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Correio Braziliense

Podcasts de ficção são tendência nos streamings

As histórias de ficção dos podcasts ganharam força em 2018 e devem se firmar em 2019


postado em 07/01/2019 08:59 / atualizado em 07/01/2019 11:18

Nos Estados Unidos, os podcasts ficcionais já ganham contornos profissionais se transformando até em séries de tevê, como 'Homecoming', da Amazon(foto: Amazon Studios/Divulgação)
Nos Estados Unidos, os podcasts ficcionais já ganham contornos profissionais se transformando até em séries de tevê, como 'Homecoming', da Amazon (foto: Amazon Studios/Divulgação)

Os populares podcasts não são uma novidade. Desde o começo dos anos 2000, com a expansão de plataformas que permitem o streaming de áudio por demanda —  como o soundcloud —, diversos contextos dessas “mensagens de voz” chamaram a atenção do público. A novidade que ganhou força em 2018 e tem tudo para se firmar em 2019, contudo, é a vertente de entretenimento que os podcasts de ficção (ou áudio dramas) estão desenvolvendo —  e ultrapassando os clássicos podcasts de entrevistas, mesa redonda, ou de informação.

No exterior, as histórias contadas por meio de podcasts fazem parte de uma tendência de mercado, sendo inspiração inclusive para produções de tevê. No Brasil, as cariocas da Cia de 4 mulheres estrearam, no fim de 2018, um projeto dentro desse filão e vários outros “podcasters” também estão solidificando espaço no ambiente on-line.

A criação de um podcast de ficção não tem muito segredo. Trata-se essencialmente do ato de contar uma história só em áudio, algo que se assemelha ao que era feito nos anos 1950 com as radionovelas. Existem diversas plataformas que abrigam tais conteúdos, como o próprio Soundcloud e o popular Spotify.

“Para a gente,  uma coisa  específica dos podcasts de ficção é a interpretação mesmo. Não é só chegar e ler uma história. Existe o tom do personagem, você precisa fazer o público sentir o desespero da história, as emoções, e tudo isso tem de ser transmitido pela voz”, afirma a atriz Anita Chaves, uma das integrantes da Cia de 4 mulheres (que também conta com Andrezza Abreu, Karina Ramil e Lorena Comparato).

Para a trupe, os podcasts estão mais longe de um audiobook e, talvez, mais perto de uma radionovela. Mas há diferenças impostas por particularidades da internet, como meio. “Os episódios são menores, as pessoas podem escutar indo para qualquer lugar. É fácil ouvir histórias”, defende Andrezza Abreu. “E é gratuito, dá para baixar, tem continuidade — os podcasts são um entretenimento muito prático”, completa Anita.
 
O podcast 'Prato frio' conta histórias de vingança, e aposta na ficção feita para o formato(foto: Camilla Maia/Divulgação)
O podcast 'Prato frio' conta histórias de vingança, e aposta na ficção feita para o formato (foto: Camilla Maia/Divulgação)
 

No Prato frio, o projeto da Cia de 4 mulheres, o público pode mergulhar em histórias sobre vingança, como explica Anita: “Estamos com uma temporada de 12 episódios com cerca de 10 minutos cada. Abordamos vingança em diversos contextos. Nós quatro escrevemos e fazemos os personagens. Em cada episódio tem uma história diferente”.

Andrezza também explica como a construção do episódio é feita: “A gente se preocupou muito com cada detalhe do processo, desde escrever as histórias com um ritmo para áudio até irmos ao fonoaudiólogo trabalharmos a questão da atuação pela voz. No estúdio a gente teve o auxílio de um técnico. Enfim, nós queríamos não só ler a história e, sim, transportar as pessoas para o universo daquela história, seja num restaurante, seja em diversos ambientes.”

Detalhes e futuro

Na prática, o que de fato mais chama a atenção ao ouvir um podcast é a riqueza de detalhes, seja apontando a cor dos móveis, seja dizendo como as mãos de um personagem tocavam trêmulas a tela de um celular — se uma história for bem contada, você poderá se sentir dentro daquele universo. “No cinema, ou na tevê, por exemplo, a gente acaba mais condensado na atuação, e no podcast você pode dar uma exagerada, pegar aquela expressão e extravasar”, explica Anita.

“Cada plataforma tem seus desafios. O teatro ao vivo tem aquele momento único, e não é possível mudar nada. No podcast, o desafio é comunicar tudo pela voz, transmitir tudo o que você quer nesse sentido”, comenta Andrezza, que também completa argumentando que a expectativa é de que o gênero se expanda e ganhe mais solidez no entretenimento nacional.  “Eu acredito muito na expansão. Existem muitas pesquisas apontando que o centro de consumo de podcast tem crescido bastante, e o Spotifiy está investindo no nosso trabalho do podcast e mostra como o mercado busca tal conteúdo”, afirma.

Profissionalização

Fora do Brasil, os podcasts de ficção ganharam contornos profissionais, com grandes astros do cinema interpretando personagens só com a voz e plataformas com produções originais. Um exemplo é Homecoming, que conta a misteriosa história de uma instituição do exército norte-americano que tenta “reabilitar” soldados para a vida civil. Produzido pelo streaming da Gimlet, o podcast conta com nomes como David Schwimmer e Oscar Isaac no elenco. Importante lembrar também que a Amazon transformou a história em uma série, estrelada por Julia Roberts.

Caso parecido foi o da série Dirty John, do canal Bravo. Mesmo apresentando uma história real, a série é baseada em podcast homônimo. No enredo, o público acompanha a história de uma mulher que acaba se apaixonando por um homem muito sedutor e perigoso.

* Estagiário sob a supervisão de Vinicius Nader

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