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Correio Braziliense

Grupo Grito de Liberdade circula com espetáculo sobre os quilombos

Espetáculo brasiliense sobre as tradições afro-brasileiras e africanas retrata quilombos do Brasil


postado em 16/01/2019 06:20

A dança da puxada de rede retrata os pescadores que trabalhavam na beira dos rios (foto: Ricardo Pereira/Divulgação)
A dança da puxada de rede retrata os pescadores que trabalhavam na beira dos rios (foto: Ricardo Pereira/Divulgação)

Ancestralidade, tradição e história: esses são os elementos que formam as comunidades quilombolas espalhadas por todo o país. Criados inicialmente como locais de refúgio dos escravos africanos no Brasil, os quilombos se tornaram mais que abrigos. Esses espaços se transformaram em recantos de preservação das culturas africanas e afro-brasileiras, e alguns resistem até os dias de hoje.

Tudo isso é mostrado no espetáculo Quilombo da liberdade — Origens, idealizado pelo capoeirista Mestre Cobra, do grupo de capoeira Grito de Liberdade, da Candangolândia. A montagem passa por três comunidades quilombolas do Brasil. Entre hoje e domingo, o trabalho será apresentado na comunidade dos Kalungas, em Cavalcante, Goiás. Em fevereiro, o espetáculo passa pelo grupo Tia Eva, em Mato Grosso do Sul, e pela comunidade Mata Cavalo, em Mato Grosso.

Com 12 capoeiristas na formação, o Grito de Liberdade parte para os quilombos levando histórias e tradições africanas e afro-brasileiras, como a capoeira angola e a capoeira regional, e performances, como as danças do fogo, do maculelê, da puxada de rede e do bastão.

“A pescada de rede, por exemplo, é uma dança originária dos pescadores que viviam na beira dos rios. Nós contamos essa história a partir das expressões corporais”, explica Mestre Cobra. As apresentações ocorrem ao som de instrumentos como berimbau, pandeiro, agogô, atabaque e reco-reco. O capoeirista também conta que uma equipe audiovisual acompanha a viagem, para, futuramente, transformar os registros em um documentário.

Não é a primeira vez que o espetáculo será apresentado: em 2018, a montagem passou por nove escolas do Gama e do DF, e em cidades da Bahia, do Rio Grande do Norte e dePernambuco. O capoeirista afirma que levar o projeto para alunos das escolas foi importante para ressaltar a relevância da população negra para a formação do país. “O negro sofreu para alcançar uma identidade dentro da nação brasileira. Nós trabalhamos o orgulho de ser negro. A iniciativa do Quilombo nas escolas nasceu dessa forma”, conta.

Envolvimento


Entretanto, isso não foi suficiente para o mestre: o profissional decidiu ir até os quilombos do Brasil para conhecer a história desses povos de perto. “A gente está indo atrás para saber como é e como era a realidade do negro dentro das comunidades. A principal importância é essa troca de informação”, ressalta Mestre Cobra.

Por isso, além de apresentar o espetáculo, o grupo fará oficinas de capoeira e também assistirá a performances realizadas pelos próprios moradores das comunidades quilombolas. Depois da temporada, os ensinamentos adquiridos serão aplicados em apresentações futuras do espetáculo.

Utilizando tochas, os capoeiristas realizam a performance da dança do fogo(foto: Ricardo Pereira/Divulgação)
Utilizando tochas, os capoeiristas realizam a performance da dança do fogo (foto: Ricardo Pereira/Divulgação)


Além de resgatar e valorizar a identidade cultural dos povos africanos e afro-brasileiros, o trabalho busca fazer uma reflexão sobre as condições nas quais a população negra vive no Brasil atualmente. “O negro sofreu muito, tanto no corpo físico quanto na cultura e na religião. A gente veio trazer a reflexão dessa ideia no meio urbano”, conta o mestre.

O grupo faz esse paralelo utilizando as danças do repertório: “Na dança da puxada de rede, por exemplo, a gente iguala os pescadores às pessoas marginalizadas, aos trabalhadores. É a história de um trabalhador que vivia da pesca, que hoje se confunde com um flanelinha que está ali para olhar o seu carro. É importante saber que a mesma dor que o negro sofria dentro do quilombo é a dor que o negro sofre na cidade, com essa falta do governo de olhar com bons olhos a alma e o coração das pessoas”, explica.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

Quilombo da Liberdade — Origens
Quarta, quinta e domingo, às 17h, na Comunidade Quilombola Kalunga, em Cavalcante, Goiás. Em 4, 5 e 6/2, às 17h, na Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Em 9/2, às 17h, no Museu da Imagem e Som de Cuiabá, Mato Grosso. Em 10/2, às 17h, na Comunidade Quilombola de Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, Mato Grosso.

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