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Correio Braziliense

Leia crítica de Assunto de família, vencedor do Festival de Cannes

Assunto de família, em exibição na cidade, mostra como um diretor pode esbanjar ternura, sem apelar para melodrama


postado em 10/01/2019 17:37 / atualizado em 10/01/2019 18:01

Um assunto de família é exemplar no quesito afinidade entre seres humanos(foto: Imovision/ Divulgação)
Um assunto de família é exemplar no quesito afinidade entre seres humanos (foto: Imovision/ Divulgação)
 
 
Com mais de dez títulos na filmografia, o diretor japonês Kore-eda Hirokazu tem como marca a exploração sistemática das relações familiares, em casos extremamente complicados, como por exemplo, destacou em Pais e filhos (2013), em que uma troca de crianças agitava a narrativa.
Sete vezes presente nas diversas mostras do Festival de Cannes, foi, no ano passado, com este filme (Assunto de família) que estreia no circuito que Hirokazu  faturou a almejada Palma de Ouro. O filme está cotado para disputar o Oscar, em fevereiro.

Antes de mais nada, vale destacar a impressionante capacidade não apenas emocional, mas de ritmo, oferecida pela música de Haruomi Hosono (numa mixagem absolutamente pertinente). É na cadância dela que o espectador é apresentado ao dia a dia de contravenções da
caótica família Shibata. Osamu (Lily Franky) ensina passos criminosos para o pequeno Shota (Iyo Kairi), à medida em compactuam os roubos de galinha em estabelecimentos de comidas, em supermercados e lojas diversificadas.
 
Na linha de Saint-Exupéry e seu "tu te tornas responsável pelo que cativa", os integrantes da  família Shibata não tardam a a abrigar a jovem Yuri (Miyu Sasaki) sob o mesmo teto de uma casa já comprometida pelo excesso de gente. Entre a indiferença de uns, e o amor incondicional demonstrado pela vovó Hatsue (papel da sensível Kiki Kilin), Yuri foge do frio e do abandono ao qual tinha sido relegada. Abandonado cargas de moralismo, o cineasta consegue ativar uma carga de afinidade inesperada entre os tipos mostrados e o público.
 
Interessante é que, além de mostrar dilemas éticos de uma família muito particular, e ainda de coroar com crível carinho e ternura um núcleo social a princípio duro, o filme consiga refletir em torno de temas tão diversos como a contravenções em sistemas de aposentadoria e
o respeito aos mortos. Com isso, Kore-eda Hirokazu fica confirmado como grande narrador contemporâneo. 

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