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Correio Braziliense

Artistas internacionais apresentam trabalhos que desafiam limites musicais

Conheça alguns destaques que fizeram reinvenção dos gêneros da música


postado em 21/01/2019 07:15

O primeiro álbum de Jesus Piece, 'Only self', chamou a atenção pelo destaque ao punk(foto: Instagram/Reprodução)
O primeiro álbum de Jesus Piece, 'Only self', chamou a atenção pelo destaque ao punk (foto: Instagram/Reprodução)
Seria quase impossível entender — ou trabalhar — com música sem os gêneros que explicam os ritmos. Entretanto, isso não significa que os artistas devam ser limitados, pelo contrário. Uma das  características marcantes de músicos debutantes é brincar com tais limites. E, nesse sentido, vale a pena prestar atenção em alguns nomes que vão além das fronteiras norte-americanas. Entre rock, punk, indie, pop, R&B, eletrônico e rap, a ordem deste ano é reinventar os gêneros. Mas cuidado, isso não significa que artistas consagrados fiquem para trás — eles também podem inovar.


»  Indie
O indie, especialmente o alternativo, vem com um tom mais emotivo e com forte mensagem social e psicológica. Jade Bird, da Inglaterra, é um desses exemplos. A garota não gosta que a música dela seja classificada em gênero, mas as baladas softs não negam. No começo deste ano, Jade lançou um EP com três faixas (I get no joy, Love has all been done before e Uh hul, esta última, inclusive, é chave para quem quer conhecer mais a cantora) e a expectativa é que a britânica suba as escadas dos charts rápido.

De certa forma, o som de Jade parece uma mistura heterogênea da raiva musical de Cobain com as letras afiadas e trágicas de Amy Winehouse. Rosália também é outra representante do gênero. A espanhola ficou conhecida em 2018, mas neste ano promete ganhar o mundo com o novo álbum El mal querer.

É como se um sangue novo estivesse chegando para recriar esse gênero, a expectativa é de o tradicional Vampire Weekend também dê as caras em um futuro próximo. Uma das bandas alternativas mais famosa do gênero, os britânicos de fato estão trabalhando em um sucessor de Modern vampires of the city (de 2013). Em uma entrevista ao portal inglês NME, no fim de 2018, o vocalista Ezra Koenig comentou sobre o retorno do grupo: “Eu gostaria de contar que o álbum está pronto agora, quer dizer, ainda estamos trabalhando em umas remasterizações, mas acho que a maior parte está feita. No meio-tempo, o único plano é curtir o verão”. O novo trabalho já tem até nome: Mitsubishi macchiato.

» Pop
Atualmente, Billie Eilish tem quatro músicas na Billboard 100 (When the party’s over, Lovely, Ocean eyes e idontwannabeyouanymore), mas ainda existe forte expectativa de a garota de apenas 17 anos chegue mais longe. É que Billie ainda não debutou um álbum de estúdio (apenas um EP, de 2017), e com o poder de hitmaker que a jovem tem, é possível que o trabalho se destaque em 2019. O grande diferencial de Billie definitivamente são as letras extremamente pesadas, com uma melodia softcore — não é necessariamente algo novo em gênero, mas a garota consegue potencializar esse contexto. Jesse Jo Stark, por outro lado, não é tão conhecida, mas o hit Uh huh chamou a atenção no começo de 2019, sendo um pop agitado em ritmo, com referências de guitarra elétrica bem ao estilo década de 1990 — na voz muita força a um grito de empoderamento feminino estilo Kate Nash.

Em um ritmo bem diferente da Billie e Jesse, uma “novidade clássica” para 2019 é nada mais, nada menos que a rainha Madonna. O novo trabalho será o 14º álbum de estúdio da cantora (o último foi Rebel Heart, de 2015), e segundo Madonna à revista Women’s wear daily, em outubro de 2018, os fãs podem esperar novos trabalhos, mesmo que a artista esteja fazendo atividades paralelas: “Estou finalizando minhas gravações, que vou lançar no próximo ano. Sim, entre fragrâncias de rosa e séruns, eu realmente estou fazendo música. Eu não posso largar meu trabalho”. Vale lembrar também que a expectativa em torno do novo trabalho de Rihanna é grande. A cantora foi ao Twitter diversas vezes prometendo novidades em breve.


