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Correio Braziliense

Cantor Di Melo é atração do Baile do Cafuçu do Cerrado

Di Melo promete levar muito suingue ao pré-carnaval do bloco brasiliense


postado em 19/01/2019 06:45

O músico pernambucano apresenta sucessos novos e antigos em festa de pré-carnaval(foto: Alessandra Alves/Divulgação)
O músico pernambucano apresenta sucessos novos e antigos em festa de pré-carnaval (foto: Alessandra Alves/Divulgação)

 

Com papo florido e versado, Di Melo deixa logo evidente que quem está falando é o compositor das faixas inspiradíssimas presentes no álbum homônimo de 1975. Muita coisa aconteceu até que ele lançasse outro "disco de carreira", 41 anos depois de surgir como promissora estreia. Sabotado pela própria gravadora, como alega, passou décadas distante dos holofotes. Chegaram a achar que estava morto. Em 2016, com o álbum Imorrível, ele provou em muito o contrário — continua vivo e fazendo viver.

 

O músico e artista plástico pernambucano se apresenta hoje à noite em Brasília. É a principal atração do carnavalesco Baile Cafuçu do Cerrado, que também receberá a Orquestra Cafuçu interpretando sucessos do brega, mote do evento, em pique de folia. Para Di Melo, carnaval é, antes de tudo, uma festa. E nelas as pessoas não ficam paradas —  isso ele garante tirar de letra com o sacolejante groove que promove em cima dos palcos.

 

"Meu som já é o próprio carnaval. É uma festa em cores, luzes e sabores", brinca Di Melo em entrevista ao Correio. Ele conta que está “celebrando o melhor momento”. Guarda várias músicas inéditas na manga e dois livros. Em 2019, pretende lançar um disco produzido por grupo francês. “Fiz agora gravações com a mega banda francesa Cotonete. Fui lá para elaborar o trabalho. Fiz sete shows. Todos muito bem cuidados, bem elaborados, arranjados. Foi incrível”. O último single que gravou, A-E-I-O-U, foi em parceria com Cotonete e lançado em 2018.

 

Gigante esquecido

 

Letras provocantes e melodias bem suingadas recheiam o disco Di Melo (1975). O trabalho com 12 faixas contou com mão de obra de Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte nos instrumentos. Abre com aquela que se mantém uma das mais lembradas composições dele: Kilariô. Os versos soturnos “Ai, ai, meu Deus do céu, quanto eu sofri / Ao ver a natureza morta”, contrastam com a energia injetada na canção.

 

A segunda faixa, A vida em seus métodos diz calma, tem boa dose de responsabilidade pelo retorno do músico aos palcos. Em 1997, ela figurou na coletânea britânica Blue Brazil 2. Alavancada no exterior por DJs estrangeiros, faixas do álbum foram sampleadas por músicos de todo lugar. O encarte do vinil chegou a aparecer brevemente no clipe do grupo Black Eyed Peas.

 

“Todo mundo chegava pra mim e dizia ‘Di Melo, seu som está tocando lá fora. Seu disco está vendendo. Até que eu cheguei à Holanda e encontrei o vinil por 700 euros. Tinha alguns riscados, sem encarte nem nada, por 380”, recorda-se. Sobre a década de 1990 o músico  diz ter recebido apenas 11 cruzeiros pelos direitos autorais pelo disco lançado pela EMI Odeon em 1975. “Fiquei totalmente desgostoso e saí de cena. Porque você trabalha muito e todo mundo se beneficia. Inclusive editores. Metem a mão na grana e você fica chupando dedo”, queixa-se.

 

O desgosto que ele relata associado a um acidente de moto sofrido também nos anos 1990 fez com que achassem que ele estava morto. Na viagem à Holanda, lembra, as pessoas se surpreenderam ao saber que ele está vivo.  “Quando falei, ‘pô, sou o Di Melo’, ninguém acreditou. Porque, até então, todo mundo achava realmente que eu havia morrido. E os caras não botaram fé. Comecei a tocar num bar e adoraram o som. Toquei com um pessoal que já fez parceria com Hermeto Pascoal, e o povo curtiu. No hotel, eu ouvia tocando no rádio A vida em seus métodos diz calma enquanto tomava café da manhã.”

 

Em grande estilo

 

Em 2012, Alan Oliveira e Rubens Passaro dirigiram o premiado curta-documentário Di Melo —  O Imorrível, sobre a trajetória do pernambucano. “ Como eu morri e esqueceram de me avisar, lancei um filme, depois um álbum”. O disco Imorrível, de 2016, é o lançamento “mais elaborado” depois daquele feito em 1975. Contou com participação de BNegão e Larissa Luz e uma equipe de 55 pessoas.

 

No ano de estreia de Imorrível, ele veio a Brasília participar do festival Satélite 61. Menciona ter se apresentado na capital três vezes. “Estou muito feliz porque Brasília gostou do meu som. Todas as vezes que fui aí, esta já é a quarta, fui muito bem recebido. Público bonito, maravilhoso e estiloso. A coisa boa para o artista é observar que o trabalho dele está sendo curtindo, alegrando; que conquista cada vez mais espaço. Para mim, isso é primordial”, celebra.

 

*Estagiário sob supervisão de Vinicius Nader

 

Baile Cafuçu do Cerrado com Di Melo e Orquestra Cafuçu

Canteiro Central (SCS 3 Bl. A). Hoje, às 22h. Ingressos a R$ 35 (2º lote). À venda no site Sympla. Não recomendado para menores de 18 anos.

 

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