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Correio Braziliense

Marcelo Serrado fala sobre personagem Nicolau em 'O sétimo guardião'

Embalado pelo noticiário fora da ficção, Aguinaldo Silva dá ao núcleo comandado por Marcelo Serrado e Carolina Dieckmann %u2014 o casal Nicolau e Afrodite %u2014 voz quando o assunto é machismo e intolerância


postado em 20/01/2019 07:05

Marcelo Serrado humanizou o personagem com humor(foto: Globo/Estevam Avellar)
Marcelo Serrado humanizou o personagem com humor (foto: Globo/Estevam Avellar)
No meio do universo do realismo fantástico explorado por Aguinaldo Silva na novela das 21h, O sétimo guardião, há espaço para discussões atuais. Fazem parte da lista os negócios escusos do prefeito Eurico (Dan Stulbach) com a cunhada Valentina Marsala (Lília Cabral); o nepotismo do mesmo Eurico que nomeia o filho Junior (José Loreto) como secretário de Educação; a aceitação à homossexualidade de Adamastor (Theodoro Cochrane); e a transexualidade de Marcos Paulo (Nany People).

Embalado pelo noticiário fora da ficção, Aguinaldo Silva dá ao núcleo comandado por Marcelo Serrado e Carolina Dieckmann — o casal Nicolau e Afrodite — voz quando o assunto é machismo e intolerância. A discussão, mais do que atual, movimenta a trama.

Nicolau é extremamente machista, daqueles que acham que é dele o controle da vida sexual do casal e que não suportam ver a esposa chamar mais a atenção do que ele nem no quiosque onde vendem hambúrguer na praça da interiorana Serro Azul. Um dos principais “calos” do personagem são as escolhas dos filhos Diana (Laryssa Ayres) e Bebeto (Eduardo Speroni). O chapeiro não consegue aceitar o fato de a menina ter escolhido lutar caratê e o menino, a dança de rua.

“Aguinaldo Silva foi corajoso e muito perspicaz com o personagem. Um menino não precisa ser gay para dançar ou uma menina ser lésbica para lutar caratê. Existem muitos pais que pensam dessa forma e não deixam os jovens serem felizes”, reflete Marcelo Serrado, em entrevista ao Correio.

Para o pai Marcelo Serrado, respeito às diferenças é palavra de ordem na educação. “As diferenças fazem parte do dia a dia deles (dos filhos) e a gente tem que ensinar a necessidade de respeitar, de se conviver com isso”, afirma.

Ter um viés político no trabalho não é novidade para Marcelo Serrado, que viveu Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, no filme Polícia Federal: A lei é para todos (2017). Mesmo quando a trama é a romântica Jugar con fuego, versão hispânica para a série Amores roubados, Marcelo consegue levar reflexão à experiência.

“A gente pensa que o mundo é só o que fala em inglês e acaba se esquecendo do espanhol. Participar de Jugar con fuego foi uma aproximação com a América Latina muito importante para mim”, afirma o ator.


Três perguntas/ Marcelo Serrado


Seu personagem em O sétimo guardião, Nicolau, aborda temas atuais, como questões de gênero e machismo. Qual é a importância de levar um tema como esse ao público?
É muito importante. Aguinaldo Silva (autor da novela) foi corajoso e muito perspicaz com o personagem. Um menino não precisa ser gay para dançar ou uma menina ser lésbica para lutar caratê. Existem muitos pais que pensam dessa forma e não deixam os jovens serem felizes. Tentei dar uma humanizada no Nicolau levando um pouco de humor nesse jeito bonachão dele. Se não ia ficar muito violento.

Como pai, lhe preocupa criar filhos no Brasil de hoje?
Sim. A gente tem que dar amor, proteger e, ao mesmo tempo, ensinar o respeito. Meus filhos crescem hoje num país bem diferente do que o que eu cresci. As diferenças fazem parte do dia a dia deles e a gente tem que ensinar a necessidade de respeitar, de conviver com isso.

Você fez Jugar con fuego, versão hispânica para a série Amores roubados, que estreia em 22 de janeiro na Telemundo. Como foi essa experiência?
Foi muito interessante participar dessa coprodução entre a Globo e a Telemundo. A primeira diferença foi a língua, pois atuamos em espanhol. Passamos um mês gravando na Colômbia. Um elenco com atores de vários países. A gente pensa que o mundo é só o que fala em inglês e acaba se esquecendo do espanhol. Participar de Jugar con fuego foi uma aproximação com a América Latina muito importante para mim.
 
 
 

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