» R&B/Alternativo
O sul-africano Nekhane Touré é um verdadeiro achado. Com um R&B bem leve, que flerta com um soft pop (no sentido do neo soul), o artista mistura temas extremamente relevantes como sexualidade, fé, prazer, traumas e redenção. A voz do cara também é um show a parte: vibrante e sobreposta, é quase impossível parar de ouvir. O último trabalho do cara, You will not die (do ano passado), ainda não está disponível nas plataformas brasileiras, mas vale conferir os trabalhos mais antigos de Nekhane, como Brave confusion, de 2013.

O sul-africano Nekhane discute várias questões sociais nas faixas próprias, e isso se torna um dos destaques do artista(foto: Instagram/Reprodução)
O sul-africano Nekhane discute várias questões sociais nas faixas próprias, e isso se torna um dos destaques do artista (foto: Instagram/Reprodução)


Mais longe do R&B e com um toque mais perto do pop, Lana Del Rey já apresentou várias faixas do novo trabalho Norman fucking rockwell, como Venice bitch, Mariners apartment complex e How to disappear, e também pode ser um destaque da renovação do gênero. A emissora de rádio britânica Radio 1, a artista contou mais sobre o novo trabalho: “É meio transformador porque tem um pouco de surf elementos em todos as músicas, não igual a Dick Dale, mas com muita guitarra elétrica, e até umas influências de Red hot chili peppers”.


» Eletrônico
O grande diferencial do eletrônico de Haiku Hands é a harmonia com as letras — especialmente na faixa Not about you. Próximo a um Icona pop menos comercial com traços de Beastie boys, as australianas ficam naquela linha entre as batidas de baladas pops e uma performance artística conceitual. A sensação ao escutá-las é, essencialmente, de pertencimento. Mesmo com uma forte mistura com um conceitual de sintetizadores novaiorquinos da década de 1990, Haiku Hands não soa estranho ou incômodo, pelo contrário: é animado, inclusivo e pesado. Até agora, as garotas não tem nenhum álbum de estúdio, apenas quatro singles, a expectativa é que 2019 mude tal panorama.

Os irlandeses do Fontaines DC apostam em um tom mais poético (foto: Instagram/Reprodução)
Os irlandeses do Fontaines DC apostam em um tom mais poético (foto: Instagram/Reprodução)


Do passado, Grimes retornará ao gênero. A canadense que revolucionou a música comercial eletrônica já liberou o primeiro single, We appreciate power, e mesmo sem uma data ou título finais, o público pode esperar algo, afinal, ao portal NME, a artista classificou o trabalho como “um som etéreo, quase como uma interpretação cyberpunk de Bajirao Mastani (um romance épico hindu)”.


» Rap
O gênero musical de LeeBrian se volta essencialmente para o rap que estourou nos Estados Unidos a partir da década de 2000, mas a voz do garoto porto-riquenho muda tudo. Com forte controle sob o ritmo (que vai do mais agitado até o estranhamente relaxado), os vocais de LeeBrian ainda apelam a um reggaeton levinho, quase em forma de rascunho. Vale citar ainda que o rapper recentemente assinou com o pessoal da Sky (gravadora que explodiu o Despacito, de J Balvin), logo, o garoto pode ser o próximo hit mundial. Se você quiser conhecer, talvez vale começar pela faixa Goku sin el ki.

Para o rap, 2019 também promete o retorno de artistas já tradicionais. Kanye West, Chance de rapper e Childish Gambino são alguns do que podem apresentar novos trabalhos neste ano. O primeiro já tem até um título para a novidade: Yandhi. O segundo já confirmou que já tem gravados sete faixas. O terceiro já afirmou que o próximo trabalho pode ser o último, mas ainda não liberou mais informações.
 
 
 
 

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