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Correio Braziliense

Uma das mais injustiçadas do Oscar, Glenn Close se destaca em 'A esposa'

Cotada para o primeiro Oscar, atriz se destaca pela trajetória com papéis marcantes e feministas, como em A esposa, que estreia hoje


postado em 10/01/2019 07:30

Em 'A esposa', Glenn Close contracena com Jonathan Price: papel que pode lhe dar o primeiro Oscar de melhor atriz(foto: Reprodução/Internet)
Em 'A esposa', Glenn Close contracena com Jonathan Price: papel que pode lhe dar o primeiro Oscar de melhor atriz (foto: Reprodução/Internet)


Nem Leonardo DiCaprio, muito menos Amy Adams: na atualidade, a atriz Glenn Close é a mais injustiçada, frente à estatueta do Oscar — com seis indicações, nunca obteve o reconhecimento. Independentemente desta falta de conquista, no último domingo, a atriz, aos 71 anos, celebrou a vitoria do Globo de Ouro de melhor atriz (numa categoria em que sobrepujou a favorita Lady Gaga). Além disso, ajudou a reforçar a marca feminista de sua carreira: com o papel no longa A esposa, que chega hoje aos cinemas do país.

Não foram os agradecimentos ao papel (criado em romance de Meg Wolitzer, e adaptado para um roteiro de Jane Anderson) ou às produtoras Rosalie Swedlin e Claudia Bluemhuber que chamaram a atenção. Pesou a favor dela, como ícone, um discurso honesto e que abraçou o cotidiano de uma personagem com potencial para ser emblema de uma campanha a favor do empoderamento feminino.

Diante dos integrantes da Associação dos Críticos Estrangeiros de Hollywood, soltou o verbo: “Penso na minha mãe que, de certo modo, foi anulada frente ao meu pai, por toda a vida. Aos oitenta e poucos anos, ela me disse: ‘Sinto como se não tivesse realizado nada.’ Isso é tão injusto. Tive dali um aprendizado: mulheres, somos amamentadoras — este é o potencial reservado a nós. Temos nossas crianças, nossos maridos, e, com sorte, temos um verdadeiro parceiro. Precisamos, entretanto, buscar por uma realização pessoal. Temos que seguir nossos sonhos.”

Há um segredo pesado em A esposa — um tipo de spoiler que pode liquidar o interesse pelo filme. Mas vale ressaltar que, entre idas e vindas, um relacionamento amoroso é descortinado na trama e que, entre o elenco jovem, está a filha de Glenn Close, Annie Starke, que interpreta a personagem da mãe (por três vezes divorciada) quando jovem. Ao longo de uma vida com 45 anos dedicados à atuação, Glenn Close parece compilar papéis que sejam efetivos, na transformação das mulheres na sociedade.
 
"Quando pequena, me sentia um tanto como Muhammad Ali, destinado a ser um boxeador. Senti que era predestinada a ser uma atriz" (foto: California/AFP/Valerie Macon)
 
 
Assuntos delicados vêm a rodo, numa panorâmica: com Paixão doentia (1984), feito para a tevê, Glenn deu vazão à denúncia de abuso sexual juvenil; com Atração fatal (1988), mostrou que nenhuma mulher pode ser dada como a outra; em Servindo em silêncio (1996), interpretou uma militar motivada a dar baixa por assumir a homossexualidade, e em O leão no inverno (versão televisiva, de 2004) deu vida à voluntariosa rainha Eleanor de Aquitânia britânica, mantida encarcerada, pelo perigo que representava. Todo o histórico ainda contempla O mundo segundo o Garp (1982), bem-humorada incursão de temática LGBT, e em Albert Nobbs (2012), revelou uma lésbica, que, na Irlanda do século 19, buscou por independência, depois de disfarçada de homem, como mordomo de hotel em Dublin.

Cenário de Nobel

Curiosamente, muitas cenas de A esposa transcorrem num hotel. É em Estocolmo, ao lado do marido, o reconhecido escritor Joe Castleman (Jonathan Price, de O sucesso a qualquer preço), que Joan terá a oportunidade de, às vésperas da cerimônia de entrega de um Nobel para o marido, rever toda a trajetória de vida e as escolhas acatadas no passado. A quem quer que seja, Joe apresenta a esposa como “o amor da minha vida”, sem o qual não seria nada. Com 45 anos da parceria “de uma vida”, o casamento de Joan e Joe, aparentemente, se fortalece quando dividem, ao telefone, a notícia da escolha pelo Nobel, dado “por causa do olhar diferenciado, com amplitude de influenciar gerações porvir”. Caberia a Joan o papel de uma espécie de primeira-dama.

Inadequação de comportamento, velhos métodos de intimidação e repressão mutilante, encobrem o padrão de vida maravilhosa atribuído pelo marido à esposa “estoica”. Para embaralhar ainda mais o cenário, o filme, que tem direção do sueco Björn Runge, coloca em cena o conflito iminente dado pelo comportamento do escritor e de uma fotógrafa (Karin Franz Korlöf), o atrito entre o filho do casal David (Max Irons), mal-resolvido na escolha profissional, e ainda a atuação do intrometido jornalista Nathaniel (Christian Slater), que pretende publicar uma biografia de Joe. Completando o elenco, Harry Lloyd (de A teoria de tudo e A Dama de Ferro) interpreta Joe quando jovem.

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