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Correio Braziliense

Em cartaz em três filmes, Nicole Kidman vai do blockbuster ao alternativo

De rainha (em 'Aquaman') à desfigurada policial Erin Bell, em 'O peso do passado', a investida de Kidman foi destemida.


postado em 20/01/2019 06:40

(foto: VALERIE MACON/AFP )
(foto: VALERIE MACON/AFP )
Em mera aparição no palco, como foi o caso na recente entrega dos prêmios do Globo de Ouro, não há como negar: o brilho de Nicole Kidman ofusca até mesmo gente de destaque, como o ator Rami Malek (de Bohemian rhapsody), praticamente esnobado por ela, ao receber um troféu. Mal-entendido desfeito — ela jura não ter visto o colega que suplicou, publicamente, por atenção —, a atriz nascida havaiana, mas criada na Austrália, segue calçando sandálias de humildade, como confirmou em palestra para os membros da Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood: “A fama ainda me intimida de certo modo. Costumo ficar nervosa quando estou no tapete vermelho; há quem note isso. Posso ainda ser muito quieta em eventos sociais. É uma timidez de menina, cíclica”.

Atuando há 35 anos, Kidman, aos 51 anos, parece na melhor das colheitas: só na cidade são três filmes em cartaz. Na pele da mãe de Aquaman, longa encabeçado por Jason Momoa, viu a bilheteria bater a casa de US$ 1 bilhão; interpreta a secundária personagem Yvonne (secretária do protagonista), de Amigos para sempre, filme que faturou US$ 25 milhões em cinco dias; e estrela o drama O peso do passado, pelo qual foi indicada ao Globo de Ouro. Ainda este ano, será a esposa de um radical pastor em Boy erased e atriz e coprodutora de nova temporada de Big little lies, da HBO.

De rainha (em Aquaman) à desfigurada policial Erin Bell, em O peso do passado, a investida de Kidman foi destemida. “Eu meio que não me reconheci quando me vi no espelho”, observou em coletiva de imprensa estrangeira. Apesar de calejadas pelas experiências de transformação física da mãe, as pequenas filhas da atriz “ficaram chocadas” ao verem Nicole como Erin. Agonia e dor enchem a tela, no papel que rendeu a Kidman a 11ª indicação ao Globo de Ouro, no segmento de cinema e boas chances para figurar no Oscar. Vale lembrar que, dona de outras três indicações ao Oscar, Kidman venceu o prêmio por As horas (2003).

O processo artístico do filme assinado por Karyn Kusama obteve o endosso do marido, o cantor country Keith Urban. “Sabia que não poderia problematizar a aparência — apenas tive que absorvê-la internamente, para que nada soasse falso em cena”, comentou, em torno do desafio de encarar as crises existenciais de uma mulher que deve se infiltrar numa gangue montada no deserto da Califórnia.

 Nicole Kidman em 'O peso do passado'(foto: Diamond/Divulgação)
Nicole Kidman em 'O peso do passado' (foto: Diamond/Divulgação)


Noutra atmosfera, na comodidade de casa, administrando a sabida conta bancária superior a US$ 100 milhões, e lidando com um filho e três filhas, Nicole Kidman deixa transparecer o zelo pelos pés no chão. “Minha zona de conforto é minha família, meu lugar mais feliz no mundo está em nossa casa com meu marido e as meninas, apenas relaxando e conversando. Não trocaria isso por qualquer que fosse a festa em Hollywood”, comentou, em palestra aos votantes do Globo de Ouro.

Filha de um bioquímico que também exerceu psicologia, Nicole teve uma mãe supervisora de enfermagem, e sempre foi muito conectada à família. Quando a mãe, em 1984, teve diagnosticado câncer de mama, a filha, ainda pavimentando o estrelato, largou tudo a favor da saúde da mãe.

 
Ancorada pela família


No cinema, os mesmos estreitos laços de família, vez por outra, se reproduzem, em filmes como Reencarnação, de 2004 (mesmo ano em que estrelou Mulheres perfeitas), Reencontrando a felicidade (2010) — em torno de mãe enlutada —, o recente O sacrifício do cervo sagrado, do celebrado grego Yorgos Lánthimos, isso além de Os outros (2001), que estrelou para o chileno Alejandro Amenábar, mesmo antes da primazia latina em Hollywood e de Lion (2016), coestrelado por Dev Patel. Inesperadamente, depois do destaque em Terror a bordo (1989), triller psicológico que muito chamou a atenção do astro Tom Cruise, o cinema viria a ser o caminho para a conquista da maternidade.

Onze anos antes do divórcio, foi Cruise quem insistiu em vê-la como coestrela de Dias de trovão, o longa de maior bilheteria em 1990. Seguiram-se as colaborações com Um sonho distante (1992) e o filme do mago Stanley Kubrick, De olhos bem fechados (1999). Muitas vezes, Nicole Kidman parece, pelas escolhas passadas no cinema, antever tendências ou transformações de estrutura da sétima arte, quando se passa o olho pela lista de produções que estrelou.

Esteve em alta com os musicais Nine (2009) e Moulin Rouge! (2001); um filme de super-herói de 1995 (Batman forever) segue sendo o filme mais visto de toda a carreira. Kidman também entregou performances afiadas para diretoras mulheres, em Retratos de uma mulher (1996) e O estranho que nós amamos (2017). A estrela de filmes coprotagonizados por astros do porte de George Clooney, Anthony Hopkins e Sean Penn, e outros tantos dirigidos pelos renomados Gus van Sant e Philip Kaufman, é quem destaca o valor das mulheres nas suas vidas.

“Minhas amizades femininas são muito importantes. Sou daquelas moças que foram criadas por mulheres. Eu tenho uma irmã, tias, tive uma mãe muito forte. Há muita energia feminina na minha família. Até mesmo ainda sou a melhor amiga da minha amiga de infância. Contar com um círculo de amigos é um inestimável tesouro”, conclui.

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