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Correio Braziliense

Espetáculo 'Irandí do barro ao ferro' chega a São Sebastião

Coletivo Nós que aqui estamos fala, na peça, sobre a valorização das raízes africanas


postado em 17/01/2019 07:00 / atualizado em 16/01/2019 20:52

Cena do espetáculo 'Irandí - Do barro ao ferro': preservação da ancestralidade brasileira(foto: Henrique Silva/Divulgação)
Cena do espetáculo 'Irandí - Do barro ao ferro': preservação da ancestralidade brasileira (foto: Henrique Silva/Divulgação)


Com a proposta de resgatar as raízes da cultura africana e valorizar o povo negro, principalmente para os jovens e adultos de São Sebastião, o coletivo Nós que aqui estamos apresenta, neste fim de semana, a peça Irandí — do barro ao ferro. O espetáculo será apresentado no Centro Educacional São Francisco, com entrada gratuita e intérprete de libras para garantir acessibilidade e democratização cultural.

Baseado em contos de tradição africana, o espetáculo é dividido em atos que, apesar de não estarem em uma trajetória linear, acabam por se conectar. No primeiro momento, é encenado o conto O Doutor cura quem está para morrer, de Mestre Didi, escritor e um dos grandes responsáveis por preservar a ancestralidade afro-brasileira com estudos e publicações sobre o tema.

O ponto alto da encenação é a reflexão sobre vida e morte. A decisão de inserir o conto na peça surgiu depois de algumas reflexões que o coletivo fazia em conjunto durante o processo de estudo e leitura de textos para a formação do espetáculo. "Lemos vários escritores e levantamos alguns pontos do que a gente queria tratar na peça. Então, encontramos o texto que, de alguma forma, ilustra o diálogo com a morte e a vida da perspectiva africana, mas também traça um paralelo com o país racista em que a gente vive e que mata muitos negros", explica o diretor e idealizador do espetáculo Lucas Santos.

O diretor acredita que a contribuição do Mestre Didi para a cultura negra é diretamente ligada à memória. "As obras dele ajudam na manutenção do resgate da ancestralidade, mas também reforçam que a gente não tombe e se fortaleça cada vez mais dentro dessa estrutura racista que tenta anular essa memória", completa Lucas.

Outro ponto importante do espetáculo, segundo Lucas, ocorre em uma cozinha, onde se retrata a memória das pessoas que contribuíram para a libertação do povo negro em múltiplos aspectos da existência. Também estará presente na peça a força de Ogum, que está representado por meio do ferro, símbolo do espírito guerreiro do povo negro, e também do sangue de reis e de rainhas.

O coletivo Nós que aqui estamos surgiu do desejo em comum de fazer algum projeto que materializasse a valorização da cultura negra e urgências criativas. Os encontros acontecem nesses fluxos de estar em São Sebastião, cidade de origem dos artistas. Os diálogos resultaram dessas urgências.

Em 2017, Lucas queria fazer algum projeto cultural para a população negra de São Sebastião, reuniu um grupo de pessoas e o núcleo foi se ampliando com o passar do tempo. “A gente se reuniu para produzir uma peça a partir de um referencial de pessoas negras em contato com a cidade e tudo foi tomando corpo a partir dos referenciais pessoais de cada um do coletivo”, conta o diretor.

Questionados sobre o que fazer pela cidade, pela juventude negra e para expressar a arte, os artistas decidiram se mobilizar e criar cenas para a população refletir e se conscientizar sobre ser negro na sociedade. “Nós acreditamos que amor é construção. Estar entre pessoas pretas e em lugares que amamos desperta a necessidade de construir, para fortalecer e permanecer”, conclui Lucas.

Irandí — Do barro ao ferro
Sábado e domingo, às 20h, na CED São Francisco (Quadra 17 Lote 100, Bairro São Francisco – São Sebastião). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

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