel Bá.

O brasileiro explica que a história não é uma tradicional narrativa de super-heróis. Isso porque, apesar de a trama ter ares de “X-Men” e personagens com poderes distintos, é, na verdade, uma produção sobre a relação dessa família disfuncional que se uniu apesar das diferenças, se separou durante anos por conta do jeito abusivo dos pais e tem que se reunir novamente para tentar salvar o mundo. “O foco da nossa história não são os super-heróis. É uma história sobre personagens, como eles se relacionam entre si, os problemas que têm. Só acontece deles serem super-heróis, terem superpoderes e terem que salvar o mundo. Você não pode esperar uma série de super-heróis do jeito tradicional. Não é o foco. O foco é essa família disfuncional que tem vários problemas para lidar, o que é muito relacionável (para o público). Fazer isso e tentar colocar junto a parte de super-herói foi o maior desafio da série”, analisa.

O elenco e os criadores estiveram no Brasil para divulgar a série em evento em São Paulo(foto: Netflix / Alexandre Schneider)
O elenco e os criadores estiveram no Brasil para divulgar a série em evento em São Paulo (foto: Netflix / Alexandre Schneider)


Para Gabriel Bá, The umbrella academy é uma trama atual, por retratar temas relacionados aos dias de hoje e ainda por ter personagens e um elenco diverso. “Acho que todos os nossos personagens são disfuncionais e têm problemas. Eles têm que estar juntos para lidar com esses problemas. Acho que esse é o forte da nossa história. Você não consegue fugir dos problemas, eles voltam e é preciso lidar com eles, especialmente, com a família, e é isso  o que acontece na série. Eles são forçados a ficar juntos e descobrem que juntos são mais fortes. Acho que essa é a mensagem e o paralelo que fazemos com o mundo de hoje, que juntos somos mais fortes”, afirma. Gerard Way completa: “É muito importante mostrar e contar histórias de outras pessoas. Acho que isso traz empatia. A série é bem mais diversa que a HQ, eu gostaria de ter prestado mais atenção na história dos outros quando escrevi”.
 

História

A primeira temporada de The umbrella academy contará com 10 episódios e tem início mostrando como essa família se formou. Num dia específico, mulheres em diferentes lugares do mundo, que não estavam grávidas quando o dia se iniciou, deram à luz a crianças com habilidades. O milionário Hargreeves decide adotar esses bebês. Ele consegue sete crianças e as educa como heróis. Cada um deles recebe um número como nome e apenas a sétima não demonstra nenhuma habilidade, sendo criada assim de forma diferente dos demais.

Durante anos, os jovens lutaram contra o crime. Até que, na vida adulta, cada um deles decide seguir a sua vida longe da academia — após a morte de um e o desaparecimento de outro — e escolhe um nome de batismo. Porém, após a morte do pai, eles se veem juntos novamente e com o retorno de 5 (Aidan Gallagher), que havia desaparecido quando eles ainda eram crianças, eles precisam voltar a atuar juntos para salvar o mundo de um apocalipse.

São eles: Diego (David Castañeda), que tem habilidades com faca e o poder de respirar dentro d’água; Allison (Emmy Raver-Lampman), que transforma rumores em verdade; Luther (Tom Hopper), que tem superforça; Klaus (Robert Sheehan), que pode se comunicar com os mortos; Número 5, que consegue transitar entre passado, presente e futuro; e Vanya (Ellen Page), que não teve nenhuma habilidade demonstrada e se dedicada a vida de violonista.

Para retratar essa história complexa e diferente, a produção mistura drama e comédia, com cenas e uma trilha sonora impactante. “A série tem esse lado brilhante de humor. Na vida há humor, mesmo nos momentos dramáticos e isso que faz a série parecer tão real”, afirma Tom Hopper, que vive o personagem Luther. Para o elenco, que esteve no Brasil para divulgar o seriado, o fato dos personagens terem defeitos é o que faz a narrativa ser tão relacionável e passível de encontrar fãs, até mesmo porque não leu a HQ. “Acho que mais do que tudo focamos no lado humano dos personagens. Eles não são só super-heróis. Esse é o segundo aspecto. São humanos com defeitos, medos, com uma família que precisam se relacionar mais intimamente. Tem problemas como ansiedade e depressão. Cada um dos personagens tem um problema pessoal que as pessoas podem se relacionar nos dias de hoje”, defende Hoper.

Sobre o motivo de tramas de super-heróis agradarem tanto o público, Emmy Raver-Lampman, que interpreta Allison, diz ser o escapamento do mundo real. “Estamos interessados no “e se”. Acho que o que não é conhecido é interessante, como o poder de voar, de ficar invisível, de viver em outro planeta. Também tem o espírito de colocar uma fantasia e lutar contra os vilões. Acho que isso conquista, pelo menos pra mim”, afirma a atriz.

Futuro da franquia

 Nos quadrinhos, The umbrella academy ganhará uma terceira história em breve. Intitulada Hotel Oblivion, a narrativa chegará primeiro nos Estados Unidos. Apesar disso, a dupla de criadores tem pretensão de escrever oito produções, o que pode ajudar também num possível segmento da série. “A nossa ideia é fazer mais oito histórias, se formos sortudos. Só precisamos de tempo. Vamos tentar estar junto com a série, caso haja mais temporadas. Queremos fazer o melhor que pudermos nas HQs também para que possa se ter um material para a série usar”, explica Gabriel Bá.

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