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Correio Braziliense

Eventos culturais gratuitos movimentam o espaço urbano do Distrito Federal

Produtores buscam lugares pouco frequentados pela população para atividades culturais e criam eventos gratuitos com música e arte urbana com o objetivo de movimentar a cena local


postado em 09/01/2019 06:10

Buraco do Jazz: boa música, drinques e comidas(foto: Rodrigo Barreto/Divulgação)
Buraco do Jazz: boa música, drinques e comidas (foto: Rodrigo Barreto/Divulgação)

Os shows como os de ano-novo, no Museu da República mostram que há eventos grandes com entrada gratuita no Distrito Federal. O dia a dia da capital ainda é carente de lugares que tenham uma programação pensada em entreter o público brasiliense com entrada franca.

Com isso, alguns projetos começaram a surgir. Pensando em ocupar espaços não muito aproveitados pela população, ou até marginalizados, a preocupação desses eventos é difundir em Brasília uma cultura e não cobrar nada por isso,  dar vida aos locais deixados de lado.

Exemplo é um evento, ainda novo, realizado no Conic. A Feira Hype tem uma proposta de juntar happy hour, música, arte, tatuagem e gastronomia. O idealizador do projeto, Kaká Guimarães, é um dos fundadores da festa Balada em tempos de crise e responsável por eventos no Sub Dulcina. Com a proposta de transformar o Conic em um lugar que seja realmente um setor de diversões, Kaká explica que a Feira também veio com o intuito de desmistificar o centro de Brasília. “Queremos que o Conic seja um ponto de encontro democrático, e quem gosta de tatuagem rock, samba etc. possa desfrutar juntos dessa afinidade cultural”, explica Kaká.

A feira é realizada todo último sábado do mês. A edição de janeiro está marcada para o dia 26, às 14h. Funciona assim: a música fica sob a curadoria do coletivo Crew.za, que convida DJs, músicos e pesquisadores para embalar o evento nos mais variados estilos. A ideia é ter música de boa qualidade, no volume ideal para ouvir e dançar, mas que dê também para o público conversar. Cada feira conta com convidados para fazer comidas de rua, acompanhadas de drinques e outras bebidas a preços acessíveis. Tudo isso para que o público possa prestigiar as obras de arte realizadas, geralmente, pelos alunos e curadores da Faculdade Dulcina de Moraes. Tatuadores terão seus trabalhos expostos, dispostos a realizar obras.

Kaká afirma que o projeto reflete sobre a população entender a cidade e que o centro precisa ser ocupado. Segundo ele, Brasília precisa criar uma identidade cultural própria. “Eu acredito muito na cultura orgânica, aquela que nasce dos movimentos culturais alternativos, e não do entretenimento como grande show. É aquela que nasce do coletivo sem buscar dinheiro como finalidade. E eu acho que a cidade está começando a entender os espaços, a identidade e o formato das coisas”, conclui Kaká.

Pensando em um ambiente mais intimista e charmoso, o Buraco do jazz ocupa espaços em Brasília desde 2016. Primeiro foi no Eixinho, na altura da 214 Sul, depois passou a se instalar na Funarte e, agora, reside no Parque da Cidade. Semanalmente, às quintas-feiras, o Buraco do jazz convida músicos para realizar shows de alta qualidade, num clima agradável, sem cobrar nada. “Pode-se dizer que a cidade amadureceu durante os últimos seis anos no quesito cultura, mas estagnou para eventos gratuitos. E isso é muito culpa coisa da burocracia, o governo poderia facilitar mais para quem quer contribuir culturalmente para a cidade”, defende Gustavo Frado, idealizador do projeto.

Segundo ele, a proposta desde sempre foi ser um evento cultural de alto nível, sem deixar de ser acessível. A variedade de público no Buraco do jazz é um fato, e isso se dá porque o evento investe em diversos ritmos musicais para compor o repertório. Cerca de um terço do que se toca lá é, de alguma forma, jazz. O restante é uma mistura de blues e roots, com o funk, soul e electric. Todos os estilos fazem parte de uma pegada incandescente de jazz de rua mais agitado. A edição de amanhã, por exemplo, recebe Tuka Villa-Lobos no projeto Rita in jazz, cantando as músicas mais agitadas da Rita Lee no ritmo do gênero.

Batuque

Toda sexta-feira, por volta das 18h, quem chegar ao Setor Comercial Sul  se depara com uma roda de samba em volta de uma mesa em frente a uma loja de churrasquinho. O samba do SCS já virou tradição na vida noturna dos brasilienses. Foi nesse embalo que começou a brotar mais vida cultural em um setor que, até hoje,  é conhecido pelo tráfico de drogas e prostituição.

Inspirado nesse samba modesto e pensando em fomentar mais ainda a ocupação desse espaço foi que o Samba Urgente surgiu. Uma vez por mês, 11 músicos do coletivo que leva o mesmo nome do evento convidam grupos para fazer o que mais gostam: tocar samba. O evento fica no estabelecimento Canteiro Central, mas, com o tempo, a quantidade de gente ficou muito maior que o esperado, e eles acabaram por  realizar a roda em frente ao local, no meio da rua mesmo, e de graça.

Centenas de pessoas se reúnem também no SCS, às sextas, para uma roda de samba(foto: ArquivoPessoal)
Centenas de pessoas se reúnem também no SCS, às sextas, para uma roda de samba (foto: ArquivoPessoal)


Segundo Victor Angeleas, um dos membros do Samba Urgente, existe uma união entre os músicos dos dois eventos. “A gente os conhece  há muito tempo, e eles têm um papel muito importante, porque  deram o pontapé inicial. Então, a gente tem muita gratidão “, diz Angeleas.

Victor afirma que a principal proposta do Samba Urgente é difundir o choro aos outros ritmos instrumentais feitos em Brasília, com toda a cultura do samba. A última edição, realizada no sábado passado, por exemplo, teve a participação da banda local Passo Largo e do músico mineiro Toninho Geraes. “A gente se sente muito realizado e feliz, porque é o nosso sonho levar a música para todo mundo. Tocar para quase 5 mil pessoas, ser reconhecido e conseguir difundir a cultura na capital é uma honra enorme”, conclui Victor.

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