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Correio Braziliense

Exposição de revistas raras mostra história cultural do Brasil

Alguns exemplares originais foram impressos há mais de 100 anos


postado em 22/01/2019 08:55 / atualizado em 22/01/2019 09:04

Exposição conta com exemplares impressos há mais de 100 anos(foto: Andrey do Amaral/Arquivo Pessoal)
Exposição conta com exemplares impressos há mais de 100 anos (foto: Andrey do Amaral/Arquivo Pessoal)

 

Uma visita à história cultural brasileira. Esse é um dos objetivos da Exposição Revistas Raras, que faz parte do projeto Mostra de Literatura. As páginas trazem muito sobre a cultura, a linguagem, os costumes e até as insatisfações da sociedade à época. Entre os exemplares, alguns têm mais de cem anos de lançamento. A exposição fica disponível até 25 de janeiro, na Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga. A entrada é franca.

Os títulos expostos contam com revistas de prestígio e popularidade à época, casos da Careta e Fon-Fon. “Algumas revistas têm 115 anos, são uma raridade. Elas retratam de forma fidedigna a história cultural do país. A Careta, por exemplo, trabalhava com charge política, enfrentamento, embate, crítica. Ela é importante para a gente resgatar os desconfortos da população nas primeiras décadas do século passado”, explica Andrey do Amaral, proprietário do acervo e organizador do evento.

Alguns casos curiosos estão nas revistas expostas, como a votação para o concurso Príncipe dos Poetas, em 1913. “A Fon-Fon divulgou o resultado do concurso, que foi vencido pelo Olavo Bilac. Até aí tudo bem, mas os livros didáticos dizem que Olavo Bilac foi aclamado, que recebeu votação expressiva, foi eleito por unanimidade. E, na verdade, a revista mostra que a votação foi apertada: Olavo Bilac teve 39 votos enquanto o segundo colocado, Alberto de Oliveira, teve 34”, revela Andrey.

Para o organizador, a consulta ajuda a sociedade de hoje a entender a importância de checar a informação. “Esse caso do concurso do Príncipe dos Poetas reforça a questão de que a gente deve consultar fontes primárias, gente que esteve nos locais do acontecimento”, justifica.

Mas nem tudo mudou nas pautas. “Hoje, a gente vê notícias de celebridades que foram a uma loja e compraram uma nova joia. Nas revistas também tinham notícias mais banais como essa, o que se transformou mesmo foi a linguagem. As matérias tinham um cunho mais literário”, descreve Andrey.
 
 
 
Simbologia

A escolha do local também tem uma razão específica. “Nós estamos expondo em uma biblioteca para cegos, isso é inusitado, mas traz uma provocação à sociedade. Contamos com o sistema de audiodescrição para eles, mas todo mundo é bem-vindo”, convida.

Ele conta que reunir o acervo foi mais simples do que aparenta. “Eu herdei do meu avô. Ele se chamava Antônio do Amaral e imprimia essas revistas no Rio de Janeiro. Quando sobrava alguma, ele pegava pra ele. Quando ele faleceu, as pessoas estavam vendo quem ficaria com outros bens materiais e eu pedi as revistas, porque, para mim, teriam mais valor”, confessa.

Além de exemplares da Careta e Fon-Fon, também compõem a exposição edições de Vamos Ler!, Vida Nova, Para Todos e Sul América. Todas originais.

Este ano, o projeto ainda chegará a outras regiões administrativas do DF. Estão no itinerário Varjão, Estrutural e Ceilândia. O objetivo é dar mais espaço para que um maior número de pessoas possa conhecer as revistas antigas. Também estão previstas rodas de conversa com poetas e escritores sobre direitos humanos e a promoção da bibliodiversidade.

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira



Exposição Revistas Raras
Biblioteca Braille Dorina Nowill (Área especial, sem número — Taguatinga Centro). Até 25 de janeiro, das 9h às 16h30. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

  

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